Sexta-feira, 18.10.13

Teatro - Marco Horácio apresenta soluções para a crise

Marco Horácio apresenta soluções para a crise


Marco Horácio apresenta soluções para a crise

Depois das apresentações no Teatro da Trindade, onde estreou, e da passagem por Portimão o humorista apresentou as suas soluções para a crise no Teatro Académico de Gil Vicente em Coimbra. Entre as gargalhadas constantes do público, num país em crise, durante 75 minutos, o humorista mostrou como aplicar o conceito low cost a vários aspetos da sua vida.

 

Cumprindo o quarto de hora académico da praxe coimbrã, logo para começo de espetáculo o público foi avisado, em voz off, que o artista estava atrasado. Sem mais demoras, Arménio Carlos, contabilista e um verdadeiro Intruso, sobe ao palco em ação de protesto. Enquanto protesta pelo referido atraso, aproveita e vai também dando algumas dicas para sobreviver a esta crise.

Logo em início de conversa a personagem de Marco Horácio fala-nos da sua teoria de sobre quem vale ou não a pena processar. Por exemplo: “A igreja católica vale a pena processar, tem muito dinheiro (…) continua é a ser mal aproveitado”.

No que diz respeito a profissões, segundo Arménio Carlos, neste momento a melhor é a de sem-abrigo. Não sentem a crise, o aumento do gás, da água, do IMI; no geral não sente o aumento de nada. Talvez sintam o aumento do desemprego, pelo número cada vez maior de desempregados nas arcadas. Por outro lado, também não sentem a descida dos salários, dos subsídios, das pensões,… Em resumo, ser sem abrigo é a profissão com maior saída nesta crise!

Arménio Carlos é casado com Célia Maria e é o quanto basta para perceber que as mulheres não estão preparadas para a crise. “Cada batizado um vestido, cada casamento um vestido; toca a gastar dinheiro em vestidos e mais vestidos, até ficarem pobrezinhos”.

Com o humor como nota dominante, Arménio Carlos continuou a desfiar maneiras de ajudar os portugueses a olharem a crise de frente. Até os estrábicos! Mostrou pequenos truques para fazer face à falta de dinheiro, à falta de perspetivas e à falta de noção de quem usa t-shirts de alças. 

Nesta peça, Marco Horácio demonstrou como o low-cost pode ser aplicado nas mais pequenas e variadas coisas do quotidiano. Desde a namorada low-cost que “se for “miupi” não lê legendas no cinema nem o menu dos restaurantes; só aí já se poupou mais de €4” ou uma namora anorética que “basta dizer que está mais gorda, que fica quinze dias sem sair de casa”, aos sogros low-cost, nada parece impossível aos olhos deste gentil – homem e benfeitor comediante.

Por responder fica a questão: “Porque é que os políticos nos pediram para apertar o cinto, se agora nos pedem para baixar as calças?

"O Intruso", é um espetáculo de humor, música, sapateado e até tem alguns passes de magia. Aliás, Arménio Carlos tem uma amizade mágica com Luís de Matos (que estava presente na sala do TAGV). Sempre que o mágico o vê a chegar… desaparece! 

Para o encenar, Marco Horácio convidou Sónia Aragão, uma das encenadoras de eleição daquele que considera o seu mestre de palco: António Feio. O texto foi escrito a quatro mãos por Frederico Pombares, Henrique Dias, Roberto Pereira e pelo próprio Marco Horácio. A sonoplastia ficou a cargo de Luís Ramos e de Jorge Pina enquanto o desenho de luz é da responsabilidade da Lamp On.

Depois de Coimbra a peça será apresentada dia 01 de Novembro no Teatro José Lúcio da Silva em Leiria, Centro de Artes e Espetáculos em Portalegre  a 08 de Novembro, Teatro Aveirense a 23 de Novembro e para 2014 já está agendada uma representação no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra a 28 de Março.


Por momentos Marco Horácio , com o humor a que já nos habituou, ajudou a esquecer que estamos em crise


Retirado do HardMúsica

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Quinta-feira, 21.02.13

D. Policarpo: "aguentava" sem os 14 quartos e as 6 casas-de-banho?

O cardeal-patriarca de Lisboa defendeu, esta terça-feira, que a sociedade portuguesa "aguenta tudo", no que toca à austeridade.

"A sociedade aguenta tudo. Esperamos que as linhas de conduta sejam realistas, mas prudentes. Não se deve usar o poder para fazer aquilo que não é preciso ser feito", declarou José Policarpo, em entrevista à RTP1, ao ser questionado sobre os limites da resistência dos portugueses à austeridade.

 

Em relação ao papel da Igreja da Igreja Católica em tempos de crise, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa referiu que "tem de estar presente, atenta a quem sofre", oferecendo "amor, verdade e fé". Diário de Notícias


Amor, verdade e conselhos sábios. Assim de repente, estou a lembrar-me de D. José Policarpo, em 2009, a advertir as jovens portuguesas de que casar com muçulmanos poderia ser um monte de sarilhos. Em certos cargos, estar calado é, mutas vezes, uma bênção divina.

 

Pois é, "a sociedade aguenta tudo", diz o senhor Cardeal Patriarca de Lisboa. E quanto a mim aguenta bem melhor com uma bela e dispendiosa garrafa de vinho a acompanhar as refeições, os macinhos de tabaco diários e as vestes compradas em RomaAguenta melhor ainda instalada numa herdade de um hectare avaliada em 2,5 milhões de euros, a desfrutar de uma casa com catorze quartos e 6 casas de banho, e a "piscina construída para o senhor bispo D. José, que gosta de estar lá ao sol". "E às vezes jogam ali [ténis] os novos padres que vêm aí para reuniões". (Correio da ManhãAssim, aguentaria bem, a sociedade.


Explique-me, senhor cardeal, não considera estar numa posição demasiadamente confortável, nada despojada materialmente, instalado que está no seio da mui luxuosa Igreja Católica (que não consta que passe dificuldades financeiras), para vir a terreiro falar do que a sociedade civil aguenta ou deixa de aguentar?


Não sei por que motivo se tornou moda que banqueiros, cardeais e outra figuras da nossa praça - que não sentem a austeridade em nenhum dos poros, pessoas para as quais esta não passa de mera conceito - se arroguem o direito de definir o que os outros podem ou não aguentar e até onde pode ir a austeridade infligida aos portugueses. "Santa" paciência.


Retirado do Expresso

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Segunda-feira, 18.02.13

Carta de um sargento do Exército a Passos Coelho

Carta



DE UM SARGENTO DO EXERCITO ... A PASSOS COELHO


Carta Registada com Aviso de Recepção
SENHOR PRIMEIRO MINISTRO

Sou prático e pretendo ser sucinto, como tal,
vou directo ao que me move.

Tomo esta iniciativa, imbuído de uma profunda tristeza e corrompido por uma revolta sem controlo que só a muito custo, tento dominar.

Tenho 59 anos, uma vida preenchida de sofrimento e vivências que me obrigam a denunciar a pouca vergonha que reina neste país.

Quero desde já dizer-lhe que o senhor não me desiludiu politicamente porque sou apolítico e apartidário.

Por isso, políticos, ou seja, malabaristas da política, chamo malabaristas para não chamar aldrabões da política e partidos políticos, não me desiludem.

A única vez que votei na minha vida foi na 1a candidatura do Exmo Senhor General Ramalho Eanes que foi meu CHEFE e com muito orgulho, é meu Superior Hierárquico e na História do 25 de Abril foi, em minha opinião, o único Comandante Supremo das Forças Armadas, por inerência de funções e por direito de posto e Conduta Ética.

Desde há largos anos a esta parte que vejo a minha PÁTRIA, por quem jurei fazer sacrifícios e dar a minha vida, como o fizeram o Senhor meu Pai, que verteu sangue por ELA, assim como vários Familiares e Amigos, culminando num primo que lhe ofereceu o melhor que tem um Ser Humano:- A VIDA.

E o que temos hoje?

Um país hipotecado, sem lei, sem justiça 
e paulatinamente alienado a preço irrisório.

Assiste-se a um festival de propagandas eleitorais, promovido por aldrabões e gente sem vergonha, sem decoro, sem ética e sem respeito pelo semelhante, principalmente pelos idosos e crianças.
Já não falo na Instituição Militar, que não me espanta estar queda e muda, pois os respectivos chefes perdem toda a legitimidade ao permitirem-se ser nomeados por uns quaisquer políticos, em vez de serem eleitos pelos seus subordinados, no seio da Família Castrense.

Assim, sou daqueles que por questão de Ética, 
se recusam a rever-se nestes chefes assim nomeados.

Respeito-os hierarquicamente, pois os Regulamentos assim me obrigam, e, nada mais.

De facto, a minha PÁTRIA, transformou-se neste país de vilãos e aldrabões políticos em que o senhor é um deles.

Quer desmentir-me?

Pode perfeitamente insistir nesse teatro mas tenho boa memória e sou inteligente.

Recordo-me de alguns debates políticos em que o senhor foi protagonista, e lembro-me de promessas que não só não cumpriu, como atraiçoou.

Lembro-me perfeitamente de ter chamado várias vezes, 
mentiroso, ao senhor Sócrates.

Por acaso, já fez um exame de consciência, se é que a tem!?!

Se o fez, pode facilmente perceber que o adjectivo que usou para definir o senhor Sócrates, é demasiado lisonjeiro para o catalogar a si.

Sabe? Na Ética Militar diz-se que “ a consciência é o nosso melhor juiz, enquanto não a assassinarmos”.

O senhor já assassinou a sua com a avalanche de mentiras com que tem presenteado o Povo Português.

Outra afirmação sua que retenho na memória é de que o senhor disse aos Portugueses, ser “o candidato mais africano”.
Penso que se referia ao facto de ter casado com uma Senhora Africana!?!

Pois bem, sou Transmontano de nascimento e Africano de crescimento.

Nasci com os géneses da coragem, da lealdade, da verdade, do respeito, da honra e da solidariedade.

Foram estes valores morais que aprimorei e interiorizei no meu crescimento Africano.

Posso absolutamente garantir-lhe que se o senhor dissesse na Guiné, metade das mentiras que tem dito neste país, já lhe tinham cortado o pescoço.

Na Guiné, tuga mintroso, cá tá lebsi ginte garande.
Na Guiné, tuga mintroso, cá tem falta di respito pa home e minher garande, nim minino qui cá tene maldade na coraçon.

Pois é meu caro senhor, se não souber traduzir as frases atrás escritas, peça à sua Excelentíssima Senhora Esposa que lhe faça esse favor, e desde já, se me permite, com todo o respeito lhe endereço “mantenhas” e tudo “nha respito” e “consideraçon”.

Já agora, aproveite a oportunidade para ler, estudar e meditar um pouco sobre a personalidade chamada Amílcar Cabral, para perceber o que é um HOMEM que nasceu para ser Líder, para libertar o seu POVO e não para o espezinhar e vender a uma qualquer Troika como o senhor e todos os políticos sem vergonha que o antecederam, fizeram e fazem.

Mas se o incomoda aprender com um Líder Africano, recorra à história do Senhor Sá Carneiro que de certeza está incomodadíssimo onde quer que Deus o guarde, por ver homens sem palavra a fazerem parte de um partido a quem deu credibilidade e o senhor, bem como outros como o senhor, denigrem e maculam.

Senhor Pedro Passos Coelho, saiba que tal como o senhor rasgou as páginas da Constituição que contêm os artigos que o obrigam a cumprir os seus deveres de pagamento dos salários, pensões e subsídios, também eu me recuso a cumprir os artigos dessa mesma Constituição que me possam obrigar a reconhecê-lo como meu 1o ministro.

Jurei cumprir e fazer cumprir uma Constituição que obriga os políticos, as F.A. e as Forças de Segurança, a serem o garante da defesa da Pátria e do seu Povo.

Não cumpro nem defendo, uma Constituição adulterada por si e por uma justiça que fecha os olhos a toda esta vilanice.

Muito teria para lhe dizer mas, prometi ser sucinto.

É muito mais demolidor o sentimento de raiva, de revolta de indignação, do que tudo o que escrevi.

Para que não fique com a ideia que me acobardo atrás de um qualquer anonimato, quero dizer-lhe que me chamo José António Neves Rodrigues e que sou com muito orgulho, ética e muita honra, Sargento do Exército Português e ao serviço de um POVO e de uma PÁTRIA que se chama PORTUGAL.

Lisboa, 11 de Fevereiro de 2013


retirado Facebook

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Sábado, 12.01.13

Propostas do FMI tiram abono de família a 280 mil portugueses

Propostas do FMI tiram abono de família a 280 mil portugueses

Estudo conhecido esta semana defende eliminação do actual 3.º escalão do abono, a que têm direito os agregados que recebem até 8800 euros por ano.

 

A medida geraria uma poupança estimada em 89 milhões de euros 


O Fundo Monetário Internacional (FMI) sugere que se reduza o número de pessoas que têm direito ao abono de família, eliminando o actual 3.º escalão deste apoio. Esta é uma das “opções” possíveis para melhorar a relação custo-eficácia das prestações sociais, com as quais (sem contar com pensões) Portugal já gasta menos do que a média da União Europeia (UE).

 

Actualmente, agregados familiares com rendimentos de 5869 a 8803 euros por ano ainda têm direito a abono de família. Se esta proposta avançar, deixam de ter. O que resultará, na contas do FMI, numa redução de 280 mil beneficiários, o equivalente a 20,5% do total no final de 2011, e numa poupança de 89 milhões de euros.

 

O FMI não esquece que já foram introduzidas mudanças no abono — que resultaram numa redução de 467 mil beneficiários só entre 2010 e 2011, de acordo com as estatísticas da Segurança Social. Mas os peritos entendem que, como o apoio ainda abrange agregados que ganham mais do que o salário mínimo, “pode justificar-se” reduzir mais a abrangência da medida.

 

O relatório lembra que o actual Governo não tem previsto até ao momento mudar os critérios de elegibilidade do abono, em parte por causa das baixas taxas de natalidade do país. Mas sustenta que está por provar que os apoios às famílias, em dinheiro, aumentem as taxas de fecundidade. “Têm pouco ou nenhum impacto.” Uma família do 3.º escalão recebe, por um filho, cerca de 26 euros por mês.

 

Os peritos também propõem que os estudantes universitários deixem de estar abrangidos. Argumentam que já beneficiam de um ensino superior “financiado pelo Governo”.

 

Outras prestações, para além das pensões, são passadas em revista, caso do subsídio de desemprego, rendimento social de inserção e subsídio por morte — se for eliminado, poupam-se 115 milhões. Propõem-se tectos máximos nos subsídios dados às famílias, nomeadamente quando recebem apoios de diferentes fontes, para evitar que deixem de procurar trabalho. E diz-se que o subsídio de desemprego português não é favorável aos mais jovens, beneficia os mais velhos, oferece montantes “relativamente elevados” e tem uma duração “bastante longa”, apesar das recentes mudanças que o encurtaram. Isto cria “um forte desincentivo ao regresso ao trabalho”.

 

Sugere-se, por isso, menos tempo de subsídio — se ao fim de dez meses no desemprego todos passassem a receber o subsídio social (entre 335 e 419 euros), a poupança seria de 300 milhões a 600 milhões de euros anuais. Parte do que se pouparia poderia usar-se para apoiar mais “desempregados jovens”.

 

Retirado do Público

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Sexta-feira, 11.01.13

Portugal é o segundo país europeu com mais Mercedes

Portugal é o segundo país europeu com mais Mercedes
A Mercedes-Benz conseguiu uma quota de mercado de 5,8% em Portugal, no ano passado, ficando muito acima dos 4,7% da média europeia. Só na Alemanha é que foram vendidos mais Mercedes (em percentagem do mercado) do que em Portugal.

No ano passado a alemã Mercedes-Benz vendeu 5.554 automóveis ligeiros de passageiros em Portugal, uma quebra de 20,8% face a 2008 – bastante melhor do que o mercado em geral, que caiu 37,9%, de 153 mil carros para pouco mais de 95 mil. No entanto, o equilíbrio da Mercedes esconde outra realidade menos conhecida. Do total de automóveis vendidos em 2012, 5,8% foram Mercedes, uma quota bastante acima dos 4,6% de 2011, e acima de quase todos os países da Europa. 

Só na Alemanha, casa-mãe da Mercedes-Benz, é que a quota de mercado da marca da estrela é maior do que em Portugal. A informação foi revelada esta sexta-feira, em Lisboa, pelo presidente da Mercedes-Benz em Portugal, Carsten Oder, numa conferência de imprensa de balanço do mercado automóvel e perspectivas para 2013. 

Também a Smart, outra marca do grupo Mercedes, tem resultados muito acima da média em Portugal. No ano passado foram vendidos no mercado luso 1.635 Smart, 1,7% do total do mercado automóvel. Essa quota é a maior do mundo em termos comparativos (três vezes superior à quota média europeia de 0,6%), e Portugal está mesmo no top 10 mundial de vendas absolutas. Ou seja, um mercado pequeno de um país pequeno registou mais Smart novos do que muitos países e mercados de dimensões maiores. 

Expectativas ambiciosas 

Apesar de cautelosa, a Mercedes tem a ambição de vender o mesmo número de carros neste novo ano. Como as pervisões são de queda das vendas, isso só pode significar uma quota ainda maior, «talvez 6,5%», indica Carsten Oder. Essa percentagem poderia colocar a Mercedes na posição 5º ou mesmo 4º do top de marcas mais vendidas, lugar que a concorrente directa BMW segurou em 2012, com 6.368 carros ligeiros vendidos e uma quota de 6,7%. 

