Sexta-feira, 10.01.14

Chega de Pantera! Vamos uivar!

Já muito se falou de Panteras. Eu vou falar de Lobos. Prefiro assim.

 

Diz-se que o Lobo é um animal solitário mas na verdade não é.

 

O Lobo vive integrado num grupo tendo várias fases da vida em que se recolhe, é daqui que vem a sua fama de animal solitário. Ele aprende desde cedo - e gradualmente - até onde pode ir, a dar passos seguros. Vai ganhando experiência nos passos através das brincadeiras e só quando está preparado, é chamado - pelos mais velhos - a integrar as caçadas.

 

Nestas, o lobo aprende quem domina e quem se submete, quem comanda e quem é comandado, quem remata e quem defende. Aprende o que é o respeito. Aprende a técnica, a táctica e a estratégia.

 

Os mais velhos mostram-lhes como é. Os mais velhos e mais maduros, que já desbravaram todo o território por onde as crias brincam, debaixo dos seus olhos atentos, sabem quais são os perigos e os predadores. Pois, porque um predador também tem predadores. Mas o verdadeiro predador não fica agarrado à sua certeza nem à sua sabedoria. Ele desafia e desafia-se mantendo-se sempre atento ao que poderá ser uma oportunidade: sua ou de um outro.

 

Assim que estão suficientemente maduros, os jovens lobos têm que seguir caminho. Procurar e conquistar (se necessário) um terreno onde vão pôr em prática e repetir tudo o que lhes foi ensinado, desta feita, sozinhos. Fazer a sua própria vida sem a bênção do olhar dos anciãos. E seguir o mesmo caminho: procriar (ou não), ensinar (e aprender) e inevitavelmente morrer. E celebra sempre o nascimento, o crescimento e a morte. Celebra sempre este ciclo: a vida.

 

Devíamos ser mais como os lobos... Em vez de ficarmos a lamentar uma pantera saciada e cansada, devíamos subir ao cimo da rocha e uivar. O mais longe que pudermos. Foi isso que nos ensinaram antes de nos deixarem. Porque quem nos ensina nunca morre, e o uivo também é deles.

Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!


Marta Ramalho

 

Retirado de A Vida de saltos Altos

publicado por olhar para o mundo às 23:21 | link do post | comentar
Sábado, 07.12.13

"A dor de corno é lixada"

Maria Kang

 

Esta semana foi introduzido n'A Vida de Saltos Altos o termo selfie , a palavra que designa as pessoas que se fotografam a si mesmas e disseminam os registos pelas redes sociais. Mas o que parece ser a moda de ódio do momento são as mães que se fotografam, em corpos esculturais, após o nascimento da criança. E que de acordo com algumas reacções online já não cabem nesta classificação: "This is not a selfie. This is an act of war."

 

Contextualizando: Caroline Berg Eriksen publicou a foto, aqui reproduzida, quatro dias depois de ser mãe, com o intuito de refutar a tão celebrada tese de que o corpo da mulher nunca mais será o mesmo depois de uma gravidez. Este comportamento foi tido como o de uma "exibicionista sem vergonha", de alguém que "não podia pertencer à mesma espécie" e sempre em crescendo.

 

 Se as redes sociais são um espaço privilegiado para exibicionistas também se revelam o mecanismo por excelência para aqueles que são incapazes de lidar com diferentes opções, opiniões e acima de tudo com as suas frustrações. Pequenos ditadores que navegam livremente na web querendo fuzilar, nalguns casos conseguindo, aquilo que os ameaça. Uma reacção primária, portanto. O mais recorrente nestes casos é retirar as situações do contexto e por vezes entrar no esquema de que uma mentira dita muitas vezes se torna verdade, onde o espaço para o contraditório fica sempre a perder em shares e em likes vs o estalar da polémica.

 

Para além de uma genética favorecedora, Caroline dedica a sua actividade profissional ao Fitness e à aparência física. Fez exercício físico durante a sua gravidez e ganhou 9kg. E para aqueles que considerarem que a reacção inflamada possa ter a ver com o timmig, apenas 4 dias, desenganem-se: Maria Kang recebeu o mesmo tratamento quando colocou uma foto intitulada What's your excuse? onde posa com os seus 3 filhos, o mais novo com 8 meses e com abdominais trabalhados, num incentivo ao exercício físico. A sua página foi alvo da ira dos estômagos flácidos e a sua conta de Facebook bloqueada por três dias por denúncia de conteúdo ofensivo.

 

A inveja e a cobiça são coisas feias. Se as mães se preferem concentrar na criança e não em si é uma opção, se preferem fazer o contrário também e se preferem fazer as duas coisas ao mesmo tempo continua a ser a sua escolha. E todos temos que viver com as escolhas que fazemos. A figura pós-maternidade não tem que pairar como terror na cabeça das futuras mães e pode ser uma preocupação estética para as que a valorizam. Ninguém disse que era fácil nem fruto de milagre, as mães que posam orgulhosas dos seus corpos esculturais trabalharam para chegar a esse resultado, recorrem a uma alimentação saudável e são uma inspiração para as que querem e para as que estão a percorrer o caminho para lá chegar, a sua mensagem é que no seu próprio tempo também elas são capazes.

A preguiça, essa, é que é pecado mortal.


Retirado de A vida de saltos Altos

publicado por olhar para o mundo às 21:54 | link do post | comentar

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