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20
Jan13

Sexo sem compromisso

olhar para o mundo

Sexo sem compromisso

Dois especialistas desvendam os desejos, as motivações e os riscos das relações de uma noite

«Fomos apresentados por uma amiga comum. No bar onde estávamos, a conversa foi fluindo, entre copos de vinho, revelando logo à partida o interesse um pelo outro», recorda Marta, de 38 anos, sem namorado há cinco anos.

 

«Quando saímos do bar, beijámo-nos e fomos para casa dele. Fizemos sexo e foi bom. Tomei um duche rápido, ele ficou deitado e eu saí», acrescenta.

 

«Mais tarde, ele pediu o meu contacto à nossa amiga mas não autorizei e nunca mais o vi. Como esta situação já tive algumas mas é sempre na minha cama e sozinha que termino a noite e é assim que pretendo manter-me», conta ainda. Se, para muitas mulheres, partilhar a sua vida com alguém especial é importante, para outras não.

 

«As mulheres sem relacionamentos assumidos têm vindo a aumentar entre nós, tal como as mulheres que optam por não casar e que não invejam a maternidade», refere Vânia Beliz, psicóloga clínica e sexóloga, no seu livro «Ponto Quê – O prazer no feminino», publicado pela editora Objectiva. Segundo a especialista, «estas mulheres não querem abdicar da privacidade e autonomia conquistadas».

O sabor da independência

«Com o passar dos anos, tornei-me muito mais exigente, o que faz com que prefira estar sozinha. Tenho a minha casa, o meu círculo de amigos, estabilidade emocional e não sinto necessidade de partilhar isto com um companheiro», explica Marta. Algumas investigações sugerem que as mulheres que procuram sexo casual possam ter medo dos relacionamentos. Mas a sexóloga Vânia Beliz alerta que «é preciso distinguir a situação de nunca desejar um relacionamento sério e a situação de passar uma temporada dedicada a nós próprias». Marta confessa que teve algumas relações duradouras mas agora sente-se bem sozinha.

Uma mudança social

Para o psicólogo clínico Quintino Aires, o aumento do número de mulheres sem uma relação assumida é uma realidade que reflete mudanças culturais com implicações psicológicas. «O compromisso não desapareceu. A diferença é que, no passado, o compromisso era regulado pela sociedade e, uma vez assumido, esse compromisso era para sempre. Hoje, somos nós próprios a assumi-lo e esta mudança levanta sérias dificuldades numa sociedade que, no momento da escolha, não consegue decidir e, então, adota a estratégia de não assumir compromissos», refere o especialista.

Crise de identidade?

«A sociedade atual não está organizada para desenvolver a identidade pessoal», alerta Quintino Aires, explicando que «no momento de escolher o namorado(a), não há a certeza se é mesmo aquela a pessoa certa ou não». De acordo com o psicólogo, o controlo dos pais durante a adolescência também pode desencadear esta crise psicológica na idade adulta. «A construção da identidade pessoal, saber o que cada um quer e gosta, implica um treino de experiências que os jovens muitas vezes não têm durante a adolescência. O resultado é que muitas mulheres descobrem apenas por volta dos 30 anos que ainda não conseguem escolher o companheiro com quem desejam partilhar a sua vida», constata o especialista.

Uma fase de descoberta

Aos olhos da psicologia, «as mulheres que optam por relações fugazes estão a lutar por uma identidade, um conhecimento de si mesmas, mesmo que não tenham essa consciência», alerta o psicólogo Quintino Aires. «Aparentemente, envolvem-se apenas com a finalidade da atividade sexual mas, na verdade, trata-se de um movimento de descoberta», sublinha.

 

«Em termos psicológicos, estão a fazer o mesmo que uma criança que brinca para descobrir o mundo, aqui estão a envolver-se para descobrir os parceiros amorosos e para se descobrirem a si mesmas», diz. «Só experimentando podemos saber o que gostamos e não gostamos e os encontros sexuais sem qualquer compromisso resultam de uma intuição desse princípio», refere o especialista, acrescentando ainda que «este é um comportamento comum aos 20 e aos 30 mas também aos 40, 50 e 60 anos».

 

Retirado de Sapo Mulher

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