Quinta-feira, 30.03.17

CTE - POESIA HOMÓNIMA JÚLIO RESENDE E JÚLIO MACHADO VAZ

poesiahomónima.jpg

 

POESIA HOMÓNIMA

JÚLIO RESENDE E JÚLIO MACHADO VAZ
 

 

AUDITÓRIO 8€/6€ (CARTÃO AMIGO, CARTÃO SÉNIOR E JOVEM MUNICIPAL)


POESIA | 50 MIN | M/06


Júlio Machado Vaz disse a Júlio Resende que ele devia compor alguma música da poesia do seu amor literário, Eugénio de Andrade. Júlio Resende disse a Júlio Machado Vaz que só juntava Música a Poesia se fosse o próprio psiquiatra a dizer essa poesia. O sexólogo, não temendo tabus, aceitou. E depois dos ensaios e desconcertos fez-se um disco. E do disco fez-se um concerto.


Chama-se "Poesia Homónima" e versa sobre poemas de Eugénio de Andrade e Gonçalo M. Tavares.O (des)Concerto vai explorar dois olhares distintos sobre a Poesia, e que muita  Música inspiraram o pianista e o psiquiatra com o mesmo nome.

 

Júlio Machado Vaz voz Júlio Resende piano

 

 



[Espetáculo promovido pelo Cine -Teatro de Estarreja]

publicado por olhar para o mundo às 12:13 | link do post | comentar
Segunda-feira, 13.03.17

A Árvore da Poesia na Biblioteca Municipal do Barreiro

aarvoredapoesia.jpg

 

 

De 21 de março a 21 de abril

 

A Árvore da Poesia na Biblioteca Municipal

 

 

A Árvore da Poesia vai estar na Biblioteca Municipal, de 21 de março a 21 de abril.

"Convidamo-lo a preencher de vida e cor os seus ramos com os seus poemas favoritos e/ou escritos por si". 

Os poemas deverão ser entregues na Biblioteca Municipal. 

 

 

CMB 2017-03-10

publicado por olhar para o mundo às 22:13 | link do post | comentar
Quinta-feira, 09.02.17

POESIA ORIGIAL - Dia Mundial da Poesia na ACERT

 

 

 

 

poesia original.jpg

 

 

POESIA ORIGIAL
Dia Mundial da Poesia

 


Quando algo corre bem a repetição é certa... no ano de 2016 a noite da poesia foi especial. Em 2017, repetimos, certos de que será tudo diferente.

Vamos celebrar o Dia Mundial da Poesia com um espetáculo feito com os melhores “Poemas Originais”. São tão originais que nunca foram ditos em público! Mas quem são os seus autores, afinal? Todos aqueles que o desejarem, qualquer um de nós.

Nessa noite todos podem ser “Poetas originais” desse espetáculo. Sim, porque todos nós um dia já escrevemos um poema, ou porque tivemos um desgosto de amor, ou porque achámos que tínhamos uma revolução por fazer, ou simplesmente porque quisemos experimentar escrever um “Poema Original” como expressão da nossa intimidade e, como tal, foram todos para a gaveta... Acontece a todos.

Chegou a altura de esses “poemas escondidos” voarem da folha de papel e ganharem a voz de quem os declama. Depois de selecionados, serão declamados pelos atores do Trigo Limpo teatro Acert, devidamente protegidos por pseudónimo. E só após a sua leitura será revelado o nome do autor, para receber os aplausos pelo brilhantismo poético da sua escrita e das emoções que as suas palavras causaram em quem as acolheu. Ali estará o “Poeta Original” em carne e osso, para sentir as palmas provocadas pela sedução do que escreveu.

 

Bar ACERT
 18 mar'17 às 21:45

Entrada Gratuita




Ficha Técnica

COMO PARTICIPAR:


Até dia 1 de março, com o máximo de 5 (cinco) “Poemas Originais”.
1. Enviar os poemas por correio, em envelope sem remetente. Dentro do envelope, colocar outro, fechado, com o pseudónimo escrito por fora e, no interior, uma folha com o nome verdadeiro, o nome do “Poeta Original”.

Morada para envio:
Associação Cultural e Recreativa de Tondela
A/C de “Poesia Original”
Apartado 118
3460-909 Tondela

2. WETRANSFER.COM Entrar no seu navegador de internet em www.wetransfer.com. Anexar dois documentos:
um chamado POEMAS que contém os poemas (máximo de 5) 


o segundo com o nome PSEUDÓNIMO que contém o Pseudónimo e o seu verdadeiro nome.


