Domingo, 07.04.13

Os truques dos médicos para burlar o Estado

Os truques dos médicos para burlar o Estado
Das 59 acusações feitas em 2012 pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde, 16 envolvem esquemas com remédios. Foi desmantelada uma rede que operava no serviço de Psiquiatria de um grande hospital e detectadas fraudes em Centros de Saúde do país.

O esquema funcionava em plena luz do dia no serviço de Psiquiatria de um grande hospital do país. Através de receitas prescritas por duas médicas – uma delas coordenadora – a enfermeira e o técnico administrativo daquele serviço aviavam, em nome dos doentes, um medicamento extremamente caro na farmácia, onde aquele técnico também trabalhava. A fraude envolvia sempre o Risperdal Consta, para a depressão e esquizofrenia, que é comparticipado a 100% pelo Estado e tem custos elevados: só uma embalagem de 50 mg custa 195,28 euros ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). Era este o ganho da ‘rede’ por cada embalagem. 

O esquema durou dois anos. Por serem tratamentos longos, os doentes tinham de ir ao hospital renovar a receita para adquirir o remédio nas farmácias, voltando depois para que a enfermeira o administrasse através de uma injecção. Mas esta e o cúmplice pediam às médicas que assinassem muitas mais receitas do que as necessárias. E se muitas vezes entregavam algumas aos doentes, ficando com as restantes, em outras situações nem davam aos utentes a prescrição, dizendo que lhes arranjavam os medicamentos. 

Prejuízos de 100 milhões 

Esta foi uma das situações investigadas pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), que no ano passado fez 59 acusações, a que o SOL teve acesso. E 16 delas são de fraudes com medicamentos. 

Alguns dos casos foram encaminhados para a Polícia Judiciária (PJ), que através da sua Unidade de Combate à Fraude no SNS já detectou 80 situações desde que iniciou funções, há menos de um ano. Segundo o ministro da Saúde, estão em causa prejuízos de quase 100 milhões de euros. 

No caso que envolve o serviço de Psiquiatria, a IGAS ordenou a suspensão dos quatro envolvidos, mas alega que não apurou a totalidade dos prejuízos por não ter sido possível ainda detectar a quantidade de receitas prescritas e usadas efectivamente pelos doentes, nos casos em que eram usados nomes de pessoas que estavam a ser tratados com Risperdal. Mas o inspector que investigou o caso diz ter conseguido contabilizar pelo menos sete mil euros em prejuízos para o SNS, só em receitas aviadas com doentes que não consumiram aquele produto. 

Receitas com centenas de comprimidos num só dia 

Outro dos esquemas punidos pela IGAS envolvia um médico de família que fez ‘um acordo’ com um delegado de informação médica. 

Auxiliado pelo pessoal administrativo, inscreveu doentes na sua lista e, sem estes saberem e muitos nem terem sequer ido ao centro de saúde, emitiu receitas em nome deles com medicamentos caros comparticipados a 90% pelo SNS. As receitas eram depois aviadas por outras pessoas em várias farmácias de Norte a Sul do país: os cofres do Estado foram lesados em pelo menos 30 mil euros e a IGAS ordenou a demissão do médico. 

Apanhado foi também um outro clínico que não dava todas as vias da receita aos doentes. Além disso, depois das visitas da proprietária de uma empresa farmacêutica, pedia às funcionárias administrativas que inscrevessem um certo número de doentes na sua lista e, nesse dia, sem nunca os ver, passava receitas falsas em nome deles com os produtos sugeridos pela farmacêutica. 

Por outro lado, receitava aos doentes enormes quantidades de comprimidos, muito acima do necessário. E isto com dezenas de medicamentos diferentes. Um dos casos dizia respeito à Sinvastatina, um produto para o colesterol 100% comparticipado pelo SNS. O médico «prescreveu 13 embalagens, num total de 780 comprimidos para 10 meses» – quando cada embalagem «traz 60 comprimidos», o que daria para «dois meses de tratamento», refere a IGAS no despacho de acusação, onde propõe a suspensão do profissional. 

Também foi o excesso de receitas a um doente que denunciou um psiquiatra: num só dia, prescreveu a uma pessoa 24 embalagens de Xanax (1440 comprimidos) e 14 de Socian (280 ampolas) que custaram 98,10 euros ao SNS. Já um outro médico de família foi descoberto a receitar medicamentos de um determinado laboratório, tendo depois recebido bilhetes para importantes jogos de futebol. 

