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12
Mar13

Terra abre os olhos para procurar a origem do Universo com ALMA

olhar para o mundo

Terra abre os olhos para procurar a origem do Universo com ALMA

É o maior radiotelescópio do planeta. É inaugurado nesta quarta-feira, no deserto de Atacama, no Chile, e vai permitir observações inéditas de galáxias, estrelas, poeira e da origem da vida. Vem aí uma revolução.

 

É um supertelescópio, na verdade são 66 telescópios (antenas) a funcionar em conjunto e apontados para o céu, num deserto do Chile. O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) é literalmente uma infra-estrutura astronómica internacional que resulta de uma parceria entre a Europa, através do Observatório Europeu do SUL (ESO), a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile, e que envolve um investimento de mil milhões de euros. Muito dinheiro para ver melhor e mais longe o nosso Universo. Como nunca se viu antes.

 

“É o telescópio das origens”, resume José Afonso, director do Centro de Astronomia e Astrofísica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (CAAUL) e que acompanhou o processo de crescimento do ALMA como membro do Comité Europeu de Aconselhamento Científico.

 

No vídeo divulgado no site do CAAUL, o investigador explica por que estamos perante o instrumento que nos dará respostas sobre as origens: “Vai permitir observar em detalhe a origem das galáxias, das estrelas e a origem da própria vida.” Entre outras proezas que se adivinham, o ALMA promete, pela primeira vez, um conhecimento pormenorizado da química das nuvens interestelares, onde se acredita que se formem muitos dos compostos essenciais à vida.

 

O instrumento é especial porque possibilita observações que nunca foi possível fazer até agora em comprimento de onda do chamado milímetro e submilímetro. Nesta quarta-feira, data da inauguração oficial, estarão a funcionar 57 do total das 66 antenas que estão previstas (e que serão instaladas até ao final deste ano).

 

A localização do ALMA também é especial. Esta estranha e astronómica plantação de gigantescas antenas está idealmente situada a cinco mil metros de altitude no deserto de Atacama, no Chile, uma das regiões mais secas do planeta. Mas mais do que existe hoje é o que está para vir. “Espera-se que o ALMA revolucione o conhecimento da astronomia. Para muitas da perguntas que existem hoje, o ALMA será o primeiro a dar respostas”, defende José Afonso, que arrisca afirmar que estamos prestes a entrar numa nova era “pós-ALMA” marcada por um conhecimento mais aprofundado e completo do Universo.

 

“É um projecto de observação astronómica sem par até agora”, anuncia João Fernandes, astrónomo na Universidade de Coimbra, lançando as expectativas: “Espera-se com este sistema de radiotelescópios ficar a conhecer muito mais; por exemplo, como se formam as estrelas e os sistemas planetários. E, quem sabe, por comparação conhecer melhor como se formou o nosso Sistema Solar.”

 

“O ALMA é um projecto de 66 radiotelescópios que, como a palavra diz, faz observações da radiação entre o infravermelho e as ondas de rádio. É destinado por isso à observação de objectos frios no Universo. Os objectos que podem ser estudados com o ALMA são variados, tal como estrelas, sistemas planetários, galáxias e a até a radiação cósmica de fundo; ou seja, o eco do Big-Bang. Como termo de comparação, posso adiantar que a sensibilidade das observações do ALMA é várias vezes superior à do telescópio espacial Hubble”, explica João Fernandes ao PÚBLICO.

 

Mercedes Filho, investigadora do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, lembra ainda que “a motivação para a construção do telescópio ALMA foi estudar alguns fenómenos astronómicos que até então tinham sido pouco estudados devido à limitação da instrumentação”. A partir de agora, “o ALMA vai permitir estudar os chamados fenómenos frios ou menos energéticos do Universo, com um detalhe sem precedentes”, avisa.

 

A inauguração do maior radiotelescópio do mundo - em que estará presente o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato - pode ser seguida no sitehttp://www.almaobservatory.org/ em directo, a partir das instalações do Centro de Apoio às Operações do observatório, situado a uma altitude de 2900 metros nos Andes chilenos. A transmissão acontece entre as 14h30 e as 16h (hora de Portugal continental).

 

Retirado do Público

27
Set12

Hubble mostra a região 
do Universo mais longínqua, antiga e nítida de sempre

olhar para o mundo

Hubble mostra a região 
do Universo mais longínqua, antiga e nítida de sempreAs galáxias da imagem estão situadas numa pequena região da constelação da Fornalha (NASA)

´

O telescópio espacial Hubble fotografou o Universo na região mais distante de sempre e voltou a revelar uma imagem sem precedentes.

 

O Hubble já tinha apontado há 17 anos as suas potentes lentes para uma pequeníssima área do cosmos, que fica na constelação da Fornalha, que se vê do Hemisfério Sul. 

Essas imagens, então as mais distantes no Universo, resultaram de uma teimosia do director do Instituto Científico do Telescópio Espacial Hubble, que decidiu apontar o telescópio para um local longínquo, com poucas estrelas. Toda a gente lhe dizia que era um disparate gastar tempo de observação do telescópio, mais de dez dias ininterruptamente, a olhar para um sítio onde não havia nada. Puro engano: tanto a primeira dessas imagens, de 1995, como as seguintes, mostraram o Universo repleto de galáxias quando tinha apenas 800 milhões de anos. 

Mas agora, depois de gastar ao todo 23 dias a recolher luz de uma parcela desta mesma região, conseguiu não só uma maior nitidez desse pedaço do Universo, como ver mais longe. Só nessa região, agora a 13.200 milhões de anos-luz de distância, a imagem mostra 5500 galáxias. 

As 2000 imagens tiradas foram agora todas reunidas numa só. Este resultado é um salto em relação à imagem anterior. Os diferentes formatos das galáxias estão mais nítidos e mostram distinções entre elas. É possível observar galáxias cujo brilho é dez mil milhões de vezes mais ténue do que o olho humano vê.



A fotografia permite aos cientistas explorar o passado mais distante. O Universo existe há cerca de 13.700 milhões de anos, a Terra, por comparação, tem apenas 4500 milhões de anos. A idade do Universo é um dado importante quando olhamos para galáxias. Quando se observam objectos celestes que estão a 13.200 milhões de anos-luz, como as galáxias da fotografia, significa que a luz proveniente deles demorou todo este tempo a chegar até à Terra. 

“A maioria destas galáxias que agora vemos eram novas, quando ainda estavam a crescer. Muitas vezes este crescimento era violento à medida que colidiram e se fundiram com outras”, explica a Sociedade de Astronomia Americana. A galáxia mais jovem identificada formou-se “apenas” 450 milhões de anos depois do início do Universo, que começou com o Big Bang. Na fotografia, vêem-se também várias galáxias em espiral, que têm a mesma forma da Via Láctea, onde habita o nosso Sol e milhões de estrelas. 

Antes do Hubble ser lançado para o espaço, em 1990, as imagens mais distantes do Universo eram de galáxias a 7000 milhões de anos-luz, pouco mais de metade da distância que hoje a humanidade consegue ver cosmos adentro. Com o Hubble, o Universo continua a entrar-nos em casa.

 

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