No campo “E-mail do amigo” colocar poesiaoriginal@acert.pt e no campo “O seu e-mail” colocar também poesiaoriginal@acert.pt 
Depois é só clicar no botão azul “Transferir” e já está!

publicado por olhar para o mundo às 22:13 | link do post | comentar
Quinta-feira, 19.05.16

CTE - ÀS PÁGINAS TANTAS… RASGA-SE O VERSO!

rasga-seobeijo.jpg

 

ÀS PÁGINAS TANTAS…

RASGA-SE O VERSO!
 

 

CAFÉ-CONCERTO 3€ | ENTRADA GRATUITA (CARTÃO AMIGO, SÉNIOR E JOVEM MUNICIPAL)
POESIA | 75MIN. | M/6

 

"MUDANÇA" é o mote escolhido pelo Clube de Poesia de Estarrejapara a sua primeira apresentação pública no Café-Concerto do Cine-Teatro de Estarreja. Partindo de textos exclusivamente de autores da língua portuguesa e numa abordagem muito própria, o Clube de Poesia convida a uma viagem através de sensações, emoções e experiências que só terão os limites da imaginação. A viagem começa logo ali, à porta do CTE, e segue para além do céu, do suspiro e das lágrimas, numa noite abraçada à Primavera... O convite está feito!


Elisabete Amaral,Luísa Henriques,Margarida Bandeira,Maria Mendonça interpretação, Armandina Guimarães encenação


[Espetáculo promovido pelo Cine-Teatro de Estarreja]

publicado por olhar para o mundo às 11:13 | link do post | comentar
Quarta-feira, 06.04.16

Noticias Férteis

fertilcultural.png

 

Abril é o mês de aniversário da Fértil Cultural e este ano para celebrarmos o nosso sexto aniversário vamos preparar um palco aberto a músicos e não músicos. No dia 30 de Abril a partir das 21h30 na Casa da Pedreira o palco será aberto a toda a gente que se queira juntar a nós e partilhar música, conversas e tudo o que quiserem. Haverá instrumentos para todos. Também estará presente o famoso bolo de aniversário e o espumante. Estão todos convidados.

 

Também em Abril é o mês do novo festival literário REALIZAR:poesia que irá acontecer entre os dias 21 e 25 de Abril em Paredes de Coura. O Município de Paredes de Coura é o organizador do evento e convidou a Fértil Cultural para a produção. É com grande entusiasmo que nos aliamos a um evento desta natureza.

 

Podem consultar toda a informação do festival em: www.realizarpoesia.com.

 

Fértil . Associação Cultural

Casa da Pedreira . Rua do Barroco, 195 . 4760-496 Gondifelos [VN Famalicão]

fertilcultural.org . +351 918 224 697

 

 

publicado por olhar para o mundo às 21:13 | link do post | comentar
Quarta-feira, 11.03.15

21 de março | DIA DA POESIA

cartazes A4 DIA DA POESIA.jpg

 

 

21 DE MARÇO

 

DIA DA POESIA 2015

 

O Barreiro comemora o Dia Mundial da Poesia, assinalado a 21 de março, com um conjunto de iniciativas culturais nos espaços públicos e escolas do Concelho. Dirigido aos alunos e ao público em geral, o programa tem início no dia 20 de março, com a entrega de prémios do Concurso de Poesia “Identidades e Culturas”, e termina a 21 de março com a “Noite de Poesia da Arte de Dizer”, na Biblioteca Municipal do Barreiro. O programa completo é o seguinte:

 

Concurso de Poesia

“Identidades e Culturas”, no âmbito do projeto municipal Identidades – Encontro de Culturas

Entrega de Prémios aos alunos vencedores

20 de março | Escolas do Concelho

 

Exposição com Trabalhos dos Alunos

a partir de 20 de março | Biblioteca Municipal do Barreiro

 

Dirigido aos alunos do pré-escolar, 1º, 2º, 3º Ciclo e Secundário das escolas do Concelho do Barreiro. Tem como objetivo a dinamização e envolvimento da comunidade educativa do Concelho, através de atividades criativas, educativas, pedagógicas, culturais e lúdicas, apelando à expressão artística e ao desenvolvimento da escrita criativa dos nossos alunos.

