Terça-feira, 11.02.14

Morreu actriz norte-americana Shirley Temple

Morreu actriz norte-americana Shirley Temple

A actriz norte-americana Shirley Temple morreu na segunda-feira aos 85 anos, em Woodside, Califórnia, revelou hoje a família. Em comunicado, citado pela BBC, a família explica que a actriz morreu de causas naturais.

 

Nascida a 23 de Abril de 1928, em Santa Mónica (Califórnia), Shirley Jane Temple começou muito cedo na representação, aos três anos, e rapidamente se tornou numa estrela do cinema norte-americano nos anos da Grande Depressão nos Estados Unidos, com um ar doce e caracóis dourados em filmes como "Bright Eyes" (1934) e "A princesinha" (1939).

 

Trabalhou com John Ford, John Wayne, Henry Fonda, Cary Grant e Ginger Rogers, entre outros, e o sucesso em Hollywood extravasou o grande ecrã, com a sua imagem a ser reproduzida em dezenas de produtos comerciais, como acessórios, canecas e bonecas.

 

Em 1935, quando Shirley Temple tinha sete anos, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas atribuiu-lhe um Óscar em reconhecimento pelo contributo para o mundo do entretenimento.

 

Nos anos 1950 e 1960 - já depois de ter feito mais de 40 longas-metragens e de ter abdicado do cinema - protagonizou alguns programas televisivos, nomeadamente "Shirley Temple's Storybook" e "Shirley Temple Show", ao mesmo tempo que tentava uma carreira política, candidatando-se ao Congresso norte-americano pelo Partido Republicano.

 

Apesar de não ter conseguido ser eleita, Shirley Temple manteve-se ligada à política e à diplomacia nas décadas seguintes.

 

A convite do presidente Richard Nixon, trabalhou na Organização das Nações Unidas e foi embaixadora no Gana, com o presidente Gerald Ford foi chefe de protocolo e, entre 1989 e 1992, foi embaixadora na antiga Checoslováquia, a convite de George Bush.

 

Depois de um primeiro casamento, aos 17 anos, que durou cinco anos, Shirley Temple voltou a casar em 1950 e teve dois filhos.

 

Em 1972, a actriz teve cancro da mama e tornou-se numa das primeiras figuras públicas a falar abertamente da doença.

 

Em 1988 publicou uma autobiografia, "Child Star", e, segundo a página oficial da actriz na Internet, estaria actualmente a preparar um novo volume biográfico.

 

Retirado do Sol

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Quinta-feira, 30.01.14

Praxes "Nós pagamos o passaporte para a morte dos nossos filhos"

Nós pagamos o passaporte para a morte dos nossos filhos

Há 12 anos, Maria Macedo passava por uma dor semelhante àquela que os pais dos seis estudantes que morreram na praia do Meco estarão a sentir. O seu filho, Diogo, de 22 anos, perdeu a vida depois de uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão. Ao Diário de Notícias esta mãe, que continua de luto, diz não ter ainda desistido de encontrar os culpados para tão trágico desfecho.

“É um reviver de um filme que passa todos os dias pela minha cabeça”. Assim descreve Maria Macedo, em entrevista ao Diário de Notícias, a forma como tem acompanhado a tragédia do Meco. Afinal, há 12 anos passava sensivelmente pela mesma devastadora experiência dos pais dos seis alunos que morreram no passado mês de dezembro. O seu filho Diogo, de 22 anos, perdeu a vida após uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão.

Naquele dia de outubro, de 2001, Diogo até já estava de pijama, em casa, quando recebeu um telefonema que lhe traçaria o destino. Acabou por sair. “Só vou à tuna resolver a minha vida”, justificou, então, aos pais. Estas viriam a ser as últimas palavras que lhes haveria de dirigir.

 

Maria Macedo conta ao Diário de Notícias que também naquela altura se ergueu um muro de silêncio sobre o sucedido.

 

Aos pais dos estudantes que morreram no Meco, que considera ser ainda muito cedo para terem acordado face à realidade que os circunda e circundará daqui para a frente, esta mãe deixa o conselho: “Lutem para que se faça justiça. Responsabilizem a faculdade”. Porém, reconhece, “não será fácil. Até porque vê-se que a faculdade está a cozinhar com os alunos. O mesmo que me fizeram a mim. Exatamente igual”.

 

E, desabafa: “Nós, pais, pagámos o passaporte para a morte dos nossos filhos. Nós andamos anos a pagar o passaporte para a morte dos nossos filhos. Eles [instituições de ensino superior] só veem números, não veem a parte humana”.

 

Para Maria, que assegura, nunca desistirá de descobrir a verdade, não há duvidas. As praxes são “um crime público”, havendo, contudo, “uma falta de vontade política para resolver isto. Porque há muitos interesses”.

