Sábado, 11.03.17

SALA JOSÉ AFONSO | WORKSHOP DE DANÇA - "DANÇA, SÓ PARA ELAS”

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12 de Março | Domingo | Sala José Afonso | 15h00-17h00

 

Workshop de Dança

 

"DANÇA, SÓ PARA ELAS”

 

Workshop de Dança de Salão e Broadway direccionado para a mulher.

 

Organização: Associação de Setúbal de Dança Desportiva | CMS

 

Entrada gratuita

 

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Terça-feira, 25.02.14

Figueira da Foz dedica mês de Março à mulher

Figueira da Foz dedica mês de Março à mulher
A edição de 2014 da iniciativa Jardins de Inverno, que decorrer de 8 a 22 de Março, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, vai contar com cinco concertos gratuitos.

"Será um mês todo dedicado à mulher", disse hoje aos jornalistas António Tavares, vereador com o pelouro da Cultura da Câmara daquela cidade, aludindo à comemoração do Dia Internacional da Mulher (8 de março), dia inaugural dos Jardins de Inverno, com um espectáculo da cantora Susana Félix.

 

O programa dos concertos - que terão lugar sempre às 23h00 no jardim interior do CAE - inclui música ligeira, jazz, pop, fado e música tradicional: a 14 de Março actua Cristina Loureiro, que possui em curso um projecto intitulado ‘Expect Love’, revisitando temas de jazz dos anos de 1920 a 1950, e a 15 de Março o palco é dos Fura Fura, um conjunto de música tradicional oriundo dos arredores da Figueira da Foz.

 

A 21 de Março actua a jovem fadista Mariana Oliveira, 16 anos, natural da Praia de Mira, acompanhada à guitarra portuguesa por Armindo Fernandes e André Teixeira (viola).

 

Os Jardins de Inverno encerram a 22 de Março com um concerto de Sérgio Dinis & Polaroid Band, agrupamento que relembra êxitos da música portuguesa e internacional das décadas de 60, 70 e 80 do século passado.

 

Retirado do Sol

publicado por olhar para o mundo às 12:15 | link do post | comentar
Segunda-feira, 20.01.14

As relações ioiô e o Poliamor

Poliamor

 

As relações ioiô

 

Para o psicólogo clínico e sexólogo Quintino Aires, a incapacidade de assumir o compromisso é um reflexo da falta de maturação que se verifica nos jovens adultos atuais. Um estudo recente, citado pelo especialista, revelou que «46% dos portugueses até aos 35 anos, ainda não amadureceu». E é também esta imaturidade, segundo o especialista, a causa principal dos relacionamentos ioiô, que ora terminam, ora recomeçam.

 

 

Ana, de 38 anos, manteve uma relação deste género durante sete anos, que terminou recentemente, mas agora, garante que «é mesmo definitivo». Ao longo dos últimos anos, perdeu a conta ao número de vezes que terminou esta relação. «Sempre foi uma relação muito complicada. Desde o início, que, no máximo, estávamos duas semanas, sem discussões. Depois, surgia sempre um conflito qualquer e decidíamos terminar», recorda.

 

 

O psicólogo Nuno Amado alerta que «nunca é um bom fator de previsão de qualidade de uma relação que as pessoas já se tenham separado e reconciliado várias vezes». Quintino Aires é mais radical e diz que os relacionamentos ioiô são mantidos por pessoas que não gostam verdadeiramente uma da outra.

 

 

«Reconciliam-se porque, quando estão separadas, sentem saudade, desejo e angústia por estarem sós, mas depois voltam a terminar, porque, na verdade, não se amam. Duas pessoas que não olham da mesma forma para o mundo e/ou que não toleram a opinião uma da outra não se amam», sublinha o especialista.

O poliamor

A derrubar totalmente a estrutura tradicional de um relacionamento amoroso aparece o poliamor, um tipo de relacionamento em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Quem é adepto do poliamor defende que «não se trata de infidelidade, nem de promiscuidade, mas sim de uma honestidade total, em que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com elas».