Análises ao cancro sob suspeita 

Nas acusações da IGAS constam também casos em que são envolvidos profissionais com cargos de chefia. Por exemplo, um chefe de serviço de Clínica Geral e familiar foi detectado a passar 36 receitas a uma utente que não constava da sua lista de doentes, mas de uma colega: só aqui terá lesado o SNS em quatro mil euros. 

Muitos destes casos isolados são encaminhados para a PJ, que os investiga, detectando redes e prejuízos de milhões ao SNS. 

O Governo pretende reforçar a caça a esta fraude e vai aumentar o número de inspectores na IGAS. Ao mesmo tempo, o ministro da Saúde anunciou que vai alargar a investigação aos meios complementares de diagnóstico. «Há médicos que requisitam análises e outros meios de diagnóstico em excesso. E é preciso ver se é apenas má prática médica ou fraude», explica fonte do sector. 

Aliás, a IGAS acusou já em 2012 um médico de família que prescreveu «a muitos dos seus utentes meios complementares de diagnóstico, nomeadamente análises, em excesso e sem fundamentação» – lê-se no despacho de acusação. Pediu, por exemplo, hemoglobina para doentes que não eram diabéticos e passou requisições para a realização de marcadores tumorais numa periodicidade fora do normal. 

Além de apostar no combate à fraude, a IGAS privilegiou também a ‘caça’ aos médicos que não picam o ponto, ou seja, que recusam efectuar o registo biométrico de assiduidade. Ao todo, foram feitas 12 acusações a profissionais, grande parte directores e chefes de serviço. Um deles, confrontado pela IGAS, alegou «que não havia desinfectante junto aos terminais do sistema biométrico». 

De resto, a maioria das restantes acusações decretadas pela IGAS, em 2012, resultou de casos relacionados com negligência.

catarina.guerreiro@sol.pt

 

Retirado do Sol

publicado por olhar para o mundo às 21:52 | link do post | comentar
Sábado, 30.03.13

Anúncios de emprego recrutam cúmplices para redes de phishing

Falsos anúncios de emprego estão a ser usados por criminosos para angariar pessoas que ajudem a fazer sair do país dinheiro roubado de contas bancárias através de fraudes informáticas – os chamados esquemas de phishing.

 

Quem responde a estes anúncios de emprego acaba por receber um contacto a dizer que receberá uma transferência de dinheiro e que tem de encaminhar os fundos como parte das funções do novo emprego. Deve usar sistemas de transferência de dinheiro, como o Western Union, e reter uma parte a título de pagamento. O destino é normalmente o Brasil ou a Rússia, onde estes esquemas fraudulentos têm tipicamente origem.

 

Em muitos casos, é neste ponto que as chamadas money mules (designação também usado noutros esquemas fraudulentos, como o branqueamento de capitais) se apercebem de que estão prestes a participar numa fraude. Há quem decida fazer uma denúncia às autoridades. Mas, para quem está à procura de emprego, a tentação de ganhar rapidamente algumas centenas de euros pode ser demasiado grande. "É a exploração da fragilidade humana", diz o coordenador da investigação de criminalidade informática da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro.

 

Nem todas as money mules são recrutadas através de anúncios de emprego. Algumas são simplesmente pessoas conhecidas de alguém que faz parte da rede (àqueles cuja tarefa é encontrar mulas a polícia chama angariadores). O requisito das mulas é terem uma conta bancária no mesmo banco das vítimas - assim, a transferência do dinheiro é imediata (algo que não aconteceria se os bancos fossem diferentes) e o processo de enviar o dinheiro para fora do país pode ser feito em dois dias, às vezes até em apenas num, se a operação tiver começado de manhã.

 

Casos aumentam


O fenómeno de captura de dados para aceder a contas bancárias tem estado a crescer entre 15% e 20% ao ano em Portugal desde que "houve um boomentre 2009 e 2011", explica Carlos Cabreiro. Recentemente, a PJ anunciou a detenção de sete pessoas em Portugal por phishing. "Mulas, angariadores e alguém um pouco mais acima", refere o responsável, sem adiantar pormenores. Em Portugal, houve, ao longo de 2012, 1300 inquéritos nesta área. Destes, cerca de 800 foram na região de Lisboa, onde são mais fortes as comunidades de emigrantes da Rússia e do Brasil. Ao todo, estas fraudes terão rendido aproximadamente 1,4 milhões de euros. A PJ fez propostas de acusação em 60% dos casos. Sem ter números concretos, Carlos Cabreiro diz que o historial de condenações nesta área "não é famoso".

