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As Coisas da Cultura

Porque há sempre muito para ver e para contar

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03
Jan14

"Joaninha dos olhos verdes" no Teatro Nacional D. Maria II

olhar para o mundo

Joaninha dos olhos verdes

 

Inspirada no livro "As viagens na minha terra" de Almeida Garrett, a peça "Joaninha dos olhos verdes" de António Torrado, para além de pedagógica conta também com uma excelente interpretação de todo o elenco.

 

A peça centra-se no período da revolução francesa em 1834 e na disputa que em Portugal existe entre D. Pedro e D. Miguel.

Carlos, interpretado por Bernardo Chatillon é primo de Joaninha e neto de Francisca. Estuda em Coimbra e pertencendo ao movimento liberal de D. Pedro acaba por fugir para Inglaterra tal como muitos dos apoiantes do liberalismo.

Esta família tem também uma ligação ao Frade D. Dinis de quem nada se sabe a não ser Francisca que é muitas vezes maltratada verbalmente por ele.

Carlos ao chegar a Inglaterra é recebido por Mr. Smile e as suas três filhas. Smile tem como objectivo que Carlos case com uma das suas filhas e fique responsável por todos os seus negócios.

O amor de Joaninha por Carlos não esmorece, e continua pensando todos os dias nele, sucedendo o mesmo com Carlos que contudo acaba por se envolver com Georgina, filha de Mr.Smile.

Ao regressar a Portugal, Carlos junta-se às tropas de D. Pedro, que vence a contenda com D. Miguel. Entretanto Carlos ao ser atingido com um tiro acaba por ter as duas mulheres por si apaixonadas a seu lado, até melhorar. No entanto Georgina acaba por voltar para Inglaterra apercebendo-se do grande amor que Joaninha nutre por Carlos.

É nesta altura que se descobre que ao contrário do que sempre lhe disseram, o pai não faleceu, pois o mesmo é o Frade D. Dinis que teve um caso com sua mãe.

Em toda a peça, está Garrett, em versão quase fantasmagórica, que faz de Carlos quase uma marioneta, ou como diria Garrett, "tu és um prolongamento meu". Garrett é interpretado por João Grosso de forma suave, irónica e vibrante.

No final e pelo próprio Garrett ficamos a saber que Carlos se torna Barão pelos seus feitos, que Garrett desconhece, e que Joaninha se torna freira.

O encenador João Mota indicou que "após o ano passado termos aqui feito uma peça de Gil Vicente, este ano tinha que ser Garrett. Ainda pensámos fazer uma peça conhecida mas optámos por esta, isto porque é bom que os professores despertem para aquilo que não é tão conhecido, algo que o ensino não faz".

João Mota destaca também a luta "entre o absolutismo e o liberalismo que ocorreu em Portugal e de que quase ninguém fala, algo que penso que dado o estado da situação de Portugal torna esta peça bastante actual".

Os maiores desafios na montagem do espectáculo "foram a sala, pois é pequena e o vazio habita muito e isso é contraposto com uma excelente interpretação, onde o trabalho dos actores sai valorizado, neste melodrama que para além da poesia tem também uma inocência muito grande, na personagem da Joaninha. É uma lição de vida para todos nós para não sermos possessivos, egoístas e para termos gosto em viver".

Já João Grosso diz "que este papel é um bombom como qualquer papel que eu tenha de interpretar. É o trabalho do actor e claro que fazer Garrett me deixa satisfeito".

A química existente com Bernardo Chatillon "foi construída o longo dos ensaios, apesar de eu já me dar bastante bem com o Bernardo. Mas para além das indicações do João Mota, ao longo dos ensaios fomo-nos observando um ao outro e fomos melhorando vários aspectos".

O actor revelou que o maior desafio foi "estando eu no personagem do Garrett morto, o objectivo é eu não ser o personagem principal, até porque ele é o inventor e encenador da peça pois é ele que coloca todos aqueles personagens em movimento".

"Joaninha dos Olhos verdes" estreia a 04 de Janeiro e estará em cena até 09 de Fevereiro.

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