 

 

Maria e Bernardo, ambos na faixa dos 30 anos, estão casados há um ano e assumem, com naturalidade, que tanto um como outro estão livres para se envolverem com outras pessoas. Já tiveram algumas relações extraconjugais, desde que estão juntos, mas, não passaram de encontros sexuais e, até ao momento, nunca se apaixonaram. No entanto, não excluem essa hipótese.

 

 

Vir a gostar de outra pessoa não implica, para eles, o fim do sentimento que os une. «Acima de tudo, privilegiamos a comunicação. Sempre que aparece uma pessoa nova que nos desperta interesse, consultamo-nos um ao outro para definir a melhor estratégia a adotar», conta Bernardo. E é precisamente essa honestidade que sossega Maria.

 

 

«Um dia pode surgir uma pessoa por quem nos venhamos a interessar amorosamente, mas isso não tem de afetar o que sentimos um pelo outro», diz. Para os psicólogos entrevistados, este formato de relacionamento materializa a incapacidade de criar vínculos emocionais, decorrente da imaturidade psicológica. Na opinião de Quintino Aires, «quem cria um vínculo emocional com uma pessoa rejeita naturalmente o envolvimento com outras pessoas».

 

 

Nuno Amado não acredita na sustentabilidade deste modelo a longo prazo e acha que, mais cedo ou mais tarde, o casal acaba por desistir dele. No entanto, ressalva que, «há exceções», como faz questão de sublinhar.

 

Retirado do Sapo Mulher

publicado por olhar para o mundo às 23:30 | link do post | comentar
Sábado, 18.01.14

Emoções - As amizades coloridas

Amizade Colorida

 

As amizades coloridas

 

 

Luísa, com 42 anos, um dos nomes fictícios, criados para garantir o anonimato dos testemunhos, foi apresentada a Miguel, numa saída à noite com amigos. Ficaram amigos, mas com o tempo, perceberam que havia algo mais do que amizade. «Fomos ficando mais íntimos e, assim, as coisas aconteceram», recorda Luísa. E, apesar da distância física (Miguel trabalha noutro país), ainda se encontraram, durante seis meses.

 

«Hoje, mantemos apenas a relação de amizade. Com a idade, tornamo-nos mais exigentes. Acho que não vale a pena investir em relações que estão condenadas a não resultarem. Neste caso, tínhamos a distância que nos separava. E, além disso, neste momento, tenho um estilo de vida que me deixa livre para fazer o que quero e não me agrada a ideia de perder essa liberdade», confessa Luísa, que há um ano terminou um casamento de dez anos.

 

O psicólogo e investigador Nuno Amado confirma que «com o aumento do divórcio e o adiamento do casamento e/ ou da maternidade, existem mais pessoas que não querem precipitar-se em relações sérias». No entanto, alerta para o perigo deste tipo de relacionamentos.

 

«É sempre um terreno escorregadio porque há uma probabilidade forte de haver um desencontro de expectativas. Qualquer tentativa de separação da vida sexual da afetiva pode falhar», alerta o especialista, aconselhando que «a melhor forma de gerir as expectativas é através de uma conversa franca. Quanto mais fica por dizer, mais espaço fica para o desencontro», realça.

 

O sex buddy

 

As amizades coloridas estão na moda. Existe amizade, intimidade e exclui-se o compromisso. Mas há casos em que só há espaço para a intimidade física. Não são amigos, nem consideram ter algum tipo de relacionamento, encontram-se em busca do prazer físico e nada mais. São encontros pontuais que ocorrem cada vez mais.

 

«Porque além de haver mais pessoas fora de uma relação, quer pelo adiamento do casamento e maternidade, quer pelo aumento crescente do número de divórcios, há uma aceitação social de que o ato sexual não tem que acontecer entre membros de um casal», refere o psicólogo Nuno Amado. «São pessoas que não querem ter um relacionamento sério mas que têm desejo», acrescenta o especialista.

 

É o caso de Carolina, de 33 anos, que assume com clara descontração que nunca teve um relacionamento amoroso e ter um companheiro nunca fez parte dos seus ideais de vida. Ao longo destes anos, tem conhecido homens a quem chama de amantes, com quem foi tendo encontros, meramente sexuais. Alguns casos não passam de um encontro de uma noite, outros mantêm-se durante algumas semanas e, raramente, duram mais do que um mês.

