As relações ioiô e o Poliamor

Poliamor

 

As relações ioiô

 

Para o psicólogo clínico e sexólogo Quintino Aires, a incapacidade de assumir o compromisso é um reflexo da falta de maturação que se verifica nos jovens adultos atuais. Um estudo recente, citado pelo especialista, revelou que «46% dos portugueses até aos 35 anos, ainda não amadureceu». E é também esta imaturidade, segundo o especialista, a causa principal dos relacionamentos ioiô, que ora terminam, ora recomeçam.

 

 

Ana, de 38 anos, manteve uma relação deste género durante sete anos, que terminou recentemente, mas agora, garante que «é mesmo definitivo». Ao longo dos últimos anos, perdeu a conta ao número de vezes que terminou esta relação. «Sempre foi uma relação muito complicada. Desde o início, que, no máximo, estávamos duas semanas, sem discussões. Depois, surgia sempre um conflito qualquer e decidíamos terminar», recorda.

 

 

O psicólogo Nuno Amado alerta que «nunca é um bom fator de previsão de qualidade de uma relação que as pessoas já se tenham separado e reconciliado várias vezes». Quintino Aires é mais radical e diz que os relacionamentos ioiô são mantidos por pessoas que não gostam verdadeiramente uma da outra.

 

 

«Reconciliam-se porque, quando estão separadas, sentem saudade, desejo e angústia por estarem sós, mas depois voltam a terminar, porque, na verdade, não se amam. Duas pessoas que não olham da mesma forma para o mundo e/ou que não toleram a opinião uma da outra não se amam», sublinha o especialista.

O poliamor

A derrubar totalmente a estrutura tradicional de um relacionamento amoroso aparece o poliamor, um tipo de relacionamento em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Quem é adepto do poliamor defende que «não se trata de infidelidade, nem de promiscuidade, mas sim de uma honestidade total, em que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com elas».

 

 

Maria e Bernardo, ambos na faixa dos 30 anos, estão casados há um ano e assumem, com naturalidade, que tanto um como outro estão livres para se envolverem com outras pessoas. Já tiveram algumas relações extraconjugais, desde que estão juntos, mas, não passaram de encontros sexuais e, até ao momento, nunca se apaixonaram. No entanto, não excluem essa hipótese.

 

 

Vir a gostar de outra pessoa não implica, para eles, o fim do sentimento que os une. «Acima de tudo, privilegiamos a comunicação. Sempre que aparece uma pessoa nova que nos desperta interesse, consultamo-nos um ao outro para definir a melhor estratégia a adotar», conta Bernardo. E é precisamente essa honestidade que sossega Maria.

 

 

«Um dia pode surgir uma pessoa por quem nos venhamos a interessar amorosamente, mas isso não tem de afetar o que sentimos um pelo outro», diz. Para os psicólogos entrevistados, este formato de relacionamento materializa a incapacidade de criar vínculos emocionais, decorrente da imaturidade psicológica. Na opinião de Quintino Aires, «quem cria um vínculo emocional com uma pessoa rejeita naturalmente o envolvimento com outras pessoas».

 

 

Nuno Amado não acredita na sustentabilidade deste modelo a longo prazo e acha que, mais cedo ou mais tarde, o casal acaba por desistir dele. No entanto, ressalva que, «há exceções», como faz questão de sublinhar.

 

Retirado do Sapo Mulher

publicado por olhar para o mundo às 23:30 | link do post