Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

As Coisas da Cultura

Porque há sempre muito para ver e para contar

Porque há sempre muito para ver e para contar

As Coisas da Cultura

15
Jan13

Fundação paga volta ao mundo a estudantes

olhar para o mundo
Fundação paga volta ao mundo a estudantes
Durante o Gap Year, Tiago e Gonçalo, então com 18 anos, visitaram 25 países.
Pagar a estudantes de concelhos do interior do país viagens pelo mundo quando acabam o ensino secundário. É esta a aposta, inédita no país, de um empresário que há seis anos doou metade do património para erguer uma fundação para dinamizar a aldeia dos avós, Lapa do Lobo, na Beira Alta.

A fundação – financiada pelo empresário Carlos Torres para dinamizar e apoiar iniciativas culturais e de educação nos concelhos de Carregal do Sal e Nelas – levou, pela primeira vez em 2011, dois jovens a visitar 25 países e ganharem experiência de vida, antes de entrarem para a universidade. E outros quatro estão actualmente a viajar pelo mundo com o apoio desta Fundação Lapa dos Lobos: dois pela Guatemala e outros dois estão nos Açores, prestes a partir para o Brasil.

 

Uma iniciativa única entre as cerca de 500 fundações portuguesas, das quais cerca de 200 de iniciativa privada. «É certamente um projecto inédito, que é muito útil numa altura em que a maioria das Fundações se debate com falta de dinheiro para este tipo de apoios», diz ao SOL o presidente da assembleia geral do Centro Português de Fundações, Carlos Monjardino.

 

O também presidente da Fundação Oriente lembra que a «maioria das bolsas concedidas pelas principais fundações, como a Gulbenkian, são dadas já a estudantes universitários ou de mestrado e doutoramentos como forma de os ajudar a prosseguir os estudos em Portugal ou no estrangeiro». Muito mais raros são os apoios para os alunos que acabam de terminar o ensino secundário.

 

A ideia surgiu ao empresário Carlos Torres por acaso durante um encontro com estudantes do ensino secundário organizado pela fundação que criou em 2007 para dinamizar a Lapa do Lobo, aldeia com apenas 700 habitantes. «Ouvi uma palestra de um aluno do 12º ano da secundária de Carregal do Sal, o Gonçalo, que dizia que o seu maior sonho era poder fazer um gap year – uma pausa de um ano nos estudos para viajar antes de entrar na universidade», explica. E decidiu pagar-lhe a viagem. Gonçalo Azevedo Silva e o colega Tiago Marques, então com 18 anos, iniciaram um gap year. Entre Dezembro de 2011 e Junho de 2012 percorreram a Austrália, Nova Zelândia, Brasil, China, Nepal Índia, Indonésia e Timor e vários países europeus. «Quis dar a alguns estudantes com 18 anos a oportunidade de fazer a viagem que eu adoraria ter feito», conta o administrador da Resul, empresa de equipamentos e soluções de energia.

 

‘Viagem inesquecível’


Cada viagem custou seis mil euros, com a maioria dos percursos a ser feito de camioneta ou comboio. Os jovens tinham como missão participar em acções de voluntariado e acções nas comunidades nos vários locais por onde passavam. Ficavam alojados em casas de famílias, organizações não governamentais ou hostels. Eram também ‘obrigados’ a documentar com imagens e a relatar a experiência num blogue da viagem, que será agora editado em livro.

 

Para Gonçalo Azevedo Silva, agora no primeiro ano da Economia do Instituto Superior de Economia e gestão (ISEG), a experiência foi «inesquecível»: «Nunca pensei ter esta oportunidade, que me abriu horizontes, deu-me maturidade fez-me ultrapassar muitas barreiras».

 

Foi a Índia, o país que mais o marcou. Ali, ele e Tiago deram aulas em inglês a crianças de aldeias que ficavam a 10 horas da cidade mais próxima, tendo chegado a fazer viagens de comboio durante quase um dia. «Ficamos a conhecer melhor o mundo e sobretudo a conhecer melhor as nossas capacidades», diz.

 

Apoio a 42 alunos com bolsas


Os jovens quiseram partilhar a experiência e criaram, por sua iniciativa, a Associação Gap Year Portugal para divulgar as vantagens deste ano de intervalo nos estudos. Na página na internet (gapyear.pt) dão informação e dicas sobre o assunto. «Em Portugal não havia nada semelhante e neste momento já temos 50 inscritos a pedir informação para viajarem», remata Gonçalo.

 

Além de promover o gap year outra grande aposta da Fundação Lapa do Lobo é apoiar com bolsas 42 estudantes de licenciatura, doutoramento e mestrado em dois concelhos da Beira Alta: Carregal do Sal e Nelas. Também dinamiza acções educativas abrangendo cerca de dois mil alunos. Ha cursos de inglês ou guitarra, ateliers, espectáculos de música e palestras onde os estudantes podem participar.

 

Retirado do Sol

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub