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As Coisas da Cultura

Porque há sempre muito para ver e para contar

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As Coisas da Cultura

11
Fev14

Festival de Teatro de Almada distinguido com o Prémio da Crítica 2013

olhar para o mundo
Festival de Teatro de Almada distinguido com o Prémio da Crítica 2013

A Associação Portuguesa de Críticos de Teatro atribuiu o Prémio da Crítica, relativo ao ano passado, ao Festival de Teatro de Almada, apontado como "um caso exemplar do teatro português", divulgou hoje o júri.

 

O júri, constituído por Emília Costa, João Carneiro, Maria Helena Serôdio, Rui Monteiro e Samuel Silva, decidiu ainda atribuir três Menções Especiais aos espectáculos "Ah, os dias felizes", pelo Teatro Nacional São João, "Os meus sentimentos", por Mónica Calle, e "Rei Lear", pelo Teatro Oficina.

 

O Festival de Teatro de Almada celebrou no passado 30 anos de existências, e segundo o júri do Prémio, "reuniu muito daquilo que de melhor e de mais interessante foi sendo produzido em Portugal e fora dele".

 

Na justificação do prémio, o júri salienta que, no Festival, "a qualidade tem estado em incessante progressão, e a relação com o público é um modelo de funcionamento social das práticas artísticas".

 

"Tudo tem sido feito, contudo, sem concessões a populismo e gigantismo megalómano, e sem recurso à legitimação social e política que, em muitas das actuais políticas culturais, assenta essencialmente em pressupostos mercantilistas e quantitativos", afirma o júri.

 

"O Festival de Almada é, assim, um caso exemplar do teatro português", remata o júri.

 

Relativamente às menções especiais, sobre "Ah, Os dias felizes", de Samuel Beckett, pelo Teatro Nacional São João, no Porto, o júri justifica-a "pela exigência artística que o espectáculo revelava em todos os planos do seu conseguimento".

 

O júri sublinha a "singular exuberância cenográfica e de figurino, de Nuno Carinhas", a "brilhante iluminação de cena, de Nuno Meira, e uma exigente e calculada vivacidade na interpretação, de Emília Silvestre, inscrevendo nesta revisitação ao mundo de Beckett um sentido de possível desinquietação face ao esvaziamento da vida que nos cabe hoje viver".

 

Quanto a "Os meus sentimentos", afirma o júri que "Mónica Calle construiu um espectáculo admirável onde uma única actriz, com o movimento do seu corpo e a entoação da sua voz nas poéticas palavras de Dulce Maria Cardoso, coadjuvada por uma magistral selecção musical e por um irrepreensível jogo de luzes, seduziu o público durante cerca de sete horas".

 

"No mais minimalista dos cenários, a essência mágica do teatro", rematam os jurados.

 

A escolha de "Rei Lear", pelo Teatro Oficina, é justificada "pela reflexão sobre o papel do teatro nos nossos dias feita a partir de um texto clássico que assumia um lugar central em todo o espectáculo, apesar da actualidade com que se apresentavam espaço cénico, figurinos e modos de elocução".

 

Os jurados salientam "a encenação de Marcos Barbosa, que utilizava de forma inteligente o dispositivo cénico de Ricardo Preto para interpelar o lugar dos espectadores e dos atores, expondo-se estes de forma simples e próxima, e provando, assim, a maturidade da companhia".

 

No comunicado enviado à agência Lusa, a Associação Portuguesa de Críticos de Teatro afirma que "em breve" será divulgado "o local, dia e hora em que se realizará a cerimónia da entrega destes prémios".