 

retirado de Notícias Ao Minuto

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Terça-feira, 28.01.14

RIP Pete Seeger

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Domingo, 01.12.13

Paul Walker (1973-2013): morreu o polícia de Velocidade Furiosa

Paul Walker

 

O actor americano Paul Walker, um dos heróis da popular série de filmesVelocidade Furiosa, morreu na noite de sábado num acidente de automóvel em Los Angeles, aos 40 anos de idade.

 

Antigo actor-criança em anúncios e séries de televisão, Walker passou grande parte da década de 1990 em papéis secundários em filmes de série B destinados ao mercado adolescente, antes de atingir o jackpot ao contracenar com Vin Diesel em Velocidade Furiosa (2001), ambientado no meio das corridas de automóveis “kitados” do submundo de Los Angeles e onde interpretava um polícia infiltrado. Walker fez parte do elenco de cinco dos seis filmes da série e encontrava-se agora a rodar o sétimo, que tinha estreia marcada para Julho próximo.

 

Apesar do sucesso obtido por Velocidade Furiosa, ou talvez devido a ele, o actor nunca escapou aos filmes de acção de série B, como Não Brinques com Estranhos de John Dahl (2001), Resgate no Tempo de Richard Donner (2003), Profundo Azul de John Stockwell (2004) ou Medo de Morte de Wayne Kramer (2006). Entre os seus raros papéis “fora do género” contam-se As Bandeiras dos Nossos Pais de Clint Eastwood (2006) e um dos dois filmes que tinha completados à espera de estreia, Hours de Eric Heisserer, onde interpreta um pai que tenta salvar a filha em Nova Orleães durante o furacão Katrina.

 

Conhecido pelo seu gosto da adrenalina, tendo competido em corridas automobilísticas e recusado duplos para várias cenas de acção de Velocidade Furiosa, Walker era proprietário de vários carros de alta cilindrada e de uma garagem especializada, cujo director, Roger Rodas, morreu igualmente no acidente de sábado. O actor era formado em biologia marinha e participou numa expedição filmada da National Geographic Society para estudar os tubarões brancos, e era o impulsionador de uma fundação para ajudar vítimas de catástrofes naturais.

 

Foi à saída de um evento de recolha de fundos para as vítimas do tufão Haiyan, que afectou recentemente as Filipinas, que Walker e Rodas morreram. O automóvel onde viajavam, conduzido por Rodas, ter-se-á despistado a alta velocidade e chocado contra um poste de iluminação. O actor deixa uma filha de 15 anos.

 

Jorge Mourinha

 

Retirado do Público

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Sexta-feira, 01.11.13

Transformismo portugues ficou mais pobre com a morte de Sylvie Kass

Transformismo portugues ficou mais pobre com a morte de Sylvie Kass


Transformismo portugues ficou mais pobre com a morte de Sylvie Kass

Um dos maiores transformistas portugueses, Sylvie Kass, morreu no passado dia 30 de Outubro, em Lisboa.


Pedro Miguel Santos tinha 42 anos ou Sylvie Kass de seu nome artístico era um dos mais consagrados transformistas portugueses.

 

Ao que o Jornal Hardmusica conseguiu apurar junto de fontes próximas da família, Pedro Miguel Santos, foi sujeito na passada sexta-feira (25 de Outubro) a uma cirurgia à coluna, tendo regressado a casa no mesmo dia. Na segunda-feira (29 de Outubro) "dirigiu-se ao hospital para refazer o penso e tudo continuava bem".


Entretanto ontem (30 de Outubro) de manhã "o pai foi com a mãe a uma consulta, o Miguel ficou em casa e tudo indicava que estava bem, todavia quando os pais regressaram encontraram o Miguel caído no quarto". Logo accionaram o "socorro médico que já nada conseguiu fazer para reanimá-lo".


As suas interpretações de Shirley Bassey valeram-lhe o reconhecimento da própria, que em vídeo lhe enviou uma mensagem de agradecimento.

O artista actuou nas mais prestigiadas casas de transformismo nacionais, de norte a sul do país. Actualmente estava em cena aos fins de semana na discoteca Margem Sul, Costa de Caparica.

 

Muitos dos seus colegas já vieram publicamente demonstrar o pesar pela sua morte, assim como o proprietário da discoteca Margem Sul.

