Recomeçar uma história interrompida há 51 anos

Recomeçar uma história interrompida há 51 anos

Benfica regressa a Amesterdão para tentar conquistar um troféu europeu.

 

Cerca de dez quilómetros separam o passado do presente do Benfica. É esta a distância que separa o Estádio Olímpico de Amesterdão, onde o Benfica conquistou, a 2 de Maio de 1962, o seu segundo e último título de campeão europeu, e a Arena de Amesterdão, onde os "encarnados" disputam hoje a final da Liga Europa frente ao milionário Chelsea. 51 anos depois, o Benfica vai à procura de retomar uma bela história europeia que teve capítulos de sucesso nas suas duas primeiras finais, mas que não conseguiu retomar nas seis oportunidades seguintes que teve.

 

Das duas equipas, é o Benfica quem tem, sem dúvida, o melhor pedigreeeuropeu, com os dois títulos conseguidos numa altura em que o Real Madrid era a potência dominante. Mas é o Chelsea, construído à base dos bolsos sem fundo de Roman Abramovich, quem aparece como favorito. Não apenas porque é o actual campeão europeu, num dos desfechos mais inesperados da história da competição, mas também porque é o terceiro da Premier League, porque tem alguns dos melhores jogadores do mundo e tem um treinador, Rafael Benítez, com experiência destes grandes jogos.

 

O Benfica tem menos argumentos financeiros, mas tem demonstrado solidez durante a época - ao contrário do Chelsea, que despediu em Novembro o seu treinador campeão europeu e anunciou Benítez como "técnico interino" -, com uma constância de resultados só abalada pelos dois últimos jogos no campeonato e que colocaram em causa a conquista do título português, agora à mercê do FC Porto. O empate com o Estoril e a derrota no Dragão transformaram esta Liga Europa numa prioridade "encarnada" e é nesta prova que Jorge Jesus, que está na sua primeira final europeia, tem de apostar tudo.

 

Troféu dá visibilidade

 

Para o Benfica, apesar de se ter ficado pela fase de grupos da Liga dos Campeões, esta final de hoje é uma progressão natural e sustentada em relação a outras épocas. Há dois anos, foi uma meia-final da Liga Europa (perdida para o Sporting de Braga), no ano passado foi até aos quartos-de-final da Champions, apenas parado por um Chelsea sofrível que tinha acabado de despedir André Villas-Boas e que teve muita sorte naquela final em Munique com o Bayern. Vencer um troféu, mesmo que o segundo na hierarquia da UEFA, seria um relançamento do Benfica na alta-roda do futebol europeu.

 

Apesar de ter sempre assumido que o campeonato era uma prioridade, Jorge Jesus não esconde que lhe dá grande satisfação estar numa final como esta, com visibilidade internacional. "De certeza que vou ter mais passagens como esta, e estou a vivê-la com orgulho e satisfação", foi uma das suas primeiras frases na conferência de imprensa de ontem. Ele, Jesus, tem comandado o Benfica, passo a passo, neste crescimento europeu, e a Liga Europa será a validação que precisa para que reparem mais nele como um treinador de grandes méritos.

 

Vencer ou não esta final pode até mesmo ser o que faz a diferença entre Jesus continuar ou não no Benfica, até porque a renovação tem sido apenas uma demonstração de intenções por parte do próprio e de Luís Filipe Vieira, mas ainda sem a assinatura no papel. Numa época em que o Benfica podia (e ainda pode) ganhar tudo, esta final contra o Chelsea é "a" final que interessa, um reencontro com o seu estatuto europeu que se foi diluindo ao longo dos anos, e que 15 mil benfiquistas esperam ver hoje, ao vivo, renascer.

 

Não custa relembrar quem marcou os golos há 51 anos, a dez quilómetros deste Arena de Amesterdão: Águas, Cavém, Coluna e dois de um tal Eusébio da Silva Ferreira.

 

Retirado do Público

publicado por olhar para o mundo às 13:28 | link do post | comentar