A estratégia, segundo a marca, vai assentar principalmente em dois lançamentos: em Abril chega o CLA, o coupé de quatro portas que deriva do Classe A; e sensivelmente na mesma altura é colocada à venda a nova gama ‘executiva’ E (sedan, carrinha e cabrio). O último modelo a chegar, o novo Classe S, interessa mais pelo posicionamento de topo e como ‘montra’ de novas tecnologias. 

Marca lamenta ‘desistência dos eléctricos’ 

Carsten Oder afirmou na conferência de imprensa desta sexta-feira que o Governo deveria voltar a apostar, de alguma forma, nos carros eléctricos. «É uma pena que o Governo tenha deixado os apoios para os carros eléctricos», lamentou o responsável, lembrando que «sem qualquer tipo de apoio é impossível ter resultados neste segmento de futuro». 

O presidente da Mercedes em Portugal, cargo que ocupa desde 2008, acredita que a aposta nos carros eléctricos é mais importante para o sector e para o país do que um regresso do incentivo de abate de veículos, que muitas marcas e a associação automóvel ACAP, gostariam de voltar a ver disponível.

 

Noticia do Sol

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Quarta-feira, 12.12.12

Futebol, dívidas dos 3 grandes acima dos 400 Milhões de euros

Futebol, dívidas dos 3 grandes acima dos 400 Milhões de euros

Benfica tem a maior fatia, mas é o Sporting que tem a situação mais preocupante. Sociedade Anónima Desportiva (SAD) "leonina" tem custos salariais superiores às receitas. FC Porto tem em marcha um empréstimo obrigacionista.

 

Os principais clubes de futebol portugueses continuam com níveis de endividamento preocupantes. Apesar da crise económica, das dificuldades de acesso ao crédito bancário e das novas regras de controlo financeiro da UEFA, os dados da última temporada mostram que Benfica, Sporting e FC Porto devem aos bancos 411,9 milhões de euros (ME), mais 59,8 milhões do que no final de 2010-11.

 

O Benfica tinha a Sociedade Anónima Desportiva (SAD) mais endividada, tendo os compromissos com a banca subido de 157 milhões em 2010-11 para quase 200 milhões de euros (199,6ME) no fim da época passada. O Sporting também viu a sua dívida bancária aumentar de 95ME para 116,4ME. Consulte a infografia.

 

A excepção foi o FC Porto, cujos empréstimos bancários desceram de 98ME para 95,9ME – os "dragões", no entanto, lançaram um novo empréstimo obrigacionista (até 30ME) em Novembro.Estes números dizem respeito apenas às operações de futebol das três SAD –, não incluindo, por exemplo, as construções dos estádios – e foram recolhidos pelo PÚBLICO e por António Samagaio, professor do ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão), com base nos relatórios e contas anuais, enviados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

 

O dado mais assinalável é mesmo o aumento do endividamento em 17%, numa altura em que a conjuntura económica forçaria exactamente o contrário. Surpreendente? "Por um lado, sim. Porque era expectável que houvesse racionalização de investimentos", responde António Samagaio. Mas por outro lado, a banca está a ganhar com este negócio, porque as taxas de juros são elevadas.

 

O Benfica, por exemplo, contraiu um empréstimo de 20 milhões de euros ao Investec, a uma taxa de 10,35%", aponta este professor de Economia do ISEG, acrescentando outro exemplo: "A taxa média dos empréstimos bancários do FC Porto foi de 7,62%, quando em 2011 tinha sido de 6,78%."

Na época passada, a SAD do Benfica pagou 14 milhões de euros em juros, a do FC Porto despendeu 7,9 e a do Sporting 6,8

 

O Sporting paga taxas de juros entre 3% e 9,25% (esta do empréstimo obrigacionista).O nível de endividamento das SAD traduz-se em elevadas facturas com juros. Na época passada, a SAD do Benfica (a nível individual, sem contar com outras empresas do grupo) pagou 14 milhões de euros em juros, a do FC Porto despendeu 7,9 e a do Sporting 6,8. Realidade completamente diferente tem o Sporting de Braga, cujo passivo bancário era de 7,4 milhões no final da época e cuja maior parte já foi, entretanto, liquidada. Os encargos com juros da SAD minhota foram 573 mil euros durante 2011-12.

 

Sporting, a perder no casino


Se o Benfica tem a SAD mais endividada, é, por outro lado, a sociedade com resultados operacionais mais equilibrados. A nível consolidado (todas as empresas do grupo Benfica), obteve receitas operacionais recorde (91 milhões de euros) e a nível individual supera os 76 milhões, valores muito acima dos 49,7ME obtidos pela SAD do FC Porto e dos 40,8 da SAD do Sporting.

 

O Sp. Braga é claramente de outro campeonato, com proveitos de 13,2 milhões. A SAD benfiquista foi, aliás, a única que na temporada passada obteve proveitos operacionais (todas as receitas, menos transferências de jogadores) superiores às despesas operacionais (as despesas correntes, sem contar com juros, impostos e transferências), embora também tenha acumulado prejuízos, em grande medida por causa da pesada factura dos juros e também do investimento em contratações.

 

O fosso em relação ao FC Porto aumentou, uma vez que, no exercício anterior, a SAD portista tinha registado os 15 milhões de euros da transferência de André Villas-Boas para o Chelsea como proveito operacional.Globalmente, a situação mais preocupante é a do Sporting.

 

"Quem é adepto do Sporting devia estar muito preocupado, porque o clube está a caminhar para o abismo", resume António Samagaio, usando uma metáfora. "Faz lembrar um jogador que perdeu no casino e que agora está a apostar as fichas todas para, desesperadamente, tentar recuperar as perdas." Os três "grandes" terminaram a temporada de 2011-12 em situação de falência técnica (isto é, com um passivo superior ao activo), mas o Sporting é o único que se mantém ainda nessa situação, já que durante o primeiro trimestre de 2012-13 FC Porto e Benfica voltaram a ter capitais próprios positivos.