 

Há várias formas de obter os dados das vítimas de phishing. Há abordagens sobretudo técnicas, em que é instalado software malicioso no computador das pessoas, e outras que são aquilo a que se chama engenharia social: de forma simples, as pessoas são enganadas. Por exemplo, recebem um email, formatado para parecer de um banco, onde lhes é pedido para aceder a umsite, também desenhado para parecer o de um banco. Este site pede para que introduzam dados como a palavra-passe e os números do cartão matriz. E nem só aqueles que têm menos literacia informática caem na artimanha. "Há pessoas que não tinham razão nenhuma para terem caído, há quem actue com muito descuido", assegura Carlos Cabreiro.

 

Uma vez na posse dos dados e com as mulas seleccionadas para receber o dinheiro, é preciso contornar uma outra linha de defesa: a confirmação por SMS (o chamado SMS token) que os bancos pedem para transferências de valores mais elevados. Tipicamente, os criminosos fazem transferências nos limites máximos permitidos, o que requer que quem ordena a transferência receba no telemóvel um código de segurança, cujo prazo de validade é muito limitado e que deverá ser introduzido no site do banco.

 

Para ultrapassar este obstáculo, os criminosos pedem uma segunda via do cartão de telemóvel da vítima (o número pode já ter sido obtido por via dos emails fraudulentos). Em alguns casos, simplesmente enganam o funcionário na loja do operador de comunicações e convencem-no de que são o legítimo proprietário. Noutros casos, há um cúmplice nestas lojas, que emite a segunda via.

 

Depois disto, é preciso enganar novamente a vítima. Para a segunda via do cartão ficar a funcionar, é preciso que o cartão original não esteja ligado à rede. A técnica pode então passar por enviar uma mensagem à vítima como sendo do operador de comunicações, informando que esta deve desligar e voltar a ligar o aparelho com um pretexto inventado - uma actualização de software, por exemplo (outra possibilidade é infectar o telemóvel com software que o desligue). No momento em que o telemóvel da vítima é desligado, os criminosos podem simplesmente ligar um telemóvel com a segunda via do cartão e, assim, activá-lo para depois receber o SMS de confirmação do banco. As transferências para as contas das mulas são concluídas.

 

Mesmo com a cooperação das autoridades dos países envolvidos, chegar ao topo da pirâmide criminosa é uma tarefa complicada, admite Carlos Cabreiro. As investigações esbarram frequentemente na falta de dados para identificar quem levanta o dinheiro no país para onde as mulas o enviaram. Nesta última etapa, o dinheiro é simplesmente recebido mediante a apresentação de um número de controlo por alguém que se pode apresentar com uma identidade falsa.

 

Retirado do Público

publicado por olhar para o mundo às 22:45 | link do post | comentar
Quinta-feira, 31.01.13

“Monstro das bolachas” rouba emblema de empresa em troca de biscoitos para crianças

“Monstro das bolachas” rouba emblema de empresa em troca de biscoitos para crianças

Bolacha em ouro foi roubada da empresa Bahlsen. Uma carta assinada por alguém que assumiu a personagem da Rua Sésamo exige entrega de bolachas a hospital pediátrico.
Robin dos bosques? Não. Monstro das Bolachas. É assim que o autor do roubo do emblema em ouro da Bahlsen, uma das maiores empresas da indústria alimentar alemã, se auto-intitula na carta que enviou com um pedido de resgate à companhia para esta poder recuperar o seu símbolo. Na carta, acompanhada por uma fotografia de alguém vestido como a conhecida personagem da série infantil norte-americana Rua Sésamo, é exigido que sejam distribuídas bolachas a crianças internadas num hospital de Hanôver.Da estrutura com o emblema da Bahlsen, composta pelas estátuas de dois homens que seguram um arco com uma bolacha em ouro no centro, foi roubada a peça chave, com cerca de cem anos e 20 quilos de peso colocada a cinco metros de altura na sede da companhia em Hanôver, norte da Alemanha. O roubo ocorreu na semana passada mas só esta quinta-feira o autor se terá manifestado depois das autoridades alemãs terem iniciado uma investigação.