 

Estendais de Poesia

20 março | Locais de atendimento da Autarquia

 

Estendais de Poesia

21 março | Espaços públicos (Mercados Municipais e Terminal Rodo-Ferro-Fluvial)

 

Oferta de marcadores de livros com “Poemas do Mundo”

21 março | Mercados Municipais e espaços públicos do Concelho

 

“Poemas do Mundo” em facebook.com/municipio.barreiro

21 março | das 8h00 às 20h00

 

Declamação de poemas por Carolina Alberto

21 março | 10h00 | Mercado Municipal 1º de Maio

pelo Teatro de Ensaio do Barreiro

 

“Caça ao Poema” - Peddypaper

21 março | 10h30 | Mercado Municipal 1º de Maio

pela ARTEVIVA – Companhia de Teatro do Barreiro

Vamos descobrir onde se escondem poemas, nos recantos do Mercado. Em equipa, vamos correr pelo Mercado em busca do Poema escondido! As pistas levam-nos de banca em banca… onde se enfiou a 1ª estrofe? No meio das abóboras? E há versos no avental da Peixeira! E a seguir, estarão palavras perdidas na Mercearia? E rimas no Talho ou na Florista?! Vamos caçar o Poema e ganhar prémios, porque a Poesia é Alegria!

Destinatários: Famílias

Duração prevista: 30 minutos

 

Leitura encenada de poemas

21 março | 11h00 | Mercado Municipal do Lavradio

pelo TESFAL – Teatro de Ensaio da SFAL (Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense) e TISFAL – Teatro Infantil da SFAL

 

“Da Palavra ao Gesto: Poema Encenado”

21 março | 11h30 | Mercado Municipal 1º de Maio

pela ARTEVIVA – Companhia de Teatro do Barreiro

Os atores têm uma maneira diferente de ler. Com a emoção, parece que as palavras ganham vida, não saem só pela boca…saem do corpo! Vamos encenar um poema e contar com a ajuda do público para o transformar…das palavras aos gestos, da voz ao silêncio. Como ficará um poema se lhe silenciarmos as palavras e deixarmos o corpo “falar”? No final todos teremos uma coreografia poética para levar para casa, porque a Poesia é Magia!

Destinatários: Famílias

Duração prevista: 30 minutos

 

Apresentação do Livro “Opositor”, de Guilherme Opositor

21 março |  16h00 | Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro

Pela Professora Fernanda Afonso

 

Dança, Pintura, Poesia – A Simbiose Perfeita

21 março | 21h00 | Centro Comercial Park Center, Rua Eça de Queirós, nº 20-A

Performance de Fátima Romão em parceria com Raúl Ferrão e o Grupo de Dança Contemporânea da UTIB | org. Associação de Cultura & Artes Mar d'Artes

 

Noite de Poesia da Arte de Dizer

21 março | 21h30 | Biblioteca Municipal do Barreiro

pela Turma “Arte de Dizer” da Universidade da Terceira Idade do Barreiro (UTIB)

Com a intervenção de cada elemento da turma

 

CMB 2015-03-09

publicado por olhar para o mundo às 21:05 | link do post | comentar
Segunda-feira, 23.09.13

António Ramos Rosa (1924-2013), uma vida dedicada à poesia

António Ramos Rosa (1924-2013), uma vida dedicada à poesia

Autor de uma das obras poéticas mais extensas e marcantes da poesia portuguesa contemporânea, António Ramos Rosa morreu esta segunda-feira aos 88 anos.

 

Morreu esta segunda-feira em Lisboa, aos 88 anos, o poeta e ensaísta António Ramos Rosa, um dos nomes cimeiros da literatura portuguesa contemporânea, autor de quase uma centena de títulos, de O Grito Claro (1958), a sua célebre obra de estreia, até Em Torno do Imponderável, um belo livro de poemas breves publicado em 2012. Exemplo de uma entrega radical à escrita, como talvez não haja outro na poesia portuguesa contemporânea, Ramos Rosa morreu por volta das 13h30 desta segunda-feira, em consequência de uma infecção respiratória, em Lisboa, no Hospital Egas Moniz.