 

«Sou uma mulher de paixões, não gosto da monotonia e da rotina das relações de longo prazo e, normalmente, canso-me dos homens, depois de dois ou três encontros. Talvez nunca tenha conhecido alguém que me despertasse sentimentalmente», desabafa.

 

Retirado do Sapo Mulher

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Sexta-feira, 17.01.14

Emoções - As (novas) relações amorosas

As (novas) relações amorosas

Estaremos mais exigentes e independentes ou, simplesmente, mais imaturos?

Os conceitos mudaram irreversivelmente. Nos relacionamentos modernos, procura-se viver o momento, sem fazer planos para o futuro e o casamento tradicional deixou de ser visto como o caminho certo para a felicidade.

 

O foco na qualidade das relações, o aumento díspar do número de divórcios, o adiamento do casamento e da maternidade marcam os dias que correm. 

 

E, aos olhos da psicologia, a falta de maturação psicológica que caracteriza a nova geração de adultos fizeram surgir, nas duas últimas décadas, novos formatos de relacionamento amoroso. São relações informais, onde não existe compromisso e a felicidade não passa pelo casamento tradicional, nem, em alguns casos, tão pouco, pela partilha do mesmo espaço e das mesmas rotinas. Surgem assim, com mais frequência, as chamadas amizades coloridas, os encontros sexuais esporádicos, mas também, as relações ioiô que vivem no drama constante da separação e da reconciliação.

 

A lista também abrange as relações poliamorosas que consideram ser possível amar várias pessoas ao mesmo tempo e ainda casais com relacionamentos sólidos mas que preferem manter o seu espaço e recusam-se a partilhar a mesma casa. Reunimos alguns casos reais e conversámos com os especialistas que nos ajudaram a descodificar estas novas relações e as suas verdadeiras motivações. Estaremos mais exigentes e independentes ou, simplesmente, mais imaturos?

 

Uma mudança cultural e psicossocial

 

Na última década, o número de divórcios por cada 100 casamentos duplicou, passando de cerca de 15 para mais de 30. «Em 2001, por cada dez casais que deram o nó, houve três que o desfizeram», aponta Sofia Aboim, investigadora, especialista em Sociologia da Família, no seu livro «Conjugalidades em Mudança» (Instituto de Ciências Sociais). A socióloga alerta também para as percentagens de casais a viverem juntos, antes do casamento, que quase duplicou, nestes dez anos.

 

Registos que constatam «o crescimento da informalidade na formação do casal», analisa a investigadora. Os psicólogos reconhecem esta mudança cultural e social e a sua influência na formação destas novas relações mas falam também do retardamento da maturação que faz adiar o compromisso ou, até mesmo, rejeitá-lo. «Hoje, tornamo-nos adultos muito mais tarde em vários aspetos psicológicos e um deles, muito importante, é a capacidade de assumir um compromisso», sublinha Quintino Aires.

 

«Se, há 40 anos, essa capacidade aparecia aos 20/25 anos, hoje vai aparecer aos 40/50 anos», refere o psicólogo clínico e sexólogo, acrescentando que «isso é visível noutras áreas». E exemplifica. «Também assisitimos a uma dificuldade das pessoas se comprometerem com um curso ou uma profissão», refere o especialista.

 

Retirado do Sapo Mulher

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Quarta-feira, 15.01.14

Lição de beleza da "mulher mais feia do mundo"

Lizzie Velasquez, a mulher coragem

Lizzie Velasquez, a mulher coragem

"O que vos define? O vosso passado? A vossa família? Os vossos amigos?". As palavras daquela que chegou a ser cruelmente apelidada de "mulher mais feia do mundo" correram as redes sociais na última semana e tornaram-se num exemplo de lição de vida. Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ouvir a história de Lizzie Velasquez, aqui fica um bocadinho sobre esta verdadeira mulher de coragem extraordinária.

