Sexta-feira, 30.08.13

O papel que mantém alimentos frescos, as auto-estradas que brilham no escuro e o computador de 25 dólares

O papel que mantém alimentos frescos, as auto-estradas que brilham no escuro e o computador de 25 dólares

Os Index, os mais valiosos prémios de design do mundo, distinguiram ainda em 2013 um simulador de partos e um plano de adaptação de Copenhaga às alterações climáticas.

Uma folha de papel que mantém frutas e legumes frescos pelo quádruplo do tempo normal, um simulador de partos para evitar a mortalidade, um computador que custa 25 dólares e dois projectos dinamarqueses que repensam as auto-estradas e as alterações climáticas são os vencedores do maior prémio de design do mundo, o Index 2013. São 500 mil euros a distribuir pelos vencedores, que conheceram quinta-feira à noite a selecção final do júri dinamarquês.

 

Os seleccionados este ano são então os projectos Smart Highway (que recebeu o prémio do público, votado no site do canal de notícias CNN), FreshPaper, o simulador The Natalie Collection, o Copenhagen Climate Adaptation Plan e o computador Raspberry Pi.

 

Um dos mais importantes prémios de design do mundo, especialmente no que toca ao design de produto, o Index distingue de dois em dois anos projectos de design que se reflictam na melhoria de condições de vida, estando dividido em cinco categorias: corpo, casa, trabalho, diversão e comunidade. Cada um dos premiados recebe 100 mil euros para aplicar na implementação e desenvolvimento das suas ideias.

 

Para o corpo, o simulador Mama Nathalie é uma proposta da Laerdal Global Health of Norway de um kit que visa a aprendizagem sobre o processo do parto de forma prática – uma espécie de simulador para parteiras pensado para atacar o problema da mortalidade infantil e materna durante o parto.  “Um piloto nunca pilotaria um avião sem treino adequado e simulação de voo. Por que é que uma parteira deve ser diferente?”, pergunta o jurado Ravi Naidoo à laia de atestado de importância do projecto. 

 

Já na categoria casa, a preocupação na base do desenvolvimento do Fresh Paper foi o desperdício alimentar vs. escassez. E um acaso: a designer e inventora Kavita Shukla ficou surpreendida pela eficácia de um chá de especiarias que a avó lhe deu quando bebeu sem querer água da torneira na Índia – que não era potável. Investigando as especiarias ao longo de anos, descobriu que aquele composto podia ser usado para manter os alimentos frescos. A patente do Fresh Paper, como explica o site dos prémios, foi fixada por Shukla aos 17 anos.

 

Feito de papel embebido em especiarias que inibem o desenvolvimento de fungos e bactérias, é hoje usado comummente em 35 países e basta colocá-lo numa prateleira do frigorífico ou numa taça de fruta. Do Fresh Paper nasceu a Fenugreen, uma empresa criada pela jovem designer para levar a sua invenção às zonas mais necessitadas do planeta.  

 

Uma experiência vinda da Universidade de Cambridge resultou no computador de 25 dólares que Eben Upton e os seus colegas de ciências de computação desenvolveram desde 2006, quando foram confrontados com a falta de experiência com hardware e software dos candidatos à sua universidade. “Se não conseguimos controlar a tecnologia, somos controlados pela tecnologia”, diz o jurado Ravi Naidoo. O prémio na categoria de jogo e aprendizagem foi para o pequeno Raspberry Pi, fabricado no País de Gales e gerido pela organização sem fins lucrativos Raspberry Pi Foundation, um computador suficientemente barato e simples para suscitar nos seus jovens (ou mais velhos) utilizadores a vontade de solucionar problemas de código e computação.

 

E da computação para as auto-estradas: o designer dinamarquês Daan Roosegaarde partiu de uma realidade que o espantava – os carros que conduzimos são cada vez mais inteligentes, mas as estradas continuam a ser cursos cinzentos sem novidades. Em colaboração com a multinacional dinamarquesa de desenvolvimento de projectos Heijmans Infrastructure, desenhou a Smart Highway, uma experiência rodoviária que espera concretizar ainda este semestre. Auto-estradas que brilham no escuro, tintas dinâmicas, tudo são ferramentas deste projecto vencedor na categoria Comunidade.

 

Trata-se então de um projecto em cinco fases para modernizar as auto-estradas europeias com nova tecnologia para agilizar formas de comunicação luminosa (para avisar quando a estrada escorregadia, por exemplo) ou mesmo de carregamento de carros eléctricos. “Não é uma estrada completamente nova, mas sim um kit de peças que podem ser aplicadas às estradas conforme o necessário”, explica Ravi Naidoo. “Não é só uma ideia engraçada – estamos a falar do futuro das estradas em todo o lado”, frisa o jurado Nille-Juul Sørensen.

 

projecto que adapta a cidade de Copenhaga às alterações climáticas foi também o vencedor na categoria comunidade, por ser uma solução integrada apoiada pela autarquia, mas também com capitais privados. “Uma cidade à prova do clima é mais atractiva como sítio onde viver e investir”, diz o presidente da câmara da capital dinamarquesa, Frank Jensen. Na prática, o plano identificou os principais desafios da cidade perante as alterações climáticas e estabeleceu uma lista de medidas a implementar para reduzir o seu impacto, dos avisos e sistemas de resposta a situações extremas à protecção especial das infraestruturas da cidade

 

Estes prémios são promovidos pela INDEX: Design to Improve Life, uma organização não-governamental dinamarquesa focada no design como ferramenta para o desenvolvimento sustentável.

 

Retirado do Público
 

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Segunda-feira, 17.09.12

Quando o design corre mal

 

A Nike teve de retirar do mercado um modelo cujo logótipo se assemelhava à palavra
A Nike teve de retirar do mercado um modelo cujo logótipo se assemelhava à palavra "Alá" (Reuters)
Recentemente, umas sapatilhas assinadas por Jeremy Scott geraram polémica, mas este foi apenas um dos exemplos. Revemos seis casos em que o design simplesmente correu mal ou foi longe demais.

Bruce Mau, designer canadiano, considera que o design só é notado quando corre mal. O austríaco Stefan Sagmeister, um dos gurus mundiais do design gráfico, diz ao PÚBLICO que, na maioria das vezes, “estas situações ocorrem por estupidez, pois todos somos estúpidos”. Para Frederico Duarte, professor na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha e na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, “o design deve pensar alto, mas ter os pés no chão”, pois é importante que as pessoas possam usar os produtos criados.

Por vezes, algumas soluções criam polémica e tornam-se problemas que os produtos acabam por ser retirados do mercado. Outros não passam de boas ideias, fabricadas mas sem aplicação prática. Mudanças repentinas de logótipos, tipos de letra de difícil compreensão, cores com segundas associações, ideias demasiado radicais, são casos em que o design gera debate. 

1. As sapatilhas que fizeram lembrar a escravatura 

Imagem design
Imagem: Adidas

Em Junho de 2012, um modelo de sapatilhas Adidas com grilhetas e correntes de plástico cor-de-laranja para prender aos tornozelos foram associadas à escravatura. Houve consumidores a pedir, sobretudo através das redes sociais, o boicote das “Roundhouse Mid Handcuff” desenhadas por Jeremy Scott. A marca começou por defender o designer, dizendo que este se inspirou num desenho animado e não nos tempos de escravatura, mas, à medida que a polémica se intensificou, a Adidas optou por retirá-las do mercado.

 

Noticia do Público

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