Na época passada, a SAD do Sporting teve receitas operacionais de 40,8 milhões de euros e gastou 42,5 milhões em salários

 

Este professor de Economia salienta que nos primeiros três meses desta época portistas e benfiquistas aproveitaram as transferências de Hulk e Witsel para "reduzir a dívida financeira", enquanto o Sporting continuou a "aumentar o endividamento a um ritmo preocupante". Mas esse não é o único dado alarmante em Alvalade, onde, aponta António Samagaio, "o principal activo da SAD é uma dívida a receber do próprio clube, que levanta dúvidas ao revisor de contas".

 

Na época passada, a SAD leonina gastou 42,5 milhões de euros em salários, quando os seus proveitos operacionais (todas as receitas, menos as transferências de jogadores) foram apenas 40,8 milhões. A UEFA recomenda que os clubes não gastem mais do que 70% das suas receitas em salários, algo que só é cumprido pelo Benfica (60,9%). O Sporting é o pior neste capítulo (104%) e o FC Porto gasta 93,4% das suas receitas operacionais em salários.

 

E até mesmo o Sp. Braga, que terminou a temporada com lucros (ao contrário dos três grandes), também gasta quase a totalidade dos proveitos operacionais (95,5%) no pagamento de ordenados a jogadores e treinadores. O Sporting seguiu uma "estratégia de risco", na opinião de António Samagaio, ao aproximar-se do nível salarial de FC Porto e Benfica.

 

Só que essa aposta não teve efeitos desportivos e nem sequer conseguiu qualificar-se para a Liga dos Campeões, actualmente uma importante fonte de receita para os clubes. E no primeiro trimestre da actual temporada, quase nada mudou.

 

O Sporting aumentou custos salariais de nove para 10,3ME, algo imitado pelo FC Porto, cuja factura em massa salarial passou de 9,1 para 11,8ME nos primeiros três meses da temporada. O Benfica foi a excepção, ao baixar de 12,8 para 11,3ME.

A austeridade ainda não é um vocábulo que tenha entrado definitivamente no léxico dos gestores destas SAD. Estão numa fuga para a frente
António Samagaio

Fuga para a frente


A conjuntura económica e o facto de, no início da próxima época, entrarem em vigor novas regras da UEFA (fair play financeiro) poderiam significar uma estratégia mais cautelosa dos principais emblemas portugueses. Mas, na verdade, isso não está a acontecer.

 

Segundo as contas de António Samagaio, os clubes continuam a investir fortemente na compra de jogadores. "A austeridade ainda não é um vocábulo que tenha entrado definitivamente no léxico dos gestores destas SAD. Estão numa fuga para a frente", critica. Nos últimos quatro anos, o FC Porto gastou 213,4 milhões de euros em contratações, o Benfica 175,8 e o Sporting 97,1.

 

E olhando apenas para a temporada passada (a primeira que contará para o fair play financeiro), não se notou ainda cautela. O FC Porto despendeu 64,3 milhões na compra de futebolistas, o Benfica 47,4 milhões e o Sporting 32,5 – em qualquer dos casos, montantes superiores aos obtidos com vendas de jogadores. Este é também mais um caso em que o Sp. Braga é a excepção, já que gastou 5,2ME em contratações, menos de metade do que recebeu pela venda de futebolistas.

 

É verdade que a venda de futebolistas é algo que faz parte do negócio dos clubes de futebol, mas, por outro lado, também é certo que as condições do mercado de transferências se estão a complicar. "Será que, em condições normais, o Benfica venderia o Javi García por 20ME ou o Sporting venderia o João Pereira por 3ME?", questiona António Samagaio, resumindo: "A necessidade de gerar mais-valias na venda dos jogadores contribui para que os compradores se aproveitem da debilidade dos clubes portugueses."

 

Nas últimas janelas de transferências, já foi visível uma redução da actividade dos grandes clubes europeus. As excepções foram o PSG (fruto de investimentos do Qatar) e os clubes russos. O que leva António Samagaio a questionar, por exemplo, a aposta do FC Porto em Danilo, contratado por mais de 17 milhões de euros (incluindo comissões a empresários). "Para gerar uma mais-valia tem de o vender por muito dinheiro. É um investimento de elevado risco", aponta.

O caminho terá de passar pela redução dos custos com massa salarial e pela redução do investimento na aquisição dos jogadores
Paulo Reis Mourão

As soluções


Os economistas há muito que vêm alertando para a insustentabilidade da actual gestão das SAD e consideram que algo vai ter de mudar, mais cedo ou mais tarde. "O Sporting começou este ciclo (capitais próprios insignificantes ou negativos) há cinco anos [...], mas, sinceramente, a sustentabilidade desta gestão (incluindo FC Porto e Benfica) não é suportável nos cenários macroeconómicos mais prováveis", defende Paulo Reis Mourão, professor de Economia na Universidade do Minho.

 

"Nos relatórios e contas, os administradores referem a necessidade de gerir os clubes na vertente desportiva e financeira. Isso é dito, mas o histórico de mais de uma década mostra-nos que na prática não é assim", acrescenta António Samagaio, contabilizando quase 438 milhões de prejuízos acumulados das três SAD dos grandes clubes: 222,9ME do Sporting, 129,3M do Benfica e 85,6ME do FC Porto.

 

O que fazer, então, para sair desta situação? "O caminho parece-me claro. Terá de passar pela redução dos custos com massa salarial e pela redução do investimento na aquisição dos jogadores", responde António Samagaio. Paulo Reis Mourão segue pelo mesmo caminho, referindo "o triângulo de ouro das finanças empresariais": "Reconhecer a necessidade de formatar os custos com pessoal em função dos resultados operacionais", "restringir os custos com endividamento" e "valorizar, substancialmente, os activos intangíveis", isto é, os futebolistas.