 

Retirado do Sol

28
Set13

Critica de cinema: Diana

olhar para o mundo
Diana
Se há filme que se possa considerar “imune” ao que os críticos possam dizer, é este: a história daquela que terá sido a grande relação romântica de Diana, princesa de Gales, com o cirurgião paquistanês Hasnat Khan, iniciada pouco antes da célebre entrevista televisionada de 1995 e terminada poucos meses antes do acidente que lhe custou a vida em 1997.
O filme do alemão Oliver Hirschbiegel (A Queda, 2004) é apenas mais uma das incontáveis “adendas” à lenda em que a “princesa do povo” se tornou, e como tal embarca de consciência tranquila na imagem mitificada de Diana como uma mulher simultaneamente senhora e prisioneira do seu estatuto de figura pública. Aqui e ali, dá sinais de querer levantar um debate sobre o direito à privacidade, mas prefere sempre o lado do melodrama romântico de água de rosas sobre a princesa e o cirurgião, filmado com a competência anónima e descartável a que a “qualidade britânica” nos habituou. Duas estrelas, então, porquê? Uma para Naomi Watts - que, mesmo lutando contra a ausência de parecença física, consegue transcender o lugar comum do argumento e criar uma personagem de mulher, mais do que apenas colorir o retrato (sobretudo face a um Naveen Andrews perfeitamente canastrão e muito pouco à vontade). A outra porque este é um filme que arvora honestamente a perfeita consciência que tem do que lhe é pedido e do público a quem se dirige: uma daquelas edições especiais comemorativas das revistas de famosos cheia de fotografias e convenções.
Retirado Público
02
Jan13

Cinema: The Paperboy - Um Rapaz do Sul

olhar para o mundo
The Paperboy - Um Rapaz do Sul

Depois de Precious, Lee Daniels quis fazer um noir socio-tropical e saiu-lhe um monumento trash seventies como há muito não víamos

Já tínhamos percebido por Precious que, se há coisa que Lee Daniels não é, é discreto. Antes pelo contrário: o evidente, o óbvio, o sobrecarregado são marcas registadas do seu cinema, levadas ao limite neste Rapaz do Sul escandalosamente esgrouviado que adapta um romance dessa sub-estirpe que é o noir tropical. E que não é outra coisa a não ser um filme trash estonteadamente anos 1970 tipo Mandingo, onde assuntos supostamente de grande impacto sociológico eram usados como pretexto para uma titilação sexo-e-violência a piscar o olho aos bons costumes, com um jornalista da “grande cidade” (Matthew McConaughey) a regressar à sua terreola white trash para investigar um possível erro judicial.

Um Rapaz do Sul não está a fingir ser da década de 1970, nem a usar a piscadela de olho irónica do pós-modernismo (ou seja, nada de distanciamento, meta-ficção ou Tarantino aqui): é a real thing, um filme gloriosa e estrondosamente retro, onde tudo, da fotografia saturada em tom de humidade sulista aos figurinos na medida exacta de mau gosto, nos coloca no centro da tensão sufocante e latente dos conflitos raciais e sociais de uma América onde a cor da pele ainda era questão central. O crime nominal e a perversão da justiça daí resultante são meros pretextos para Daniels se comprazer na exploração das contradições evidentes de uma América tão puritana quanto hipócrita, numa radiografia psíquica de um Sul de anedota, numa espécie de pendant com o Morre e Deixa-me em Paz de Richard Linklater que perde sem apelo nem agravo. É que Daniels parece estar a provocar pela provocação, como um menino que se diverte a pôr os adultos a dizer asneiras - ou, no caso, Nicole Kidman a urinar para cima das queimaduras de alforreca de Zac Efron ou a masturbar-se frente a um John Cusack que quase se vem só a olhar para ela (e a actriz, deve dizer-se, submete-se a tais humilhações com a entrega e a dignidade suficiente para sair do filme não só intacta como engrandecida).

 

A seu favor, Daniels tem uma energia peculiar, uma vontade de cinema que pode não ser bem vista nem bem pensante mas que é, certamente, digna de nota, mesmo que depois a concretização esteja ao nível (canhestro, gongórico) de uma produção da American International pós-Corman. Mas, nessa sinceridade simultaneamente ingénua e escarninha, esconde-se um tropeção gloriosamente desastrado, um daqueles filmes que transcendem as classificações de “bom” e “mau” para se tornar em “o que raio é exactamente isto”, que só não é prazer culpado porque o prazer nunca deve ser culpado. É um grande filme? Não. É um grande filme trash como há muito tempo não víamos. Provavelmente, desde os anos 1970.

 

Retirado do Público

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