PSP não larga os "Que se lixe a troika"

Alberto Frias "O Governo está a governar de costas para o povo, submisso à troika", afirmou João Gustavo, do "Que se lixe a troika"

Pelo menos dois elementos do movimento "Que se lixe a troika" foram hoje identificados pela polícia, no aeroporto de Lisboa, onde o movimento foi esperar simbolicamente os representes do Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu que vêm a Portugal fazer a sétima avaliação.

 

João Gustavo, do "Que se lixe a troika", afirmou ao Expresso que "este governo foi eleito com base em promessas de não aumentar os impostos, mas não está a cumprir". Ao invés disso, "o Governo está a governar de costas para o povo, submisso à troika", acrescentou.

 

Na conferência de imprensa convocada para a zona das chegadas do aeroporto de Lisboa, o movimento recordou os motivos para participar na manifestação convocada para o próximo sábado, 2 de março.

 

Nesta avaliação ao trabalho do Governo lembraram, por exemplo, que no início do processo de ajustamento o desemprego rondava 12,7%, situando-se nos 17,5% no final de 2012. Mas "os números oficiais escondem muito desemprego, já que neste momento haverá mais de milhão e meio de pessoas sem trabalho", considera a mesma fonte. "Um relógio parado acerta mais nas horas que o nosso ministro das finanças. A austeridade não parou de aumentar e é preciso colocar um ponto final neste círculo vicioso", acrescenta.

 

Estas foram algumas das razões avançadas pelo movimento para que, no sábado, milhares de pessoas venham para a rua em mais de 40 cidades em Portugal e no estrangeiro. "Não somos figurantes de um filme rodado nos gabinetes cinzentos da União Europeia", disse ainda João Gustavo.

 

Recusando fazer futurologia, o movimento espera, contudo, uma "manifestação enorme". "Queremos que seja a manifestação que o povo tem de fazer. Ela será o que as pessoas quiserem". Em seguida cantaram a Grândola.

 

Terminada a conferência de imprensa , os agentes da PSP em seviço no aeroporto identificaram João Gustavo e Nuno Ramos de Almeida, questionando, segundo este último, a razão porque ali se encontravam e o conteúdo das suas intervenções. 

 

Esta é pelo menos a terceira vez que elementos deste movimento se vêem envolvidos com a polícia e as autoridades judiciais, depois de Mariana Avelãs ter chegado a ser constituida arguida, após a conferência de imprensa que antecedeu a manifestação de 15 de setembro.

 

Uma outra ativista, Myriam Zaluar, foi acusada de desobediência por distribuir folhetos junto de um Centro de Emprego em Lisboa numa ação do Movimento Sem Emprego. A audiência deste processo está marcada 13 de março.


Retirado do Expresso

publicado por olhar para o mundo às 16:36 | link do post