 

A primeira vez que Lizzie se sentiu diferente foi no primeiro dia de escola. Os meninos tinham medo de brincar com ela porque era uma criança "diferente". Tantas vezes alvo de bullying no seu percurso esoclar, fez da resiliência uma das suas maiores respostas às agruras da vida. Principalmente quando em plena adolescência descobriu um vídeo no Youtube com fotos suas, onde era insultada de forma violenta e apelidada de "a mulher mais feia do mundo". A tristeza, raiva e zanga foram transformados em motor de arranque para uma coragem sem fim. E Lizzie é hoje uma jovem mulher de sucesso.

 

Enquanto mulheres dos quatro cantos do mundo desgastam a sua saúde em dietas loucas em prol da ditadura da beleza das estrelas de cinema e da moda, Lizzie luta precisamente para aumentar o seu peso. "Pouco se sabe sobre a minha síndrome. Há apenas mais duas pessoas no mundo com o mesmo problema e basicamente o que sei é que eu não consigo ganhar peso. Sim, soa tão bem quanto isto!", explicou com um sentido de humor, no mínimo, inspirador durante a sua participação na TEDx de Austin, nos Estados Unidos.

Tem apenas 29kg mas é um peso pesado enquanto fonte de inspiração


Lizzie nunca conseguiu passar dos 30kg, por mais que chegue a comer mais de 50 refeições por dia, sem limites para açúcares, gorduras e hidratos. Mede 1,57m, tem 24 anos e pesa actualmente 29kg. Com a doença perdeu a visão de um olho, mas o olhar positivo que tem para a vida, esse nada até agora lhe conseguiu tirar. Até porque, embora à nascença lhe tenham dado a sentença de um futuro em que andar ou falar seriam tarefas impossíveis, Lizzie terminou a faculdade em comunicação, já publicou livros e é atualmente oradora motivacional.

 

Estas histórias de esperança dão-me sempre que pensar. E o apelo de Lizzie para que cada pessoa se foque mais em si mesma e opte por gastar a sua energia de forma positiva, em vez de se afundar na raiva provocada por aquilo que os outros dizem de si, chega a ser tocante. Não me canso de repetir: a beleza não está só no aspecto exterior. Pode parecer uma frase batida ou um senso comum para inglês ver, mas a verdade é mesmo essa. Há beleza em todas as pessoas. Mais do que num rosto ao estilo de Hollywood, a beleza encontra-se em muitas outras coisas. Eu diria que começa na atitude com que cada um encara a vida.

 

Lembro-me de há muito tempo ter escrito aqui sobre uma mulher indiana cuja sensualidade me tinha marcado. Não porque tivesse um corpo escultural, mas porque um simples soltar de cabelo feito às escondidas da rígida sociedade em que vivia lhe conferia uma beleza e sensualidade extraordinárias. Alguns dos leitores do blogue disseram na altura que "uma gorda enrolada nuns trapos" não tinha nada de sexy e que até "um estrunfe" era mais sexy do que a doce Margana, que tanto me tinha tocado pela sua atitude. Comentários que, diria eu, estão ao mesmo nível dos miúdos que um dia decidiram achincalhar Lizzie em praça pública.

 

Esta frivolidade - vinda de adultos - quanto o tema é a beleza não deverá mudar assim tão cedo. Mas discursos como o de Lizzie Velasquez podem ajudar a quebrar o gelo. Já dizia Simone de Beauvoir: "A beleza ainda é mais difícil de contar do que a felicidade". Mas não podemos ser pequeninos quando a tentamos contar.


Assista à apresentação de Lizzie Velasquez:



Paula Cosme Pinto

Retirado do A Vida de Saltos Altos

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Sexta-feira, 10.01.14

Chega de Pantera! Vamos uivar!

Já muito se falou de Panteras. Eu vou falar de Lobos. Prefiro assim.

 

Diz-se que o Lobo é um animal solitário mas na verdade não é.

 

O Lobo vive integrado num grupo tendo várias fases da vida em que se recolhe, é daqui que vem a sua fama de animal solitário. Ele aprende desde cedo - e gradualmente - até onde pode ir, a dar passos seguros. Vai ganhando experiência nos passos através das brincadeiras e só quando está preparado, é chamado - pelos mais velhos - a integrar as caçadas.

