Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As Coisas da Cultura

Porque há sempre muito para ver e para contar

Porque há sempre muito para ver e para contar

As Coisas da Cultura

07
Set12

Festival de Veneza, Uma bomba com meninas de bikini dentro

olhar para o mundo

<i>Spring Breakers</i> é potente e grotesco, vai pela via sensorialSpring Breakers é potente e grotesco, vai pela via sensorial (DR)

 

Manoel de Oliveira não esteve em Veneza, mas Claudia Cardinale e Luís Miguel Cintra falaram por ele, e por O Gebo e a Sombra, em que os intérpretes são material humano e experiências. E depois há Bella Addormentata, de Marco Bellochio, filme que começa a terminar, em lógica onírica, febril. E uma bomba: Spring Breakers, de Harmony Korine, potente e grotesco.

 

A imagem original, a fantasia que faz cócegas no cérebro, foi a de um grupo de raparigas de bikini na praia, armas e balaclavas. (Nada de exagerar na fantasia: isto aconteceu muito antes das Pussy Riot, deve mais a sátira grotesca à la Russ Meyer...) Depois, imaginar um filme assim com um cast de actrizes de um universo teen benigno, do género Disney Channel ou High School Musical, e meter-se dentro do bikini delas e concretizar uma grosseria de drogas, álcool e sexo - não como quem perverte o que é puro, mas como quem olha para a realidade. 

Harmony Korine fez isso, e lançou a bomba no Festival de Veneza, Spring Breakers(concurso), que tem Selena Gomez, Ashley Benson, Vanessa Hudgens e Rachel Korine, as quatro raparigas que embarcam no ritual de férias de Páscoa (spring break), fazem um assalto e acabam na prisão, de onde saem com caução paga por um traficante de drogas e de armas, e rapper, que as vai querer usar para os seus negócios e para o seu prazer - James Franco diverte-se a construir uma silhueta com influências de Sean Paul, artista de dancehall, laivos de Bobby Peru (Willem Dafoe no Wild at Heart, de Lynch), por ser impossível desviar os olhos da situação dental, e a imprevisibilidade nas armas e o cabotinismo de Scarface/Al Pacino. 

O argumento foi escrito, contou Korine, em pleno spring break, com gente em redor a vomitar, a fazer sexo pendurado em candeeiros. O filme não vai pela via dos diálogos ou da narrativa, mas pela experiência sensorial - qualquer coisa de "líquido", palavra do realizador. Vêm à memória experiências como as de Gaspar Noé (IrreversívelEnter the Void), mas também a construção de uma fantasia pop, grotesca e monstruosa como a que Gregg Araki filmou emThe Doom Generation (1995), dizendo que era preciso perder o medo, contar com esse mundo, estava ali. Korine diz o mesmo ao falar de uma nova espécie, "os miúdos criados pelos videojogos, os television babies", geração para quem "o fosso entre o que se vê e o que se faz é cada vez menor". (Nestes casos diminui na rodagem, também, o fosso entre o fazer de conta e a experiência, e o filme aproveita essa dúvida no espectador e o seu voyeurismo: até onde eles foram, o que fizeram?...) E depois há Britney Spears, todo um mundo, os videoclips, a sensualidade gordurosa - a personagem de Franco às tantas lá se senta ao piano, junto ao mar, e lá vai balada -, e isso também foi uma "influência estilística", segundo o realizador. Como navegação sensorial, há momentos de intensidade explosiva em Spring Breakers; outras de abandono. E há momentos em que estamos com o filme e em que desistimos dele, para depois o apanharmos à frente. E apostando tudo nas superfícies, há também a eterna dúvida se não será superficial a proposta de gozo, susto e abjecção. É tudo isso, é potente e grotesco. Falta talvez o lirismo de Gummo (1997), mas o mundo é outro.

Marco Bellochio desperta fantasmas 

O filme começa a terminar, as imagens, até aí sempre escuras, nocturnas, começam a poder conviver com a luz, porque as personagens despertam de um sonho febril. É isto o que acontece ao espectador de Bella Addormentata, de Marco Bellochio (concurso), também - essa é a forma mais fiel de descrever a experiência que é ver este filme, o nevoeiro e a contradição, o tumulto, e depois uma clarividência que não se explica, a sensação que vem depois do cansaço, depois da intensidade.

