Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

As Coisas da Cultura

Porque há sempre muito para ver e para contar

Porque há sempre muito para ver e para contar

As Coisas da Cultura

16
Abr13

Martin abraçou o pai na linha da meta e morreu na explosão

olhar para o mundo

Martin abraçou o pai na linha da meta e morreu na explosão

Quem foi correr a Maratona de Boston esperava que a meta fosse um lugar de conquista. Afinal, tornou-se num palco de perdas.

 

Chamava-se Martin, tinha oito anos e estava junto à meta da maratona de Boston à espera do pai. Tinha um prémio para o compensar do esforço. O pai chegou finalmente, ele abraçou-o e voltou para junto da mãe e da irmã. Segundos depois, foi apanhado na primeira explosão. Martin é uma das três vítimas mortais dos ataques desta segunda-feira. A mãe e a irmã ficaram gravemente feridas.

 

Não importa quanto tempo se demora a chegar, mas quando se corta a meta é sempre uma euforia. Tanto para quem corre como para quem fica a aplaudir. Seria esse o estado de espírito de Bill Richard quando chegou ao fim. O abraço do filho terá sido o único prémio que recebeu, até porque o relógio da maratona já marcava 4 horas, 9 minutos e 43 segundos. Os principais atletas profissionais tinham cortado a meta há hora e meia. Segundo o The New York Times, faltava um quarto dos cerca de 27 mil inscritos, sobretudo atletas amadores, com menos ritmo e que, por isso, demoraram mais a chegar ao fim.

 

Martin esperava o pai, ao lado da mãe e da irmã mais nova. Avançou para o abraçar e depois voltou para junto delas, enquanto o pai continuou a andar – parar é a pior coisa a fazer depois de correr 42 quilómetros. Foi então que a primeira bomba explodiu, eram 14h50 (hora local). Doze segundos depois, a segunda explosão. O menino morreu logo, a irmã perdeu uma perna, a mãe ficou ferida com gravidade e ambas continuam internadas.

 

E de repente, os aplausos e os gritos de incentivo deram lugar ao choro e aos gritos de horror. Havia sangue, vidros e pó por todo o lado. As tendas médicas instaladas na zona da meta para dar apoio aos corredores transformaram-se em autênticos hospitais de campanha. As imagens mostram pessoas ensanguentadas a serem levadas em braços, outras em cadeiras de rodas, pessoas a fugir e outras a ajudar os feridos com torniquetes improvisados.

 

Tapar os olhos


“Começaram a trazer as pessoas sem membros”, descreveu ao Daily Mail Tim Davey, um dos corredores que estava numa das tendas de apoio. A mulher, Lisa, tentou tapar os olhos aos filhos para que não vissem os feridos que iam chegando, com fracturas expostas, com os pés e as pernas amputados e com cortes no corpo. Um autêntico cenário de guerra.

 

Nickilynn Estologa, estudante de enfermagem que estava a fazer voluntariado numa das tendas, disse que viu várias crianças feridas e algumas pessoas mais velhas, na casa dos 60 anos. “Alguns estavam a sangrar da cabeça, tinham pedaços de vidro espetados na pele”, disse ao Daily Mail. “Uma pessoa tinha carne arrancada da perna, estava simplesmente pendurada”, contou, num desabafo.

 

O balanço oficial mais recente dá conta de três mortos – além de Martin, morreu uma mulher com cerca de 20 anos, segundo o Daily Mail, e não há informação sobre a terceira vítima. Um dos espectadores, Allan Panter, que aguardava a chegada da esposa, estava junto à mulher que morreu. “Vi pelo menos seis a sete pessoas no chão ao meu lado, protegeram-me da explosão. Uma senhora morreu, um homem perdeu ambas a pernas. (…) Não sei por que é que senhora morreu, não lhe encontrei qualquer ferimento no tórax”, conta Allan Panter à CNN.

 

Além das vítimas mortais há ainda 144 feridos, dos quais 17 em estado crítico. Algumas são corredores, que ainda tinham a t-shirt vestida, com o respectivo número de inscrição. Pelo menos dez pessoas foram amputadas. É o caso de dois irmãos que foram ver um amigo correr. Cada um deles perdeu uma perna, do joelho para baixo. Um tem 31 anos, o outro 33, segundo o Boston Globe. A mãe, Liz Norden, recebeu a notícia por telefone assim que chegou a casa depois das compras. Do outro lado, ouviu um dos filhos dizer “Mãe, estou muito ferido”. Estava na ambulância a caminho do hospital.

 

Segundo o Daily Mail, pelo menos oito feridos são crianças, incluindo um bebé de dois anos que estava na plateia a assistir à chegada dos corredores à meta. Ficou com ferimentos na cabeça. Uma menina de nove anos teve de ser operada à perna e um rapaz de 12 anos chegou ao hospital com uma fractura do fémur.

 

Os médicos não tiveram mãos a medir. A maior parte das vítimas apresentava ferimentos causados por objectos que normalmente se encontram em caixotes do lixo e na rua. “Pedras, pedaços de metal, latas de refrigerante”, descreveu um responsável das urgências do Brigham and Women’s Hospital, acrescentando que não encontrou nos ferimentos estilhaços de metal nem rolamentos. "Tudo o que vimos foi material comum que pode ter sido impulsionado pelo engenho explosivo", sublinhou, rematando: "Nunca vi nada como isto antes".

 

No entanto, em declarações à Reuters, uma fonte relacionada com a investigação explicou que os artefactos que explodiram eram compostos por pólvora e estavam cheios de rolamentos e estilhaços de metal, que teriam causado as amputações.

 

Retirado do Público

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub