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As Coisas da Cultura

Porque há sempre muito para ver e para contar

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05
Abr17

O cinema português no 14.º IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema Independente

olhar para o mundo

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O cinema português no 14.º IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema Independente

 

Sinal da genética missão com a mostra do melhor cinema português, o IndieLisboa 2017 volta a reforçar a presença de realizadores e filmes portugueses nas diferentes secções do festival. Um total de 24 filmes concorrem, em programas separados de curtas e longas metragens, aos grandes prémios da competição nacional em 2017.

Amor, Amor, o mais recente filme de Jorge Cramez, retrata as dúvidas sobre o que significa a entrada na idade adulta através do olhar de um grupo de amigos com 30 anos. Luz Obscura, o documentário de Susana de Sousa Dias, recria a história familiar do activista político Octávio Pato, a partir da memória de imagens dos arquivos da PIDE e dos testemunhos dos seus filhos. Encontro Silencioso, de Miguel Clara Vasconcelos, reflecte sobre a actualidade histórica, política e psicanalítica a partir da fantasia de uma estudante em retiro de praxe. Uma jornada pessoal em torno das alterações climáticas é a proposta de Dia 32, de André Valentim Almeida, um filme que nos desafia a pensar sobre os impactos da humanidade no mundo que habita. Fade Into Nothing, de Pedro Maia em colaboração com Paulo Furtado, dá continuidade à narrativa sobre a viagem de um homem só, iniciada em How To Become Nothing. Coração Negro, o mais recente registo ficcional de Rosa Coutinho Cabral, acompanha a degradação da vida amorosa de um casal à beira da ruptura.

Nas curtas metragens, de assinalar o regresso de Joana Pimenta (premiada no IndieLisboa 2014 com o seu primeiro trabalho) com o seu mais recente projecto Um Campo de Aviação, uma história fantasma acerca de cidades enterradas, civilizações perdidas e o colonialismo ocidental. Com um já impressionante presença em festivais internacionais desde a sua estreia em Janeiro, Ico Costa apresenta Nyo Vweta Nafta, um jogo entre o documentário e a ficção, que desmonta as várias texturas do comportamento humano e da vida diária de Moçambique nos dias de hoje. Também num retorno ao festival, André Ruivo estreia a divertida e irónica animação O Circo. Ubi Sunt, o híbrido e ecléctico projecto de Salomé Lamas é um filme sobre o tecido humano e urbano de uma cidade em expansão. Joosé Filipe Costa em O Caso J, aborda a violência policial no Rio de Janeiro, narrando uma história banal de tribunal para mostrar o teatro do implícito. A paisagem da lava é a proposta de Na Cinza Fica Calor, de Mónica Martins Nunes, onde acompanhamos os habitantes de Chã das Caldeiras na Ilha do Fogo (Cabo Verde). A comédia de enganos sobre as hierarquias contemporâneas estão espelhadas em O Turno da Noite de Hugo Pedro. As memórias da infância contadas através da animação de O Limoeiro, de Joana Silva; a viagem ao interior da paisagem e das gentes de Trás-os-Montes através do Guia de Portugal e de um realizador à procura do seu filme, é a proposta de Miguel Moraes Cabral em O Homem de Trás-os-Montes e a carta-memória-recordação é o filme Num Globo de Neve, de André Gil Mata. Há uma praga de hortências e as reflexões em torno do sentimento de pertença em Flores de Jorge Jácome e procuram-se os cruzamentos entre a humanidade e a genética modificada em Semente Exterminadora, de Pedro Neves Marques. Encontramos histórias da juventude no olhar de Diogo Baldaia em Miragem Meus Putos, o último momento antes da entrada no mercado de trabalho em Tudo o que Imagino, de Leonor Noivo, e a dialéctica entre as memórias e histórias de diferentes gerações de uma mesma família em De Madrugada, de Inês de Lima Torres. A olharem para outras expressões artísticas, From Vincent's House in the Borinage, de José Fernandes, com uma enebriante viagem à vida e obra de Vincent Van Gogh, e Antão, o Invisível, de Maya Kosa e Sérgio da Costa, que questiona o significado da visão nas artes plásticas.

Na secção Director's Cut (em contexto), a autobiografia póstuma ao cineasta Miguel de Guimarães em Nasci com a Trovoada, de Leonor Areal. A análise ao universo do cinema, a sua relação com a tecnologia e o papel do actor e espectador retratados no documentário Special A/Effects, de Filipe Afonso. E uma aproximação ao que poderia ser a apropriação de Serguei Eisenstein ao filme de John Ford resumida em Young Mr. Lincoln por Eisenstein, de Guilherme Rodriguez.

No IndieJúnior, o documentário de Hugo Santos, O Impacto da Música na Juventude anima algumas das influências mais importantes da música no crescimento humano. E Talasnal, de João Teotónio, retrata o processo de construção da banda Nome Comum na Serra da Lousã, na secção IndieMusic.

 

As Sessões Especiais incluem a estreia nacional de Colo, a mais recente longa metragem de Teresa Villaverde, estreada no último festival de Berlim; a estreia mundial de Rosas de Ermera, o documentário de Luís Filipe Rocha sobre a família de Zeca Afonso e a primeira longa metragem de Leonardo Mouramateus, António Um Dois Três. Nas curtas, destaque para A Construção da Villa Além, de Ana Resende, Miguel C. Tavares, Rui Manuel Vieira e Tiago Costa.

O IndieLisboa 2017 by Allianz é organizado pela IndieLisboa - Associação Cultural, com o apoio financeiro do Ministério da Cultura/ICA - Instituto do Cinema e do Audiovisual, da CML - Câmara Municipal de Lisboa, do Programa Creative Europe da União Europeia e da Allianz Portugal; em co-produção com a Culturgest e o Cinema São Jorge e em parceria estratégica com a EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, EEM.

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