 

Nestas, o lobo aprende quem domina e quem se submete, quem comanda e quem é comandado, quem remata e quem defende. Aprende o que é o respeito. Aprende a técnica, a táctica e a estratégia.

 

Os mais velhos mostram-lhes como é. Os mais velhos e mais maduros, que já desbravaram todo o território por onde as crias brincam, debaixo dos seus olhos atentos, sabem quais são os perigos e os predadores. Pois, porque um predador também tem predadores. Mas o verdadeiro predador não fica agarrado à sua certeza nem à sua sabedoria. Ele desafia e desafia-se mantendo-se sempre atento ao que poderá ser uma oportunidade: sua ou de um outro.

 

Assim que estão suficientemente maduros, os jovens lobos têm que seguir caminho. Procurar e conquistar (se necessário) um terreno onde vão pôr em prática e repetir tudo o que lhes foi ensinado, desta feita, sozinhos. Fazer a sua própria vida sem a bênção do olhar dos anciãos. E seguir o mesmo caminho: procriar (ou não), ensinar (e aprender) e inevitavelmente morrer. E celebra sempre o nascimento, o crescimento e a morte. Celebra sempre este ciclo: a vida.

 

Devíamos ser mais como os lobos... Em vez de ficarmos a lamentar uma pantera saciada e cansada, devíamos subir ao cimo da rocha e uivar. O mais longe que pudermos. Foi isso que nos ensinaram antes de nos deixarem. Porque quem nos ensina nunca morre, e o uivo também é deles.

Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!


Marta Ramalho

 

Retirado de A Vida de saltos Altos

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Segunda-feira, 09.12.13

A dificuldade de ter um pipi

Não é preciso ir buscar a velha e gasta conversa do papel preponderante que o homem sempre teve na história. Se o teve foi porque o deixaram e se deixaram se calhar é porque elas estavam cansadas de serem elas a fazer tudo e passaram a bola a outro. As que restaram, foram todas queimadas na fogueira.

 

Passado este episódio da história, e o dos sistemas matriarcais também, isto de ser-se mulher e de explicar esta "energia" feminina não é fácil. Não é mesmo.

 

Essa coisa de que elas são complicadas e que nunca se sabe como é que se há-de lidar com elas é mesmo verdade. Ser mulher é uma experiência maravilhosa, é tudo e bom. A roupa é muito mais gira do que a dos homens, há mais acessórios e pode-se ter filhos dentro da barriga e tudo. Assim num nível mesmo de gaja, ser mulher é isto. É bom. Eu falava mesmo era de ser mulher, mas de ser mulher assim lá mais dentro. Essa coisa de se sentir mulher de dentro para fora. De ter uma série de coisas que nem a própria sabe explicar, (sem ser o "período" que está para chegar, sim?!) e sem se saber explicar, "tem" que se agir, falar e ter uma vida que não se sente sem se poder explicar porque ninguém vai perceber... São poucos os que sabem, porque são poucos, também, os que conseguem ver o mesmo que se sente sem ter que se explicar. E às vezes explicar tudo o que não se saber explicar... Gaita!

 

É difícil porquê?

 

Para algumas mulheres, ter que apaziguar a efervescência de uma energia que nem sempre controlam é de facto muito complicado. É o mesmo que levar um tigre selvagem para uma tenda de circo e estar à espera que ao estalar do chicote ele saiba que tem que rebolar para o lado, e para que lado. É estar em pleno Chiado à hora de ponta e sentir o vento na cara, os cabelos soltos, as passadas largas e lobos a correm-lhe ao lado. É ter toda a sabedoria ancestral de todos os antepassados a correrem também dentro delas. As avós, as tetravós, as bisavós e essas avós todas do mundo ali presentes, a nascer, a parir, a morrer e voltar a nascer a parir e a morrer em minutos enquanto de leva uma vida.

 

E então?