Bellochio acabara de juntar uma série de personagens de ficção à volta de um caso verídico, o de Eluana Englaro, que ficou em estado vegetativo devido a um acidente, em 1992. Durante 17 anos, o pai solicitou às autoridades italianas permissão para interromper a alimentação intravenosa, de forma a que a filha pudesse morrer "naturalmente". Em Fevereiro de 2009, uma sentença judicial autorizou-o, depois de outras decisões em sentido contrário, e o caso tornou-se ponto de discórdia entre defensores e opositores da eutanásia.É para esses dias frios de Fevereiro de 2009 que Bellochio reenvia o espectador. Para um grupo de personagens com uma Bela Adormecida no centro (na verdade, vários adormecem e vários acordam neste filme): Tony Servillo é um parlamentar solicitado a seguir a fidelidade a Berlusconi, que acolheu o seu projecto de carreira política, e por isso deve votar contra a eutanásia, mas a sua consciência está noutro lugar - como noutro lugar ainda está a consciência da filha, que se manifesta ardentemente pelo movimento pela vida frente à clínica onde Eluana está internada (há um caso na família deste pai e desta filha, o da mulher e mãe, que, o filme revela depois, foi em tempos "ajudada" a morrer); Isabelle Huppert é uma actriz com ares de grande que abandonou a sua arte para esperar que a própria filha também desperte do coma - não é crente, mas coloca todo o seu know how na construção da sua persona, a de actriz-santa, que se sacrifica, que desfia a sua vida como um rosário à espera de que o milagre aconteça; e há quem, pura e simplesmente, queira acabar com a vida. 

A pedra de toque deste intenso Bella Addormentata é a forma como Bellochio vai passando de uma personagem para outra como se uma lógica onírica, febril, assegurasse por si só a coerência do edifício cinematográfico. A determinação da mise en scène é desencadear um encontro com pesadelos e fantasmas que fazem vigília na sociedade italiana. É verdade que alguém diz: "Não há Governo sem Vaticano." Mas é só fazer as alterações convenientes e a tirada deverá dizer respeito a todas as sociedades onde à Igreja Católica foi concedida plataforma de intervenção social, política e psicológica - logo, de dar forma a fantasmas.

Manoel de Oliveira e a sua sombra 

Claudia Cardinale fala de uma experiência de apenas "25 dias", o que é raro num filme, "porque é sempre um mês, um mês e meio", e recorda uma "energia incrível" - Manoel de Oliveira e a rodagem de O Gebo e a Sombra. 

Michael Lonsdale, que no filme faz as continhas da vida familiar para não deixar extravasar a pobreza (e não querendo deixar extravasar para a mulher, Cardinale, a verdade sobre o filho ausente, cujo regresso paira como benesse e ameaça), falou de um cineasta que teve a "gentileza" de chegar ao pé dele e dizer que não dirigia os actores porque eles sabiam melhor o que fazer. O Gebo e a Sombra, exibido em Veneza fora de concurso, foi "um dos filmes mais simples" - no sentido de algo "sem pretensão" - que Cardinale rodou em toda a sua carreira de cerca de 180 filmes. 

Luís Miguel Cintra, que poderá falar de Oliveira como nenhum dos outros, referiu-se à génese da última obra do cineasta, a peça de teatro de Raul Brandão, e à forma como o realizador permite que o presente ecoe nesse texto de 1923: uma peça sobre a pobreza passou a ser um filme "sobre o poder do dinheiro", algo que está de tal forma interiorizado no nosso quotidiano que todas as relações humanas ficam contaminadas. Isso, segundo Cintra, que esteve ontem em Veneza, com Cardinale e Lonsdale, a lançar O Gebo e a Sombra (o cineasta não compareceu), torna o filme "mais actual" do que o texto de Brandão.