 

Samagaio chama, aliás, a atenção para a importância da aposta na formação de jovens futebolistas e também para o recrutamento no mercado nacional. "As pessoas esquecem-se de que o FC Porto foi campeão europeu em 2004, com jogadores que vinham da União de Leiria, Vitória de Setúbal e da própria formação do FC Porto", diz o professor do ISEG. "Por que não olham mais cá para dentro? O Pauleta nunca jogou na I Divisão portuguesa e o Jimmy Hasselbaink nunca esteve num "grande" português."

 

Como Paulo Reis Mourão já tinha referido numa recente entrevista ao PÚBLICO, António Samagaio também destaca a importância de os clubes ampliarem as suas receitas. E isso, "dada a dimensão reduzida do nosso mercado", passa por experimentar novos mercados, como "Angola ou os países árabes", sugere este professor do ISEG.

 

Noticia do Público

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Quarta-feira, 05.12.12

Isabel Jonet: um caso de subnutrição comunicacional

Acho louvável o trabalho desenvolvido pelo Banco alimentar e por Isabel Jonet. É notável o esforço de pessoas que dedicam parte da sua vida a ajudar quem precisa. Igualmente notável é a generosidade de quem responde ao apelo e, na medida das suas possibilidades, contribui para reduzir a velocidade a que esta chaga social tem alastrado. Não consigo conceber que alguém, podendo contribuir, consiga ignorar os sacos de plástico a abanar nas mãos dos voluntários, virando a cara ou inventando uma desculpa. Mesmo que a desculpa seja Isabel Jonet.

 

Não fui dos que acorreu a queimar na fogueira a senhora Jonet quando esta decidiu falar de bifes, copos de lavar os dentes, concertos de rock e radiografias. Achei o discurso algo apatetado mas, para ser sincero, não ouvi nada que pudesse justificar a verdadeira intifada que se iniciou contra a senhora. Tudo espremido, na minha modesta opinião, até tinha algum sumo de verdade. Acho mesmo que durante muito tempo nos habituámos todos enquanto país, a viver acima das nossas possibilidades.

 

Todavia, não posso concordar com a resposta que a senhora Jonet deu ontem ao jornal Correio da Manhã quando lhe foi pedida uma análise aos muitos "casos de crianças que chegam à escola com fome". Disse: " É inexplicável. Deve-se, em parte,  à não responsabilização e falta de tempo dos pais. Sem o pequeno almoço, os alunos não podem ter rendimento escolar (...)"

 

Pois, sem usar a cabeça também não vale a pena abrir a boca e responder seja ao que for. Normalmente corre mal. E quer-me parecer que, apesar das muitas virtudes da senhora Jonet, é um caso de subnutrição ao nível comunicacional. Concedo-lhe o facto de existirem, certamente, casos como os que aponta. Há gente para tudo. Mas generalizar, apontando a irresponsabilidade dos pais pela fome que os filhos sentem é, no mínimo, indecoroso.  Pais que 'não têm tempo' para alimentar os filhos dificilmente pode ser considerados pais. Progenitores, talvez.

 

O que sentirão os PAIS (aqueles que dariam a vida para que os filhos tivessem sempre o que comer) ao lerem uma coisa deste género? Será que a senhora Jonet não consegue levantar voo do 'poleiro' e ver a floresta? No meio de tantas toneladas de arroz, massa e enlatados, não consegue perceber que preside uma instituição que luta contra a fome precisamente porque a fome e miséria são uma triste realidade? Não andamos aqui todos a ajudar os donos dos hipermercados, certo? Há crianças com fome, ou não?

 

Segundo li, a recolha do Banco Alimentar foi um "sucesso extraordinário". Óptimo, fico feliz por ter corrido bem e espero que sempre assim seja (e sempre com o meu contributo, com ou sem declarações infelizes). Mas devo confessar que para mim "um sucesso extraordinário" seria, num país dito desenvolvido, não ser necessário a tantos portugueses dependerem da existência de uma recolha de alimentos para sobreviver.O êxito desta campanha é um sinal claro de fracasso da nossa sociedade. 


PS: E se o Estado entregasse ao Banco Alimentar a totalidade do valor do IVA cobrado sobre os produtos que compramos para ajudar nesta recolha, não seria interessante? De quantos milhões estariamos a falar? E se os proprietários dos hipermercados doassem ao Banco Alimentar parte dos lucros obtidos na venda destes produtos? Fica a sugestão.

 

Retirado de 100 Reféns

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Quarta-feira, 17.10.12

O afundamento da cultura Portuguesa

O afundamento da cultura Portuguesa


O que se está a passar na Cultura não é apenas uma situação de cortes orçamentais, que no descalabro financeiro do país seriam inevitáveis. O que ocorre é a destruição de um tecido que se foi construindo ao longo de 25 anos, o exemplo mais gritante sendo os cortes decididos ou sugeridos para fundações culturais

 

 

O relatório das Fundações é um exemplo maior de desnorte governativo que no tocante à Cultura virá a ter as mais graves consequências. São instituições fulcrais como Serralves, a Casa da Música ou a Culturgest que estão em risco.

As malfadadas PPPs, Parcerias Público-Privadas, constituem porventura o vector mais pernicioso na promiscuidade de interesses que deram origem ao descalabro financeiro do país, como ainda recentemente o evidenciou um relatório do Tribunal de Contas, que aliás obriga a um apuramento cabal e completo de responsabilidades. Das PPPs e dos malefícios ouvimos muito falar mas, ao arrepio de todo o(s) discurso(s) do PSD e do CDS enquanto oposição, continuamos à espera de uma efectiva política nesse item crucial das despesas do Estado - constituindo de resto uma espécie de "Estado paralelo" exponencial do sistema clientelista erigido ao longo de décadas pelos partidos do dito "arco governativo" -, enquanto o nível de vida dos cidadãos é brutalmente comprometido por subidas de impostos, de resto com consequências altamente paradoxais e gravosas ao nível das receitas, facto bem conhecido na teoria económica como "curva de Laffer", mas desconhecido na governação por powerpoint e folhas de excel, com contas erradas ainda por cima, dos "geniais" Vítor Gaspar e Carlos Moedas.