 

E então estas são mulheres que revelam uma confiança que não é construída, nem instruída. É uma confiança e uma força de origem. Da origem da terra, da mãe, da avó, da tia, das mulheres todas que viveram antes dela, condensadas nelas só. E enquanto correm, com o vento e com os lobos, não sabem se o coração que ouvem é o seu, se dos lobos, dos seus antepassados ou da Terra. Sim, o coração da Terra que trazem mesmo debaixo dos pés. Dessa Terra que lhes grita para serem sempre bravas e fortes, doces e meigas, guerreiras e pacificadoras, amantes, mães, rameiras, amigas, fortes, frágeis, singelas e arrebatadoras. Dessa que todos os dias lhes pede que nasçam, procriem, gerem, morram e o façam de novo mais uma vez e outra. Todos os dias. E às vezes só a Terra as faz parar, quando as chama ao chão de tanto dançarem.

 

Aquela que se esquecer que transporta consigo todos estes corações, arrisca-se a deixar secar o seu. Enquanto isso, eu...

 

Eu desbravei uma tijela de marmelada caseira.

 

Marta Ramalho



Retirado de A Vida de Saltos Altos

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Sábado, 07.12.13

"A dor de corno é lixada"

Maria Kang

 

Esta semana foi introduzido n'A Vida de Saltos Altos o termo selfie , a palavra que designa as pessoas que se fotografam a si mesmas e disseminam os registos pelas redes sociais. Mas o que parece ser a moda de ódio do momento são as mães que se fotografam, em corpos esculturais, após o nascimento da criança. E que de acordo com algumas reacções online já não cabem nesta classificação: "This is not a selfie. This is an act of war."

 

Contextualizando: Caroline Berg Eriksen publicou a foto, aqui reproduzida, quatro dias depois de ser mãe, com o intuito de refutar a tão celebrada tese de que o corpo da mulher nunca mais será o mesmo depois de uma gravidez. Este comportamento foi tido como o de uma "exibicionista sem vergonha", de alguém que "não podia pertencer à mesma espécie" e sempre em crescendo.

 

 Se as redes sociais são um espaço privilegiado para exibicionistas também se revelam o mecanismo por excelência para aqueles que são incapazes de lidar com diferentes opções, opiniões e acima de tudo com as suas frustrações. Pequenos ditadores que navegam livremente na web querendo fuzilar, nalguns casos conseguindo, aquilo que os ameaça. Uma reacção primária, portanto. O mais recorrente nestes casos é retirar as situações do contexto e por vezes entrar no esquema de que uma mentira dita muitas vezes se torna verdade, onde o espaço para o contraditório fica sempre a perder em shares e em likes vs o estalar da polémica.

 

Para além de uma genética favorecedora, Caroline dedica a sua actividade profissional ao Fitness e à aparência física. Fez exercício físico durante a sua gravidez e ganhou 9kg. E para aqueles que considerarem que a reacção inflamada possa ter a ver com o timmig, apenas 4 dias, desenganem-se: Maria Kang recebeu o mesmo tratamento quando colocou uma foto intitulada What's your excuse? onde posa com os seus 3 filhos, o mais novo com 8 meses e com abdominais trabalhados, num incentivo ao exercício físico. A sua página foi alvo da ira dos estômagos flácidos e a sua conta de Facebook bloqueada por três dias por denúncia de conteúdo ofensivo.

 

A inveja e a cobiça são coisas feias. Se as mães se preferem concentrar na criança e não em si é uma opção, se preferem fazer o contrário também e se preferem fazer as duas coisas ao mesmo tempo continua a ser a sua escolha. E todos temos que viver com as escolhas que fazemos. A figura pós-maternidade não tem que pairar como terror na cabeça das futuras mães e pode ser uma preocupação estética para as que a valorizam. Ninguém disse que era fácil nem fruto de milagre, as mães que posam orgulhosas dos seus corpos esculturais trabalharam para chegar a esse resultado, recorrem a uma alimentação saudável e são uma inspiração para as que querem e para as que estão a percorrer o caminho para lá chegar, a sua mensagem é que no seu próprio tempo também elas são capazes.

A preguiça, essa, é que é pecado mortal.