 

Além da sua vastíssima obra poética, escreveu livros de ensaios que marcaram sucessivas gerações de leitores de poesia, como Poesia, Liberdade Livre (1962) ou A Poesia Moderna e a Interrogação do Real (1979), traduziu muitos poetas e prosadores estrangeiros, sobretudo de língua francesa, e organizou uma importante antologia de poetas portugueses contemporâneos (a quarta e última série das Líricas Portuguesas). Era ainda um dotado desenhador.

 

Prémio Pessoa em 1988, António Ramos Rosa, natural de Faro, recebeu ainda quase todos os mais relevantes prémios literários portugueses e vários prémios internacionais, quer como poeta, quer como tradutor.

 

Já muito fragilizado, o poeta, que estava hospitalizado desde quinta-feira, teve ainda forças para escrever esta manhã os nomes da sua mulher, a escritora Agripina Costa Marques, e da sua filha, Maria Filipe. E depois de Maria Filipe lhe ter sussurrado ao ouvido aquele que se tornou porventura o verso mais emblemático da sua obra — “Estou vivo e escrevo sol” —, o poeta, conta a filha, escreveu-o uma última vez, numa folha de papel. 

Para Pedro Mexia, poeta e crítico, Ramos Rosa mostrou, nomeadamente através das revistas que dirigiu e da primeira fase da sua obra poética, “que era necessário superar a dicotomia fácil entre a poesia ‘social’ e a poesia ‘pura’, e que o trabalho sobre a linguagem não impedia o empenhamento cívico”. Como ensaísta, continua Mexia, Ramos Rosa esteve atento ao panorama europeu e mundial, de René Char a Roberto Juarroz, e aos autores portugueses das últimas décadas, incluindo os novos: “Descobri muitos poetas através de obras como Poesia, Liberdade Livre ou Incisões Oblíquas".

 

Autor "muitíssimo prolífico", "nunca se afastou do seu caminho pessoal, mesmo quando a abundância e a insistência numa 'poesia sobre a poesia' fizeram com que nos esquecêssemos da sua importância decisiva."

Uma unidade muito grande


O escritor e crítico Fernando Pinto do Amaral prefere eleger como "verdadeiramente singular" em Ramos Rosa “a atmosfera muito espacial que a sua poesia, ou melhor, os seus ciclos de poemas, são capazes de criar”. Atmosfera essa que resulta de uma “conjugação precisa de palavras”: “Isso vê-se muito bem em O Ciclo do Cavalo, de que gosto particularmente, e emGravitações, onde se sente que há como que uma força cósmica que atrai e repele as palavras e a própria natureza”.

 

A ideia de respiração é, aliás, muito importante na obra deste autor, continua Pinto do Amaral, admitindo que não é fácil explicar o que dela emana, em parte porque passou por várias fases, “muito distintas”. É numa delas, mais realista, “ligada ao quotidiano e às suas burocracias”, que se insere um dos seus poemas mais conhecidos, O Boi da Paciência. “Ele, que também foi um funcionário de escritório, mostra aqui como pode ser monótona a vida e como é preciso combater a monotonia”: “Mas o homenzinho diário recomeça / no seu giro de desencontros/ A fadiga substituiu-lhe o coração”, escreve.

 

“Tudo está em tudo na poesia de Ramos Rosa”, “como no movimento constante de inspirar e expirar”, resume o escritor, defendendo que se trata de um poeta que precisará sempre de antologias: “Um jovem leitor que queira iniciar-se na sua poesia vai sentir-se muito facilmente perdido. Ele escreveu muito, publicou muito. Fazer antologias suas não é, no entanto, tarefa fácil, porque há uma unidade muito grande em cada livro, o que torna difícil escolher um poema em detrimento de outro”.

Obra lírica imensa
Nascido em Faro em 1924 — faria 89 anos a 17 de Outubro —, António Ramos Rosa frequentou ali o liceu, mas, por razões de saúde, não terminaria os estudos secundários. Uma escassez de estudos formais que a sua avidez de leitor não tardou a compensar largamente.

 

Trabalhou algum tempo como empregado de escritório — experiência que inspirou o célebre Poema de Um Funcionário Cansado, incluído no seu livro de estreia —, ao mesmo tempo que dava explicações de português, inglês e francês e traduzia autores estrangeiros, primeiro para a Europa-América e depois para outras editoras.