Acontece que há também uma consequência ideológica e semântica da gangrena das PPPs, a diabolização do próprio conceito de parceria público-privado, que no entanto nalguns sectores pode ser crucial e revelar-se da maior importância, decisiva mesma. É o caso da Cultura.

O sector desapareceu com este governo. Do titular, o secretário de Estado Francisco José Viegas, o que sabemos é que a sua editora está à espera que entregue um novo romance, facto revelador de todo o empenho que tem posto nas suas funções governativas, mas de resto nada original - era Viegas director da Casa Fernando Pessoa e, seguindo o seu interessante blogue, A Origem das Espécies, íamos estando a par das suas múltiplas e constantes viagens.

Acontece que o que se está a passar na Cultura não é apenas uma situação de cortes orçamentais, que no descalabro financeiro do país seriam sempre inevitáveis. O que ocorre é sim a destruição de um tecido que, mesmo que muito lentamente, se foi construindo ao longo de 25 anos, o exemplo mais gritante sendo agora os cortes decididos ou sugeridos para fundações culturais.

Dir-se-á que sempre que se fala na necessidade de cortes de despesa há um acordo geral no sentido de que devem ser feitos, mas depois um reflexo imediato, "desde que não seja no meu quintal". Se isso é um estado de espírito, aliás compreensível na desesperança geral, não é menos certo que há um total desconhecimento dos factos concretos nas folhas de excel, misturando realidades de todo diferentes. Um exemplo máximo dessa ignorância governativa é o tal relatório e recomendações sobre as fundações.

Conceitos como "interesse público" e "eficácia", estatutos público e privado, tudo isso foi confundido e feitas "contas" sem qualquer nexo - basta atentar a que a Fundação de maior projecção nacional e internacional, a Gulbenkian, apareceu classificada em 84º lugar (!), e que das "tabelas" constam entidades que não recebem fundos públicos, como as Fundações Paula Rego e do Oriente, ou que se recomenda por exemplo a extinção da do Côa, que nem existia ainda ao longo do período de "análise" abrangido.

O relatório das Fundações é um exemplo maior de desnorte governativo, que no tocante ao sector da cultura virá a ter as mais graves consequências, não só a nível financeiro imediato mas também porque mina as parcerias constituídas entre o Estado e mecenas privados ou a intervenção de entidades culturais de estatuto privado se bem que constituídas por empresas do universo público. São instituições tão fulcrais como Serralves, a Casa da Música ou a Culturgest que neste momento estão em risco.

O Relatório de Augusto Mateus sobre "O Sector Cultural e Criativo em Portugal", de Janeiro de 2010, concluía que o sector "originou, no ano de 2006, um valor acrescentado bruto (VAB) de 3.691 milhões de euros, empregando cerca de 127 mil pessoas. Isto é, foi responsável por 2,6% do emprego e por 2,8% da riqueza criada em Portugal, o que não pode deixar de se considerar significativo e relevante". E estes dados, reitere-se, são de ordem económica, autónomos portanto dos cruciais aspectos qualitativos da arte, da cultura e da criatividade numa comunidade politicamente organizada, como tal sendo também um direito, de resto expresso na Constituição da República Portuguesa.

Se o Relatório Mateus é um estudo de referência, não foi no entanto inédito. O primeiro estudo sobre "O Impacto das Actividades Culturais sobre a Economia Portuguesa" data, imagine-se, de 1988, tendo sido encomendado por Teresa Gouveia, secretário de Estado da Cultura num governo chefiado por Aníbal Cavaco Silva. Quais as conclusões desse relatório?

1) A medida do peso das actividades culturais na economia portuguesa, através da despesa das famílias em cultura, constituirá cerca de 3% do PIB;

2) Prevê-se que este peso seja crescente, admitindo-se que atinja, na actual década, 5%;

3) Admite-se que este peso seja mais acentuado que o crescimento da despesa total das famílias.

Quem foram os responsáveis por este estudo referido aos dados disponíveis em 1988? Pois bem, pasme-se, Vítor Gaspar e Luís Morais Sarmento, actuais ministro das Finanças e secretário de Estado do Orçamento!

Para o caso de não nos esquecermos de todo que ele existe, de vez em quando, embora só até há uns meses atrás, o senhor SEC dá um ar da sua "graça". Assim, referindo-se a essas duas instituições axiais do Porto, do país e do noroeste peninsular, que são Serralves e a Casa da Música, resolveu dizer que o apoio do Estado se manteria na medida em que houvesse também maior empenho privado e local.

Este tipo de considerações é desde logo uma afronta: porque só existem declarações dessas para instituições do Porto e do Norte, quando o Estado nunca fez alguma coisa para, por exemplo, haver estatutariamente capital mecenático na Fundação do Centro Cultural de Belém em Lisboa?

Mas mais: o modelo de parceria público-privada adoptado para a Fundação de Serralves - e depois retomado para a Casa da Música - sendo primeiro-ministro Cavaco Silva e secretária de Estado Teresa Gouveia, revelou-se particularmente frutífero, como não tenho deixado de defender ao longo de anos. Mais ainda: segundo afirmou recentemente o administrador-executivo da Casa da Música, Nuno Azevedo, "em 2011, cada euro que o Estado meteu na CdM transformou-se em quase três". A garantia do empenho do Estado é absolutamente crucial para conseguir também captar capital privado e mecenático. E quando o Estado, depois dos dolorosos cortes já efectuados em 2011 e 2012, anuncia um desinvestimento previsível da ordem dos 30 por cento é evidente que não serão os privados a compensar, como se a crise lhes fosse alheia.

De romance em romance, os que Francisco José Viegas vai escrevendo nas suas quase permanentes horas livres no cargo de secretário de Estado, vai ocorrendo o afundamento geral das estruturas culturais em Portugal. E Gaspar e Morais Sarmento, esses, já nem se lembram do que analisaram, ocupados com os powerpoints e as folhas de excel ainda por cima de cálculos errados.