 

Sylie Varoni, que o conhecia há mais de 15 anos disse "triste... Impossível exprimir o que sinto 


Guardarei para sempre os momentos que privei com a pessoa e artista, que sempre admirei
!"; Guida Scarlatty, um dos amigos de há mais de 20 anos, referiu "vou ter saudades de te ver, de aplaudir o teu trabalho super profissional! Paz e muita Luz!"; Alexya Morgana, que trabalhou alguns anos com o Miguel desejou que ele "descanse em paz"; Um dos seus companheiros de início de carreira, Cláudia Ness disse " meu querido amigo e irmão, partiste muito cedo e ficamos com a tua ausência física, mas ficarás sempre nos nossos corações. Lembrar-nos-emos sempre de ti nos camarins dos momentos bons e das gargalhadas que dávamos juntos. Ficarás para sempre no palco; nas coreografias, em que nos olhavas de lado para não nos enganarmos nos passos; é um prazer ter-te conhecido e ter trabalhado ao teu lado ao longo deste anos todos". Um dos DJ que a acompanhou nos seus espectáculos, Mário Varela referiu "estarás sempre no nosso coração como dos melhores transformistas de Portugal... saudades muitas. Sempre mano Varella". Por fim um dos seus "puplilos" e grande amigo, Luna "as lágrimas brotam dos olhos como pura nascente e escorrem pela cara abaixo mesmo querendo que elas cessem... Estou completamente devastado e ao mesmo tempo atónito.... Levei tamanha paulada na cabeça que chego a pedir por favor a todas a forças do universo que me levem... Quero saber reagir mas não consigo. Hoje perdi mais um grande bocado da minha «família». Ficarão registados todos, sim, todos os momentos bons e maus...pois é assim que te recordo, com defeitos e qualidades, ou seja, como um ser Humano. Até sempre meu querido...".


No que se refere às cerimónias fúnebres, "ainda não se sabe quando será, até porque é necessário aguardar que o hospital dê permissão para que os pais possam ir buscar o seu filho", adiantou a mesma fonte. 


"O facto de o Miguel ter sido operado há tão pouco tempo fez com que fosse accionado um processo de averiguação e essas coisas demoram, sempre, algum tempo", justificou.


O Jornal Hardmusica soube que o pais de Pedro Miguel Santos "querem que todos os amigos entendam que pretendem que o funeral do filho seja um momento restrito, única e exclusivamente, à família (pai, mãe, irmã e sobrinho)".


A fonte próxima da família referiu também "é a última vontade deles em relação ao filho, terem-no só para eles durante esse último momento, e querem muito que os amigos respeitem isso". 


Foi lançado um repto por uma amiga do artista, para que todos os artistas do transformismo, e não só, se juntasse numa das casas onde ele actou, para lhe fazerem um espectáculo de homenagem.


Retirado do HardMúsica

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Segunda-feira, 23.09.13

António Ramos Rosa (1924-2013), uma vida dedicada à poesia

António Ramos Rosa (1924-2013), uma vida dedicada à poesia

Autor de uma das obras poéticas mais extensas e marcantes da poesia portuguesa contemporânea, António Ramos Rosa morreu esta segunda-feira aos 88 anos.

 

Morreu esta segunda-feira em Lisboa, aos 88 anos, o poeta e ensaísta António Ramos Rosa, um dos nomes cimeiros da literatura portuguesa contemporânea, autor de quase uma centena de títulos, de O Grito Claro (1958), a sua célebre obra de estreia, até Em Torno do Imponderável, um belo livro de poemas breves publicado em 2012. Exemplo de uma entrega radical à escrita, como talvez não haja outro na poesia portuguesa contemporânea, Ramos Rosa morreu por volta das 13h30 desta segunda-feira, em consequência de uma infecção respiratória, em Lisboa, no Hospital Egas Moniz.

 

Além da sua vastíssima obra poética, escreveu livros de ensaios que marcaram sucessivas gerações de leitores de poesia, como Poesia, Liberdade Livre (1962) ou A Poesia Moderna e a Interrogação do Real (1979), traduziu muitos poetas e prosadores estrangeiros, sobretudo de língua francesa, e organizou uma importante antologia de poetas portugueses contemporâneos (a quarta e última série das Líricas Portuguesas). Era ainda um dotado desenhador.

 

Prémio Pessoa em 1988, António Ramos Rosa, natural de Faro, recebeu ainda quase todos os mais relevantes prémios literários portugueses e vários prémios internacionais, quer como poeta, quer como tradutor.

 

Já muito fragilizado, o poeta, que estava hospitalizado desde quinta-feira, teve ainda forças para escrever esta manhã os nomes da sua mulher, a escritora Agripina Costa Marques, e da sua filha, Maria Filipe. E depois de Maria Filipe lhe ter sussurrado ao ouvido aquele que se tornou porventura o verso mais emblemático da sua obra — “Estou vivo e escrevo sol” —, o poeta, conta a filha, escreveu-o uma última vez, numa folha de papel. 