 

Envolveu-se, logo após o final da segunda guerra, na oposição ao salazarismo, militando no MUD Juvenil e participando em manifestações. Nos anos 50 ajudou a fundar e coordenou várias revistas literárias, incluindo Árvore,Cassiopeia e Cadernos do Meio-Dia, nas quais colaborou com textos de crítica literária e poemas.

 

Embora publicasse poemas em revistas desde o início dos anos 50, o seu primeiro livro só saiu em 1958, aos 34 anos. Mas a partir desta estreia algo tardia, nunca mais deixará de editar poesia a um ritmo impressionante.

 

Se O Grito Claro é ainda aproximável do neo-realismo, mesmo que já com tonalidades muito peculiares, a escrita de Ramos Rosa não tarda a destacar-se quer deste movimento, quer das inevitáveis influências do surrealismo, enveredando pelo caminho de uma poesia mais elementar, deliberadamente ancorada, sobretudo nos livros iniciais, numa certa rarefacção vocabular. Uma característica que, a par da própria extensão da obra, terá ajudado a gerar o equívoco de que esta seria uma poesia monocórdica. Nada mais falso. Sem detrimento da sua consistência enquanto obra, e mesmo essa talvez mais resultante da fidelidade a um percurso do que propriamente da reincidência de tópicos obsessivos, a poesia de Ramos Rosa não só tem ciclos muito marcados como é variadíssima do ponto de vista formal e discursivo.

 

Bastante indiscutível é a importância de António Ramos Rosa, quer como poeta quer como crítico, para a evolução da poesia portuguesa (e do gosto dos respectivos leitores) ao longo dos anos 60 e no início da década seguinte. Na atenção à materialidade do texto, numa dimensão política que dispensava a explicitude do neo-realismo, no rigor construtivo, até numa certa contaminação filosófica, a poesia de Ramos Rosa tinha, nos anos 60, afinidades bastante óbvias com poetas como Carlos de Oliveira ou Gastão Cruz. No entanto, foi-se tornando nela cada vez mais insistente a procura de uma espécie de voz original que pudesse cantar o mundo ao mesmo tempo que o criava. E se durante algum tempo a sua poesia ainda inclui explicitamente, como um dos seus tópicos, o fracasso desse impossível retorno à origem, vai depois tornar-se, cada vez mais, um hino reconciliado e extasiado com a diversidade exultante do real, uma música que destaca a sensualidade das formas — de uma mulher, de uma planta, de um curso de água, do flanco de um cavalo, mas também das próprias palavras — ao mesmo tempo que ela própria contribui para erotizar o mundo.

Funeral na quarta-feira


Livros como O Ciclo do Cavalo (1975) ou Volante Verde (1986) costumam ser invocados, e com boas razões, como alguns dos momentos cimeiros desta imensa obra lírica. Mas há obras recentes que tiveram pouco eco crítico e são notáveis, como o criativo Nomes de Ninguém (1997), cujos poemas partem todos de nomes femininos inventados, ou As Palavras (2001), onde encontrámos um inesperado Ramos Rosa a ironizar com o modo como foi sendo lido.

Segundo informação da família, o corpo do poeta será velado terça-feira a partir das 18h30, na Capela do Rato, em Lisboa, estando prevista para as 21h30 uma celebração pelo padre e poeta José Tolentino Mendonça. O funeral parte na quarta-feira de manhã, pelas 10h30, para o Cemitério dos Prazeres, onde será sepultado no Jazigo dos Escritores. 


Retirado do Público

publicado por olhar para o mundo às 22:29 | link do post | comentar
Terça-feira, 02.04.13

Póvoa do Varzim promove poesia junto de jovens alunos

Póvoa do Varzim promove poesia junto de jovens alunos

A iniciativa, organizada pela Equipa da Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Beiriz e destinada a todos os alunos do 8º ano de todas as escolas do concelho, pretende assinalar o Dia Mundial da Poesia, que se comemorou a 21 de Março.


Promover o gosto pela poesia, desmistificar a dificuldade da escrita poética, participar de forma activa na construção do texto poético, fomentar o gosto pela partilha e estimular o gosto e a consciencialização na divulgação de conhecimentos adquiridos” são os objectivos desta acção, segundo nota de imprensa.

 

Mestre em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e doutorando em Ciências da Educação, na mesma faculdade, João Manuel Ribeiro tem-se dedicado à escrita para crianças e a actividades de dinamização da literatura em colégios e escolas básicas do 1º ciclo (quer através de oficinas de escrita criativa, quer de encontros onde declama poesia). 