 

Noticia do ipsilon

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Segunda-feira, 24.09.12

CGTP propõe alternativas para o Estado arrecadar seis mil milhões sem cortes

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Arménio Carlos chama "tríade" a Cavaco, Passos e Silva Peneda

 (Foto: Nuno Ferreira Santos)
A CGTP apresentou este sábado um pacote de medidas para o Estado arrecadar 5966 milhões de euros em receitas fiscais adicionais, em alternativa a cortes salariais ou medidas equivalentes, como a que o Governo chegou a propor para a Taxa Social Única (TSU).

Num documento prometido antes de o Governo dar sinais de recuo na questão da TSU, a Intersindical detalha quatro medidas, todas elas destinadas a aumentar as receitas fiscais “por via da taxação do capital”.

Ao todo, a CGTP diz ser possível obter perto de seis mil milhões de euros com a criação de um novo imposto sobre as transacções financeiras, com a introdução de mais um escalão no IRC (para as empresas com grande volume de negócios), com a aplicação de uma sobretaxa de 10% sobre os dividendos (lucros) distribuídos aos “grandes accionistas” de empresas e ainda com medidas de combate à fraude e à evasão fiscais.

O Governo tem pela frente a tarefa de encontrar, até à apresentação do Orçamento do Estado para 2013 (a 15 de Outubro), medidas que compensem o modelo abandonado pelo Executivo e com o qual contava ajudar a cumprir o objectivo do défice de 4,5% do PIB em 2013.

No rescaldo do Conselho de Estado, uma proposta concreta deverá já ser apresentada pelo primeiro-ministro na reunião com os parceiros sociais na segunda-feira.

No Conselho Permanente da Concertação Social, vão ser abordadas alternativas ao modelo inicial da TSU (uma descida das contribuições das empresas de 23,75% para 18% e um aumento dos descontos dos trabalhadores de 11% para 18%).

O semanário Expresso avança hoje que o Governo estuda aplicar uma sobretaxa equivalente a meio subsídio de Natal e avançar com uma descida na TSU, mas só para as empresas “que garantam a criação líquida de emprego” (com um saldo positivo entre saídas e entradas de trabalhadores).

Para o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, aquilo que Pedro Passos Coelho pode colocar em cima da mesa da Concertação Social não passa de uma solução apadrinhada por uma “tríade” – o Governo, o Presidente da República e o presidente do Conselho Económico e Social, José da Silva Peneda –, cita a Lusa.

Dois mil milhões com taxa sobre as transacções

As quatro alternativas que a CGTP propõe, diz a central no documento, aumentariam as receitas fiscais, “de modo a conciliar a redução do défice e da dívida pública com o crescimento económico e com a justiça social”. E rejeitando “quaisquer cortes salariais, seja por via do aumento da Taxa Social Única (TSU) para os trabalhadores, seja por quaisquer outras medidas que incidam sobre os rendimentos do trabalho ou visem penalizar ainda mais as pensões e reformas”.

A que maior receita daria é a criação de uma taxa de 0,25% sobre as transacções financeiras. A CGTP fez as contas àquilo que o Estado arrecadaria com este novo imposto: com base nas transacções registadas pela CMVM em 2011 (nomeadamente transacções de acções ou transacções de dívida privada e pública), a Intersindical diz ser possível ir buscar uma receita de 2038 milhões de euros.

A este montante somam-se 1665 milhões de euros se fosse criada uma sobretaxa de 10% a aplicar sobre os dividendos distribuídos ao um “pequeno número de grandes accionistas que beneficiam de isenções e recorrem a off-shores ou países com taxas reduzidas”. A medida, diz a CGTP, incidiria “sobre os grandes accionistas” e seria aplicada de forma a os accionistas “que auferem dividendos mais baixos” não serem afectados.

Se fosse criado mais um escalão de 33,33% no IRC para as empresas “com volume de negócios superior a 12,5 milhões de euros” – e com progressividade no imposto –, a Intersindical liderada por Arménio Carlos calcula em 1099 milhões de euros a receita adicional para o Estado.

O último conjunto de medidas tem a ver com a “fixação de metas anuais” para reduzir a economia paralela para 22% e combater a fraude e a evasão fiscais, aumentando o número de inspectores e serviços técnicos de inspecção fiscal. Uma das ideias é alargar a base tributária da economia que passa a ser registada. Com isto, a CGTP aponta para uma receita extraordinária de 1162 milhões de euros.

 

Noticia do Público

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Quarta-feira, 12.09.12

IRS VAI AUMENTAR EM 2013 PARA ESCALÕES INTERMÉDIOS

IRS vai aumentar em 2013 para escalões intermédios

O ministro das finanças confirmou esta terça-feira, em conferência de imprensa, que o Governo vai «reduzir significativamente o número de escalões de IRS» no Orçamento do Estado para 2013. Uma alteração que levará a um aumento do imposto a pagar para muitas famílias.

Vítor Gaspar adiantou que vai manter-se o escalão máximo, de 46,5%, para os rendimentos mais elevados, a que acresce a taxa de solidariedade. E vão também ficar salvaguardados os limites mínimos atuais que garantem a isenção de impostos, de forma a proteger «2,6 milhões de famílias com menores recursos».

Questionado pelos jornalistas se esta redução do número de escalões implicará um aumento do imposto a pagar pelos contribuintes, o ministro admitiu que essa redução «estará associado a aumento taxas medias efetivas de imposto». Ou seja, os portugueses vão pagar mais IRS, nos escalões intermédios, o Governo só não explica quanto. 

Taxa máxima mantém-se, isenções para rendimentos mais baixos tambémOs detalhes técnicos, acrescentou o secretário de Estado dos assuntos fiscais, estarão disponíveis aquando da apresentação da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2013.

Vítor Gaspar esclareceu, também, que vai aumentar IMI, imposto de selo e taxas liberatórias, ao passo que o IVA ficará inalterado.

 

Retirado do Push

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