Para Pedro Mexia, poeta e crítico, Ramos Rosa mostrou, nomeadamente através das revistas que dirigiu e da primeira fase da sua obra poética, “que era necessário superar a dicotomia fácil entre a poesia ‘social’ e a poesia ‘pura’, e que o trabalho sobre a linguagem não impedia o empenhamento cívico”. Como ensaísta, continua Mexia, Ramos Rosa esteve atento ao panorama europeu e mundial, de René Char a Roberto Juarroz, e aos autores portugueses das últimas décadas, incluindo os novos: “Descobri muitos poetas através de obras como Poesia, Liberdade Livre ou Incisões Oblíquas".

 

Autor "muitíssimo prolífico", "nunca se afastou do seu caminho pessoal, mesmo quando a abundância e a insistência numa 'poesia sobre a poesia' fizeram com que nos esquecêssemos da sua importância decisiva."

Uma unidade muito grande


O escritor e crítico Fernando Pinto do Amaral prefere eleger como "verdadeiramente singular" em Ramos Rosa “a atmosfera muito espacial que a sua poesia, ou melhor, os seus ciclos de poemas, são capazes de criar”. Atmosfera essa que resulta de uma “conjugação precisa de palavras”: “Isso vê-se muito bem em O Ciclo do Cavalo, de que gosto particularmente, e emGravitações, onde se sente que há como que uma força cósmica que atrai e repele as palavras e a própria natureza”.

 

A ideia de respiração é, aliás, muito importante na obra deste autor, continua Pinto do Amaral, admitindo que não é fácil explicar o que dela emana, em parte porque passou por várias fases, “muito distintas”. É numa delas, mais realista, “ligada ao quotidiano e às suas burocracias”, que se insere um dos seus poemas mais conhecidos, O Boi da Paciência. “Ele, que também foi um funcionário de escritório, mostra aqui como pode ser monótona a vida e como é preciso combater a monotonia”: “Mas o homenzinho diário recomeça / no seu giro de desencontros/ A fadiga substituiu-lhe o coração”, escreve.

 

“Tudo está em tudo na poesia de Ramos Rosa”, “como no movimento constante de inspirar e expirar”, resume o escritor, defendendo que se trata de um poeta que precisará sempre de antologias: “Um jovem leitor que queira iniciar-se na sua poesia vai sentir-se muito facilmente perdido. Ele escreveu muito, publicou muito. Fazer antologias suas não é, no entanto, tarefa fácil, porque há uma unidade muito grande em cada livro, o que torna difícil escolher um poema em detrimento de outro”.

Obra lírica imensa
Nascido em Faro em 1924 — faria 89 anos a 17 de Outubro —, António Ramos Rosa frequentou ali o liceu, mas, por razões de saúde, não terminaria os estudos secundários. Uma escassez de estudos formais que a sua avidez de leitor não tardou a compensar largamente.

 

Trabalhou algum tempo como empregado de escritório — experiência que inspirou o célebre Poema de Um Funcionário Cansado, incluído no seu livro de estreia —, ao mesmo tempo que dava explicações de português, inglês e francês e traduzia autores estrangeiros, primeiro para a Europa-América e depois para outras editoras.

 

Envolveu-se, logo após o final da segunda guerra, na oposição ao salazarismo, militando no MUD Juvenil e participando em manifestações. Nos anos 50 ajudou a fundar e coordenou várias revistas literárias, incluindo Árvore,Cassiopeia e Cadernos do Meio-Dia, nas quais colaborou com textos de crítica literária e poemas.

 

Embora publicasse poemas em revistas desde o início dos anos 50, o seu primeiro livro só saiu em 1958, aos 34 anos. Mas a partir desta estreia algo tardia, nunca mais deixará de editar poesia a um ritmo impressionante.

 

Se O Grito Claro é ainda aproximável do neo-realismo, mesmo que já com tonalidades muito peculiares, a escrita de Ramos Rosa não tarda a destacar-se quer deste movimento, quer das inevitáveis influências do surrealismo, enveredando pelo caminho de uma poesia mais elementar, deliberadamente ancorada, sobretudo nos livros iniciais, numa certa rarefacção vocabular. Uma característica que, a par da própria extensão da obra, terá ajudado a gerar o equívoco de que esta seria uma poesia monocórdica. Nada mais falso. Sem detrimento da sua consistência enquanto obra, e mesmo essa talvez mais resultante da fidelidade a um percurso do que propriamente da reincidência de tópicos obsessivos, a poesia de Ramos Rosa não só tem ciclos muito marcados como é variadíssima do ponto de vista formal e discursivo.