Dinamizou também já alguns projectos de escrita colaborativa com alunos, tendo daí resultado a edição de alguns livros.

 

Teresa Casas Novas

 

Retirado do HardMúsica

publicado por olhar para o mundo às 19:55 | link do post | comentar
Quinta-feira, 21.03.13

Dia Mundial da Poesia lembrado a nivel nacional

Dia Mundial da Poesia lembrado a nivel nacional


Dia Mundial da Poesia lembrado a nivel nacional

Em Portugal, o Dia Mundial da Poesia, que até 23 de Março tem programadas várias manifestações culturais, celebra a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, criatividade e inovação. 

É uma data onde fazendo um intervalo no dia a dia, se pretende fazer uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das capacidades criativas de cada pessoa.

A poesia contribui para a diversidade criativa, usando as palavras e os nossos modos de percepção e de compreensão do mundo.

 

Em Portugal de norte a sul serão muitos os eventos que lembrarão os poetas que fizeram a História deste país, que cantaram a sua beleza e contaram as desgraças do seu percurso, por vezes demasiado atribulado e insensato.

São muitos os poetas da História de Portugal. Luís de Camões, Fernando Pessoa, António Nobre, Florbela Espanca, José Régio, Florbela Espanca, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Cesário Verde, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andersen, são alguns dos muitos poetas portugueses que em palavras certas, amargas e doces fizeram a nossa língua e cultura chegarem mais longe que as fronteiras estabelecidas desde Afonso Henriques.

 

Retirado do hardMúsica

publicado por olhar para o mundo às 20:02 | link do post | comentar
Terça-feira, 19.02.13

Debaixo do deboche: a poesia

Debaixo do deboche: a poesia

Intencionalmente ou não, o género literário que Dalton Trevisan mais pratica é quase marginal. Os elogios da crítica são um feito notável para um contista

 

Um joaquim

Joaquim. Assim se chamava a revista criada por Dalton Trevisan em 1946, tinha o autor 20 anos. Joaquim, "Em Homenagem a Todos os joaquins do Brasil", talvez repuxando o direito de aqueles joaquins, no meio dos quais Trevisan se via, se fazerem ouvir. Enfim, uma revista literária como as melhores: a querer ser mais do que uma revista.

E foi. Dela emergiram vozes como a do seu criador, Dalton Trevisan, mas também Antonio Cândido, Mário de Andrade, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, só para citar os mais conhecidos. Aliás, foi tão mais do que uma revista que deixou de o ser abruptamente, sem pré-aviso, depois de um elogio do deputado federal Gilberto Freyre que terá provocado em Trevisan o medo de que a quisessem institucionalizar. E assim acabou, no número 21 (Dezembro de 1948), que tinha até um conto incompleto de Trevisan, cuja segunda metade sairia no número 22. Hoje a Joaquim é uma peça de alfarrabista. Uma rápida busca na Internet permite-nos encontrá-la à venda a um preço médio de 250 reais - pouco mais de 90 euros.

A valorização da revista, aliás, andará muito às costas da fama que granjeou o seu criador. E a fama que este granjeou, andará muito às costas da atitude que adoptou? Talvez a Joaquim fosse já um indício do que viria a ser Dalton Trevisan, o escritor: marginal, ou paralelo, como diria Vítor Silva Tavares, fazendo o seu percurso pelos caminhos que mais garantias lhe dão de não se cruzar com ninguém. Aquele suicídio literário - matar os joaquins quando os joaquins estavam perto de ser alguém - era já um ensaio para o escritor, ele próprio um joaquim.



Um vampiro

Acontece com Salinger, Pynchon e também com Dalton Trevisan. Fala-se de um deles a alguém que os não conhece e, invariavelmente, uma das primeiras coisas que se refere é a sua atitude reclusiva. Só depois nos lembramos de falar dos livros. Se assumirmos que os autores esquivos se furtam da vida pública para que tudo o que fique seja a obra, é um triste facto que essa fuga se vire contra o fugitivo e que o mais importante não seja a obra, nem sequer o autor, mas a reclusão em si mesma. Ainda assim, na competição de maior bicho-do-mato, Trevisan perde para Salinger. É que este último levou a sua reclusão ao extremo de deixar de publicar, ao passo que Trevisan tem mais de 40 livros.

