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15
Jan14

Lição de beleza da "mulher mais feia do mundo"

olhar para o mundo

Lizzie Velasquez, a mulher coragem

Lizzie Velasquez, a mulher coragem

"O que vos define? O vosso passado? A vossa família? Os vossos amigos?". As palavras daquela que chegou a ser cruelmente apelidada de "mulher mais feia do mundo" correram as redes sociais na última semana e tornaram-se num exemplo de lição de vida. Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ouvir a história de Lizzie Velasquez, aqui fica um bocadinho sobre esta verdadeira mulher de coragem extraordinária.

 

A primeira vez que Lizzie se sentiu diferente foi no primeiro dia de escola. Os meninos tinham medo de brincar com ela porque era uma criança "diferente". Tantas vezes alvo de bullying no seu percurso esoclar, fez da resiliência uma das suas maiores respostas às agruras da vida. Principalmente quando em plena adolescência descobriu um vídeo no Youtube com fotos suas, onde era insultada de forma violenta e apelidada de "a mulher mais feia do mundo". A tristeza, raiva e zanga foram transformados em motor de arranque para uma coragem sem fim. E Lizzie é hoje uma jovem mulher de sucesso.

 

Enquanto mulheres dos quatro cantos do mundo desgastam a sua saúde em dietas loucas em prol da ditadura da beleza das estrelas de cinema e da moda, Lizzie luta precisamente para aumentar o seu peso. "Pouco se sabe sobre a minha síndrome. Há apenas mais duas pessoas no mundo com o mesmo problema e basicamente o que sei é que eu não consigo ganhar peso. Sim, soa tão bem quanto isto!", explicou com um sentido de humor, no mínimo, inspirador durante a sua participação na TEDx de Austin, nos Estados Unidos.

Tem apenas 29kg mas é um peso pesado enquanto fonte de inspiração


Lizzie nunca conseguiu passar dos 30kg, por mais que chegue a comer mais de 50 refeições por dia, sem limites para açúcares, gorduras e hidratos. Mede 1,57m, tem 24 anos e pesa actualmente 29kg. Com a doença perdeu a visão de um olho, mas o olhar positivo que tem para a vida, esse nada até agora lhe conseguiu tirar. Até porque, embora à nascença lhe tenham dado a sentença de um futuro em que andar ou falar seriam tarefas impossíveis, Lizzie terminou a faculdade em comunicação, já publicou livros e é atualmente oradora motivacional.

 

Estas histórias de esperança dão-me sempre que pensar. E o apelo de Lizzie para que cada pessoa se foque mais em si mesma e opte por gastar a sua energia de forma positiva, em vez de se afundar na raiva provocada por aquilo que os outros dizem de si, chega a ser tocante. Não me canso de repetir: a beleza não está só no aspecto exterior. Pode parecer uma frase batida ou um senso comum para inglês ver, mas a verdade é mesmo essa. Há beleza em todas as pessoas. Mais do que num rosto ao estilo de Hollywood, a beleza encontra-se em muitas outras coisas. Eu diria que começa na atitude com que cada um encara a vida.

 

Lembro-me de há muito tempo ter escrito aqui sobre uma mulher indiana cuja sensualidade me tinha marcado. Não porque tivesse um corpo escultural, mas porque um simples soltar de cabelo feito às escondidas da rígida sociedade em que vivia lhe conferia uma beleza e sensualidade extraordinárias. Alguns dos leitores do blogue disseram na altura que "uma gorda enrolada nuns trapos" não tinha nada de sexy e que até "um estrunfe" era mais sexy do que a doce Margana, que tanto me tinha tocado pela sua atitude. Comentários que, diria eu, estão ao mesmo nível dos miúdos que um dia decidiram achincalhar Lizzie em praça pública.

 

Esta frivolidade - vinda de adultos - quanto o tema é a beleza não deverá mudar assim tão cedo. Mas discursos como o de Lizzie Velasquez podem ajudar a quebrar o gelo. Já dizia Simone de Beauvoir: "A beleza ainda é mais difícil de contar do que a felicidade". Mas não podemos ser pequeninos quando a tentamos contar.


Assista à apresentação de Lizzie Velasquez:



Paula Cosme Pinto

Retirado do A Vida de Saltos Altos

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