 

Bastante indiscutível é a importância de António Ramos Rosa, quer como poeta quer como crítico, para a evolução da poesia portuguesa (e do gosto dos respectivos leitores) ao longo dos anos 60 e no início da década seguinte. Na atenção à materialidade do texto, numa dimensão política que dispensava a explicitude do neo-realismo, no rigor construtivo, até numa certa contaminação filosófica, a poesia de Ramos Rosa tinha, nos anos 60, afinidades bastante óbvias com poetas como Carlos de Oliveira ou Gastão Cruz. No entanto, foi-se tornando nela cada vez mais insistente a procura de uma espécie de voz original que pudesse cantar o mundo ao mesmo tempo que o criava. E se durante algum tempo a sua poesia ainda inclui explicitamente, como um dos seus tópicos, o fracasso desse impossível retorno à origem, vai depois tornar-se, cada vez mais, um hino reconciliado e extasiado com a diversidade exultante do real, uma música que destaca a sensualidade das formas — de uma mulher, de uma planta, de um curso de água, do flanco de um cavalo, mas também das próprias palavras — ao mesmo tempo que ela própria contribui para erotizar o mundo.

Funeral na quarta-feira


Livros como O Ciclo do Cavalo (1975) ou Volante Verde (1986) costumam ser invocados, e com boas razões, como alguns dos momentos cimeiros desta imensa obra lírica. Mas há obras recentes que tiveram pouco eco crítico e são notáveis, como o criativo Nomes de Ninguém (1997), cujos poemas partem todos de nomes femininos inventados, ou As Palavras (2001), onde encontrámos um inesperado Ramos Rosa a ironizar com o modo como foi sendo lido.

Segundo informação da família, o corpo do poeta será velado terça-feira a partir das 18h30, na Capela do Rato, em Lisboa, estando prevista para as 21h30 uma celebração pelo padre e poeta José Tolentino Mendonça. O funeral parte na quarta-feira de manhã, pelas 10h30, para o Cemitério dos Prazeres, onde será sepultado no Jazigo dos Escritores. 


Retirado do Público

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Quinta-feira, 20.06.13

Morreu James Gandolfini, o Gangster dos olhos tristes

Morreu James Gandolfini, o “Tony Soprano”

James Gandolfini, em 2012 

O actor norte-americano James Gandolfini, que se destacou como protagonista da série Os Sopranos, morreu nesta quarta-feira, aos 51 anos.

A notícia foi confirmada pela cadeia de televisão HBO.

 

Segundo a BBC, Gandolfini terá sofrido um ataque cardíaco em Roma (Itália).

 

Depois do papel que lhe deu fama (um chefe da máfia em New Jersey) na sérieOs Sopranos (que acabou em 2007), Gandolfini participou em alguns filmes, como Zero Dark Thirty e a comédia The Incredible Burt Wonderstone.

 

Nos tempos mais recentes, o actor trabalhou numa nova série da HBOCriminal Justice.

 

Nascido em New Jersey, mas descendente de pais italianos, Gandolfini deixa dois filhos, uma menina nascida em Outubro e um rapaz, de um primeiro casamento.

 

Retirado do Público

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Terça-feira, 16.04.13

Martin abraçou o pai na linha da meta e morreu na explosão

Martin abraçou o pai na linha da meta e morreu na explosão

Quem foi correr a Maratona de Boston esperava que a meta fosse um lugar de conquista. Afinal, tornou-se num palco de perdas.

 

Chamava-se Martin, tinha oito anos e estava junto à meta da maratona de Boston à espera do pai. Tinha um prémio para o compensar do esforço. O pai chegou finalmente, ele abraçou-o e voltou para junto da mãe e da irmã. Segundos depois, foi apanhado na primeira explosão. Martin é uma das três vítimas mortais dos ataques desta segunda-feira. A mãe e a irmã ficaram gravemente feridas.

 

Não importa quanto tempo se demora a chegar, mas quando se corta a meta é sempre uma euforia. Tanto para quem corre como para quem fica a aplaudir. Seria esse o estado de espírito de Bill Richard quando chegou ao fim. O abraço do filho terá sido o único prémio que recebeu, até porque o relógio da maratona já marcava 4 horas, 9 minutos e 43 segundos. Os principais atletas profissionais tinham cortado a meta há hora e meia. Segundo o The New York Times, faltava um quarto dos cerca de 27 mil inscritos, sobretudo atletas amadores, com menos ritmo e que, por isso, demoraram mais a chegar ao fim.

 

Martin esperava o pai, ao lado da mãe e da irmã mais nova. Avançou para o abraçar e depois voltou para junto delas, enquanto o pai continuou a andar – parar é a pior coisa a fazer depois de correr 42 quilómetros. Foi então que a primeira bomba explodiu, eram 14h50 (hora local). Doze segundos depois, a segunda explosão. O menino morreu logo, a irmã perdeu uma perna, a mãe ficou ferida com gravidade e ambas continuam internadas.