Numa carta escrita com palavras recortadas e enviada ao jornalHannoversche Allgemeine e também à Bahlsen, alguém que se apelida como Monstro das Bolachas reclama a autoria da iniciativa: “Tenho a bolacha! E vocês querem-na”. Fica depois a ameaça: se as exigências não forem respondidas o emblema vai ser deitado no caixote do lixo do Óscar, outra personagem da Rua Sésamo. A acompanhar esta frase está uma fotografia onde a bolacha dourada aparece a ser trincada pela personagem azul.À Bahlsen é pedido que entregue "bolachas de chocolate de leite" a crianças hospitalizadas e que a recompensa oferecida pela empresa em troca de informações sobre o roubo, mil euros, reverta para um abrigo para animais, avança a edição online do Spiegel.A autenticidade da carta está ainda a ser analisada pela polícia mas o verdadeiro Monstro das Bolachas já ofereceu a sua ajuda através do Twitterpara identificar o impostor que usa o seu nome.O presidente do grupo Bahlsen, Werner Bahlsen, está a acompanhar o caso e afirma que tudo fará para recuperar o símbolo da empresa que exporta bolachas e produtos associados para 80 países, Portugal inclusive. Entretanto, a Bahlsen já fez saber que pretende oferecer os seus produtos a 52 instituições de apoio social.Björn-Oliver Bönsc, porta-voz do hospital pediátrico de Hanôver, a instituição que o autor do roubo pretende beneficiar, disse ao Hannoversche Allgemeineque a unidade considera que este se trata de um "caso de extorsão” sem sentido, já que a Bahlsen “já fez muito pelo hospital e não precisa de ser chantageada desta forma”.
Noticia do Público
publicado por olhar para o mundo às 23:30 | link do post | comentar
Sexta-feira, 23.11.12

Só Vale e Azevedo é preso neste país?

Longe de mim estar a defender o Dr. Vale e Azevedo, mais depressa ia comprar o cd acústico dos Anjos, mas há algo de diferente neste caso. Quer na agilidade processual, nas sentenças e na exigência de cumprimento efetivo das mesmas há qualquer coisa de surpreendente em relação a casos similares. Ou Vale e Azevedo é a exceção que confirma a regra de que neste país quem apropria indevidamente milhões de euros, falsifica documentos à moda de Aristides Sousa Mendes (sem a parte altruísta e benemérita da coisa), branqueia capitais e pratica abuso de confiança, entre outros crimes reles mas de nome pomposo, é quase sempre promovido, ocupa cargos de destaque no mundo das finanças, empresarial e muitas vezes estatal, chegando alguns a conselheiros de altas patentes, outros vão para o estrangeiro a viver de não se sabe bem o quê, ou então algo está mal.

 

Outros, que não o Dr. Azevedo, não passaram na cadeia sequer o tempo que passam no elevador lá do prédio. Seja um elevador da rua Braamcamp, num apartamento novo, comprado a pronto, no centro de Paris ou numa estância paradisíaca de Moçambique. Num país dos sobreiros que cometem suicídio, do Freeport, dos submarinos que envolvem luvas que não calçam a nenhum português (um caso O.J. Simpson das Caldas), do BPN (o maior roubo organizado da história deste país), e de tantos casos em que ninguém, absolutamente ninguém vai preso, em que tudo se esquece , esfuma ou prescreve, Vale e Azevedo é uma espécie de parente pobre dos profissionais da 'charlatonice'. Um cristo de colarinho branco. Um exemplo do 'bom' funcionamento da justiça, a mesma justiça que todos sabemos estar putrefacta, o bode que expia os pecados de muitos, a vergonha de outros tantos e que encobre o iceberg em que ninguém ousa tocar.

 

Não tenho pena de Vale e Azevedo. Provavelmente já tratou, via uma empresa qualquer de nome atrativo sediada numa offshore, de apoderar-se dos terrenos da penitenciária sem gastar um cêntimo. Resta assumir o posto de director da mesma e colocar o actual a limpar-lhe a latrina, limar-lhe as unhas dos pés, servir-lhe o chá das cinco e engraxar-lhe os sapatos Zegna comprados na New Bond Street com um cheque de um primo qualquer condutor de limpa-neves na Suíça (como o outro de Oeiras, que não vai dentro nem à lei da bala, ainda vai ter de se entregar à polícia, coitado).

 

Resumindo: Vale e Azevedo esteve preso, foi arejar até Mayfair e está preso novamente. E os outros, são mais 'finos' que este?

 

Retirado de 100 Reféns

publicado por olhar para o mundo às 10:39 | link do post | comentar

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