Intencionalmente ou não, o género literário que Dalton mais pratica é em si mesmo um género quase marginal: o conto. Que se tenha feito ler, que tenha granjeado elogios quase unânimes da crítica, a ponto de ter ganho em 2012 o Prémio Camões, são feitos notáveis para um contista. Não que isto contribua para atenuar o estigma do género - que é uma espécie de esboço para o romance, que serve para o escritor ganhar a mão, que é fácil, que etc. -, mas é ao menos uma esperançazinha para os contistas (e haverá alguns, ainda?), como quem lhes diz que o mundo apenas demora um pouco mais a chegar, porque entretanto há por aí tantos romancistas a quem dar prémios. Verdade seja dita, contistas há muito poucos. E se os pedirmos bons, daqueles que provam que o conto não é o primo enjeitado do romance, então temos de esperar sentados.

Ainda assim, Trevisan, como quase todos os contistas, não resistiu a provar uma vez o romance: e a experiência de A Polaquinha, um dos três títulos com que a Relógio d'Água abriu a colecção Dalton Trevisan que tem vindo a publicar, não correu mal. Podemos encará-lo como um contrapeso a O Vampiro de Curitiba. Se neste último - que, apesar de ser um livro de contos, tem um "herói" transversal - acompanhamos as desventuras de Nelsinho nas suas conquistas, em A Polaquinha é uma mulher a protagonista e o romance acompanha, também, as suas aventuras. E onde o Vampiro é pudico, a Polaquinha descontrola-se. Falamos das suas descrições, não das personagens, que poderiam bem viver juntas e felizes para sempre.

Fosse pela qualidade do texto, fosse por ser um dos primeiros (de 1965), fosse porque o título se adequava, O Vampiro de Curitiba extravasou os limites de obra e passou a designar também o autor. Porque o vampiro é avesso ao convívio, como Dalton, e porque é de Curitiba.



Um poeta

Talvez o artigo devesse ter começado assim: Dalton Jérson Trevisan (nome bastante distinto para quem queria ser um joaquim) nasceu em Curitiba, a 14 de Junho de 1925. Venceu por unanimidade, em 2012, o Prémio Camões, o mais importante galardão da literatura de língua portuguesa. A Relógio D'Água, que já tinha publicado nos anos 80 Cemitério de Elefantes, iniciou no final do ano passado a publicação das obras do autor (e se os méritos devem ser reconhecidos - que Francisco Vale, o editor, criou um dos mais sólidos catálogos editoriais portugueses -, as falhas também devem ser apontadas: as capas da editora são cada vez mais feias; talvez porque o principal - único? - mérito do designer seja o de ser filho do editor).

Saíram, para já, Novelas nada Exemplares (1959), O Vampiro de Curitiba (1965) e A Polaquinha (1985). Com eles podemos construir já um cartão de visita de Dalton Trevisan. Se os dois últimos denunciam, veementemente, uma apetência muito particular para fazer do jogo homem-mulher tema fulcral das histórias, o primeiro revela algo que estes apenas deixavam transparecer: que por baixo do deboche há a poesia. Disfarçada de imitação da oralidade, a escrita de Trevisan tem em si, mais do que a linguagem poética, o ritmo da poesia. As frases curtas, a omissão de palavras, as frases interrompidas a meio, idem. Tudo isto conjugado com uma construção frásica que, em bastantes momentos, está mais próxima do português de Portugal do que estaríamos à espera. Não é, todavia, uma leitura escorreita como, digamos, a de um Rubem Fonseca. Nem deve ser. A poesia que Dalton faz com palavras comuns tem de ser degustada.

O melhor sítio para o fazer, por enquanto, é nas Novelas nada Exemplares. Aqui nos apercebemo de que joaquim, o vampiro, é afinal um poeta, seja a falar do último engate da loirinha com o motorista do autocarro, seja a falar da morte.

Para breve, a Relógio D'Água trará a reedição de Cemitério de Elefantes, bem como as edições de A Trombeta do Anjo VingadorA Guerra Conjugal e O Rei da Terra. Afinal os prémios ainda servem para alguma coisa.

 

Retirado do Público

publicado por olhar para o mundo às 20:17 | link do post | comentar

mais sobre mim

pesquisar neste blog

 

First Class Radio 

posts recentes

últ. comentários

arquivos

tags

favoritos

subscrever feeds



blogs SAPO