 

E de repente, os aplausos e os gritos de incentivo deram lugar ao choro e aos gritos de horror. Havia sangue, vidros e pó por todo o lado. As tendas médicas instaladas na zona da meta para dar apoio aos corredores transformaram-se em autênticos hospitais de campanha. As imagens mostram pessoas ensanguentadas a serem levadas em braços, outras em cadeiras de rodas, pessoas a fugir e outras a ajudar os feridos com torniquetes improvisados.

 

Tapar os olhos


“Começaram a trazer as pessoas sem membros”, descreveu ao Daily Mail Tim Davey, um dos corredores que estava numa das tendas de apoio. A mulher, Lisa, tentou tapar os olhos aos filhos para que não vissem os feridos que iam chegando, com fracturas expostas, com os pés e as pernas amputados e com cortes no corpo. Um autêntico cenário de guerra.

 

Nickilynn Estologa, estudante de enfermagem que estava a fazer voluntariado numa das tendas, disse que viu várias crianças feridas e algumas pessoas mais velhas, na casa dos 60 anos. “Alguns estavam a sangrar da cabeça, tinham pedaços de vidro espetados na pele”, disse ao Daily Mail. “Uma pessoa tinha carne arrancada da perna, estava simplesmente pendurada”, contou, num desabafo.

 

O balanço oficial mais recente dá conta de três mortos – além de Martin, morreu uma mulher com cerca de 20 anos, segundo o Daily Mail, e não há informação sobre a terceira vítima. Um dos espectadores, Allan Panter, que aguardava a chegada da esposa, estava junto à mulher que morreu. “Vi pelo menos seis a sete pessoas no chão ao meu lado, protegeram-me da explosão. Uma senhora morreu, um homem perdeu ambas a pernas. (…) Não sei por que é que senhora morreu, não lhe encontrei qualquer ferimento no tórax”, conta Allan Panter à CNN.

 

Além das vítimas mortais há ainda 144 feridos, dos quais 17 em estado crítico. Algumas são corredores, que ainda tinham a t-shirt vestida, com o respectivo número de inscrição. Pelo menos dez pessoas foram amputadas. É o caso de dois irmãos que foram ver um amigo correr. Cada um deles perdeu uma perna, do joelho para baixo. Um tem 31 anos, o outro 33, segundo o Boston Globe. A mãe, Liz Norden, recebeu a notícia por telefone assim que chegou a casa depois das compras. Do outro lado, ouviu um dos filhos dizer “Mãe, estou muito ferido”. Estava na ambulância a caminho do hospital.

 

Segundo o Daily Mail, pelo menos oito feridos são crianças, incluindo um bebé de dois anos que estava na plateia a assistir à chegada dos corredores à meta. Ficou com ferimentos na cabeça. Uma menina de nove anos teve de ser operada à perna e um rapaz de 12 anos chegou ao hospital com uma fractura do fémur.

 

Os médicos não tiveram mãos a medir. A maior parte das vítimas apresentava ferimentos causados por objectos que normalmente se encontram em caixotes do lixo e na rua. “Pedras, pedaços de metal, latas de refrigerante”, descreveu um responsável das urgências do Brigham and Women’s Hospital, acrescentando que não encontrou nos ferimentos estilhaços de metal nem rolamentos. "Tudo o que vimos foi material comum que pode ter sido impulsionado pelo engenho explosivo", sublinhou, rematando: "Nunca vi nada como isto antes".

 

No entanto, em declarações à Reuters, uma fonte relacionada com a investigação explicou que os artefactos que explodiram eram compostos por pólvora e estavam cheios de rolamentos e estilhaços de metal, que teriam causado as amputações.

 

Retirado do Público

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Sexta-feira, 12.04.13

Google deixa utilizadores decidirem o que fazer com os dados após a morte

Google deixa utilizadores decidirem o que fazer com os dados após a morte

O sistema permite definir um período de tempo de inactividade, após o qual os dados podem ser apagados ou passados para pessoas escolhidas pelo utilizador.

 

O Google criou uma funcionalidade para que os utilizadores possam determinar o que acontece com os dados e o conteúdo que têm nos vários serviços da empresa quando morrerem ou quando, por outra razão, estiverem muito tempo sem aceder à conta.

 

sistema permite aos utilizadores definirem um período de tempo de inactividade nos serviços do Google – três, seis, nove ou 12 meses –, após o qual os dados podem ser apagados ou passados para pessoas escolhidas pelo utilizador. Em qualquer dos casos, é enviado um SMS para o número que o utilizador eventualmente tenha associado à conta do Google e um email para os endereços alternativos que tenha indicado.