Retirado de A vida de saltos Altos

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Terça-feira, 26.11.13

Ups… Afinal sou lésbica!

Ups… Afinal sou lésbica!

 

Lidar com a sexualidade não é um assunto particularmente fácil e assumir que se é gay, lésbica, bissexual ou transformista é difícil em qualquer idade.

 

A orientação sexual traduz a forma como se atrai romanticamente e sexualmente por outras pessoas. No caso da homossexualidade, tanto feminina como masculina, a atração é sentida por pessoas do mesmo sexo. 

 

Para a maioria das pessoas, ser homossexual não é uma escolha, faz parte daquilo que são, sendo que esta descoberta pode ser feita ao longo do tempo. Muitas pessoas ficam a par da sua orientação sexual durante a adolescência ou no período da pré-adolescência, sendo que esta etapa pode ser marcada por várias experiências que só por si não significam que certo adolescente será homossexual.

 

Nalguns adolescentes a atracção pelo mesmo sexo desvanece-se, enquanto que noutros se torna mais forte. Por outro lado, também é comum assumir a sexualidade mais tardiamente, como no caso recente da cantora brasileira Daniela Mercury, que passou por dois casamentos heterossexuais e que em 2013 se assumiu como gay perante a sociedade, apresentando a sua companheira.

 

Como lidar com a sua sexualidade


Ter a certeza daquilo que quer e sentir-se confortável com a sua escolha é o primeiro passo. Será mais fácil fazer compreender às outras pessoas aquilo que é e o que sente se primeiro se sentir confortável e com segurança, estando menos vulnerável à rejeição. «Manter relações sexuais e assumir uma identidade sexual são processos que não se associam como etapas sequenciais de um curso de vida organizado», sublinha Andrea Moraes Alves, investigadora brasileira, autora do estudo «Envelhecimento, trajetórias e homossexualidade feminina».

 

Desabafar com alguém em quem confie totalmente pode revelar-se uma ajuda fundamental nesta fase. «Escolha alguém de confiança para fazer a sua primeira revelação, um amigo ou um familiar que saiba que não vai criticar as suas decisões e que lhe prestará todo o apoio que precisa».

 

Este está, no entanto, longe de ser o único conselho destes especialistas. «Não se sinta pressionado(a). Cada pessoa leva o seu tempo. Se não se sente seguro(a) da sua decisão, por vezes é melhor esperar até o momento se tornar mais oportuno. Reações intempestivas tendem a ser mal recebidas, pelo que deve preparar o momento com calma para que a sua conversa seja bem aceite», sublinham.

 

Ter paciência também integra a lista de recomendações. «Seja paciente, provavelmente levará algum tempo até que as pessoas à sua volta aceitem a sua orientação sexual. A homossexualidade é um processo para si e para a sua família e amigos, pelo que requere um período de ajustamento», alertam os especialistas.

 

Viver (mais) feliz


Se é gay, é importante compreender que não está sozinha. Existem pessoas que partilham as mesmas questões e os mesmos receios, quer já tenha assumido a sua homossexualidade ou não. Pode ser útil falar com outras pessoas sobre aquilo que está a sentir e procurar aconselhamento se for caso disso. Na internet, encontra sites de associações de defesa dos direitos homossexuais e de grupos de apoio que a poderão ajudar.

 

O stress e a ansiedade de lidar com a discriminação podem ter repercussões na sua saúde psicológica e levar à depressão. É bom que esteja preparada para isso. As pessoas que continuam a manter a sua orientação sexual em segredo têm uma maior preocupação relativamente à descoberta deste facto por parte dos outros.

 

É muito stressante esconder um segredo desta importância, podendo este facto ter consequências na sua saúde e na sua relação com as outras pessoas. Ninguém escolhe a sua sexualidade, sendo impossível saber o que faz das pessoas gays, lésbicas, bissexuais ou heterossexuais. Se sente atração por alguém do mesmo sexo, o mais importante é identificar as suas emoções, para que possa tomar decisões futuras que conduzam à sua felicidade.

 

Retirado do Sapo Mulher

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