 

A conta do Google permite aceder a um leque de serviços: o Gmail, a rede social Google+, a plataforma de blogues Blogger e o sistema de armazenamento e edição de ficheiros Google Drive. Outros serviços, como o motor de busca e o YouTube, podem ser acedidos sem uma conta, mas são personalizados caso o utilizador esteja registado.

 

Se tiverem sido designados herdeiros do espólio digital, estes não poderão usar o serviço como se fossem o utilizador, mas têm acesso a alguns conteúdos. A funcionalidade surge numa altura em que a comunicação à distância é quase só digital e, em muitos casos, não há cartas e outros elementos físicos que sejam recordações para amigos e família.

 

De fora do legado, porém, ficam os livros, música e outros conteúdos comprados na loja online do Google – nestas compras, explicou a empresa, o utilizador compra uma licença para ouvir a música ou para ler o livro, que não é transmissível.

 

Retirado do Público

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Segunda-feira, 08.04.13

Morreu Margaret Thatcher

Morreu Margaret Thatcher

A antiga primeira-ministra britânica mudou a face do Reino Unido. Morreu aos 87 anos, na sequência de um acidente vascular cerebral.

A antiga primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, morreu nesta segunda-feira, aos 87 anos, em resultado de um acidente vascular cerebral. A revista Time considerou-a uma das cem figuras mais influentes do século XX, e poucos britânicos discordarão da sua presença na selectiva lista, mesmo os mais atingidos pela cura de austeridade que a Dama de Ferro aplicou como remédio ao declínio económico do Reino Unido. Mulher de convicções fortes, impôs a sua “revolução conservadora” ao país, criando uma era a que emprestou o nome.

 

Margaret Thatcher foi a primeira (e única) primeira-ministra da velha Albion, quando a presença de mulheres no cargo era ainda um facto estranho – só não foi pioneira porque antes dela houve “gigantes” como Indira Ghandi e Golda Meir.

 

Num tempo em que a política era ainda integralmente masculina, Thatcher não dava especial importância ao facto de ser a primeira mulher em tais funções, mas citava Sófocles quando a questionavam sobre isso: “Quando uma mulher está em condições de igualdade com um homem, torna-se superior.” E os que a conheceram de perto lembram a importância que dava à aparência – “Sempre que entrava na casa de banho das mulheres, lá estava Margaret a passar um vestido a ferro”, contou à ITV uma antiga rival política.

 

Thatcher também nunca usou o facto de ser mulher para cativar eleitores. Foi uma “máquina de ganhar eleições”, mas nunca trocou votos por simpatia. “Suspeito que nenhum outro líder do nosso tempo será capaz de manifestar tanta vontade de resistir ao desejo de agradar”, escreveu o seu biógrafo Hugo Young. Foi assim quando os cortes que aplicou na despesa lançaram milhões no desemprego, quando assistiu sem ceder à morte de presos do IRA em greve de fome e, sobretudo, quando em 1984 venceu o longo braço de ferro com os mineiros em greve para, logo a seguir, limitar o poder dos sindicatos.

 

Quando abandonou o Governo, em 1990, tinha invertido o ciclo de declínio do Reino Unido (com um PIB que era, em 1979, 30% inferior ao da França) e o “homem doente da Europa” transformara-se numa economia liberal em crescimento. Um país próspero, mas também muito desigual – o caminho estava preparado para a chegada de Tony Blair, um primeiro-ministro radicalmente diferente no estilo, mas que abraçou o mercado livre que herdou dela.

 

Atraída pela política


Margaret Hilda Roberts nasceu em 1925, em Grantham. Os pais, Alfred e Beatrice, eram donos de uma mercearia na pequena cidade da costa leste de Inglaterra e a família vivia no apartamento no andar de cima da loja.

 

Dos seus primeiros anos, a ex-primeira-ministra recordava os fortes laços de entreajuda da congregação metodista a que os Roberts pertenciam, mas também o envolvimento político do pai, membro do conselho local. Um “bichinho” que passou à mais nova das duas filhas.

 

Aluna nas escolas públicas de Grantham, Margaret conseguiu uma bolsa de estudo para a Universidade de Oxford, onde em 1947 se licenciou em Química, tendo como professora Dorothy Hodgkin, galardoada em 1964 com prémio Nobel. Mas às moléculas e partículas, ela preferiu a política, envolvendo-se na associação de estudantes conservadores – porta que lhe permitiu conhecer alguns dos mais influentes políticos que então visitavam a universidade.

 

Antes de completar trinta anos, candidatou-se, em 1950 e 1951, a um lugar no Parlamento por Dartford, um bastião seguro dos trabalhistas. Perdeu, das duas vezes, mas tornou-se conhecida no país por ser a mais jovem candidata a deputada. Foi em Dartford que conheceu e se casou com Denis Thatcher, um empresário local, que se tornará pai dos seus filhos gémeos, Mark e Carol, e sua fiel sombra durante os anos do poder – em público ele tratava-a por “the boss”.  

 

Em 1959 é finalmente eleita deputada por Finchley, um círculo a norte de Londres que representará até 1992. Em Westminster depressa conquista visibilidade: é secretária de Estado no Governo de Harold Macmillan (1957-63), integra vários governos-sombra e quando Eduard Heath derrota os trabalhistas, em 1970, escolhe-a para ministra da Educação. O tempo era de grande agitação social e nas eleições seguintes os tories regressam à oposição, que ela passou a liderar em 1975, após desafiar a liderança de Heath e derrotar os restantes candidatos logo à primeira volta.

 

Nunca antes uma mulher ocupara tal lugar entre as democracias europeias, mas Thatcher levará o feito mais longe quando vence as legislativas de 1979, no rescaldo de um longo período de greves que ficaria conhecido como o Inverno do Descontentamento.

 

Revolução conservadora


Eleita com o slogan “o socialismo não funciona”, mal chega a Downing Street põe em marcha a sua “revolução conservadora”, que tinha como pilares a redução da despesa e do peso do Estado na economia, a privatização de indústrias e serviços, o controlo da inflação. Um tratamento de choque que acelera a recessão e aumenta o desemprego, mas Thatcher fortalece a sua base de apoio com o fomento do “capitalismo popular”, incentivando os britânicos a comprar as casas arrendadas em que viviam ou a adquirir acções das empresas privatizadas.

 

A recessão põe em risco a sua reeleição, mas então subitamente em Abril de 1982 a Argentina invade as Falklands, ilhas a que chama Malvinas e que reclama como suas. Sem hesitar, a primeira-ministra envia as forças para a zona e após sangrentos combates as tropas britânicas recuperam o controlo das ilhas, dando um inigualável trunfo a Thatcher, que, no ano seguinte, é reeleita por esmagadora maioria.

 

Uma vitória folgada que lhe permite radicalizar a sua agenda, fomentando em igual medida ódio e admiração. Em 1984 escapa, ilesa, a um atentado do IRA, em retaliação pela morte de Boby Sands e companheiros, mas o ataque só a torna mais intransigente com o terrorismo.

 

Na política externa, é aliada incondicional dos Estados Unidos e tem em Ronald Reagan o seu modelo. Os analistas dizem que os dois líderes, que chegaram ao poder com 18 meses de diferença, eram almas gémeas – ele garantia que ela era “o melhor homem de Inglaterra”; ela falava dele como o “segundo homem mais importante da minha vida”. Formaram uma aliança inquebrável contra uma ex-URSS em declínio (foram os soviéticos quem lhe colocou a alcunha que tanto lhe agradou), que só aceitou dialogar quando Mikhail Gorbachev assumiu o poder em Moscovo. 

 

Mais complicadas foram as suas relações com a Europa – “esse continente de onde só vieram problemas”, diria. Adepta do mercado único, opõe-se ferozmente às iniciativas de integração política, tornando-se a primeira dos eurocépticos.

 

Seria, ironicamente, a questão europeia a precipitar a sua queda, em 1990, três anos depois de ser reeleita pela segunda vez e quando estava no auge do poder. A construção europeia, tornada mais urgente pela queda do Muro de Berlim, divide os conservadores e leva o partido a questionar a liderança de Thatcher. A votação acontece quando a primeira-ministra está em Paris e de regresso a Londres percebe que todos a desertaram. Sem alternativas, demite-se.

 

Os doze anos seguintes passa-os em conferências pelo mundo, escrevendo livros, incluindo A Arte de Bem Governar (Quetzal, 2002), que deixaria como testamento político. Quase em simultâneo, a Dama de Ferro anuncia o abandono da vida pública, por conselho dos médicos, após ter sofrido pequenos derrames. A filha revelará depois que a mãe sofre de uma forma de demência – a sua prodigiosa memória trai-a, passado e presente confundem-se. Não desaparece dos olhares públicos – é membro vitalício da Câmara dos Lordes e irá lá em ocasiões solenes – mas a sua voz deixa de se ouvir. A morte do marido, em 2003, deixa-a mais sozinha.

 

Quando escreveu o último livro, o seu retrato acabava de ser mudado da sala dos contemporâneos para a dos históricos na National Portrait Gallery. Thatcher não mostrava ressentimento: “É justo, já se passaram onze anos desde que deixei o n.º 10. Como se diz, o mundo avançou, sob todos os aspectos.” Um mundo que ela ajudou a mudar.

 

Noticia do Público

publicado por olhar para o mundo às 21:09 | link do post | comentar

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