Retoma-se aqui o prenúncio de apocalipse que estava enjaulado em A Caixa (1994), talvez um dos filmes mais mal amados de Oliveira. Tinha texto de Prista Monteiro e um teatrinho cruel metido em escadinhas lisboetas - um cenário "natural" tornado palco e artifício. Era a família, ou um pequeno grupo, como viveiro de qualquer coisa de desesperado e carnívoro, pois sobre esse habitat se abatiam as tensões e a crueldade do mundo. O novo filme regressa a um pequeno grupo enjaulado, com o final de um mundo a ler-se nas nuvens - a pobreza debilita a capacidade de sonho, também. Várias vezes a tonalidade aguçada normaliza-se numa rotina menos severa, mais abandonada, com registos intermitentes no filme, sendo isso talvez o resultado da forma como cada actor interpreta, sozinho, o que era isso de estar num filme de Oliveira. Será talvez o outro lado daquilo que faz a "modernidade" do cineasta, como revelou Cintra: esse querer que os intérpretes sejam material humano e experiências com as quais quer povoar os seus filmes, sem interferir neles, porque para Oliveira "a vida humana é mais importante do que a ficção".

O Gebo e a Sombra foi rodado em França e é falado em francês, mesmo pelos portugueses Ricardo Trepa e Leonor Silveira. Como contou um dos co-produtores, Luís Urbano, dos dois projectos que Oliveira lhe apresentou, esse já estava pronto a filmar e traduzido. Martine de Clermont-Tonnerre, a outra co-produtora, explicitou: filmar em França e em francês foi a forma de Oliveira agradecer o apoio dos críticos franceses ao seu Douro, Faina Fluvial, apupado na sua exibição portuguesa em 1931.

 

Noticia do Público

29
Ago12

Sexo e cientologia agitam bastidores do Festival de Veneza

olhar para o mundo

Sexo e cientologia agitam bastidores do Festival de Veneza

Zac Efron será uma das estrelas a passar pelo tapete vermelho de Veneza

Questões polêmicas e astros sem muita tradição formam arsenal escasso do evento

 

O Festival de Veneza, que começa nesta quarta-feira, 29, e segue até 9 de setembro na cidade italiana, está apostando em sexo e na cientologia. Tudo para provocar o tipo de rebuliço de que o mais antigo festival de cinema do mundo precisa para estar à frente de um número cada vez maior de rivais. No ano em que celebra seu 80º aniversário, o evento anual compete com Toronto para atrair os melhores filmes e os maiores astros para seu tapete vermelho, além de esfuziante circuito de festas.

 

A mostra da cidade tem ainda novo desafio, um festival realizado em novembro, em Roma, que aumentou suas credenciais ao contratar o respeitado diretor artístico de Veneza, Marco Mueller. Mueller está sendo substituído por Alberto Barbera, que está bem ciente de que preços elevados e a difícil infraestrutura no Lido favorecem os rivais. "Roma e Veneza estão indo para suas novas edições como boxeadores para um ringue", disse o crítico Jay Weissberg, do jornal de negócios Variety, de Hollywood. Ele escreve a partir de Roma e acompanha de perto os festivais italianos. "A guerra de palavras já chegou à imprensa nos últimos dois meses."

 

Barbera introduziu pequeno mercado de filmes este ano para tornar Veneza mais atraente comercialmente para os estúdios, embora haja dúvidas sobre quantos negócios essa iniciativa vai gerar. Mas sua principal tarefa é atrair uma seleção de filmes que garanta a presença de artistas classe A, burburinho na mídia e a divulgação mundial de cinema de alta qualidade e baixo orçamento. No papel, o festival parece promissor.

 

Não há nenhum George Clooney, presença constante em Veneza, e o festival não terá pesos-pesados como Angelina Jolie e Johnny Depp. Mas um grupo de artistas vai compensar e ajudar a revigorar a imagem do festival. Zac Efron e Shia LaBeouf, populares artistas norte-americanos na faixa dos 20 e poucos, estão tentando se distanciar de musicais e blockbusters, enquanto a atriz e cantora da Disney Selena Gomez, que namora o canadense Justin Bieber, está na cidade para promover uma série de filmes de que participou este ano.

 

Robert Redford e Julie Christie representam a velha geração e, com Rachel McAdams, Ben Affleck e o imprevisível Joaquin Phoenix, estão entre as grandes atrações para rodadas de entrevistas e fotos depromoção de seus filmes. O longa mais falado no festival poderá ser The master, história de Paul Thomas Anderson sobre um culto religioso que, segundo críticos que o viram, se assemelha com a cientologia. Segundo o que foi publicado, Anderson disse que o papel de Lancaster Dodd, interpretado por Philip Seymour Hoffman, foi inspirado em L. Ron Hubbard, fundador da Igreja da Cientologia.

 

Mesmo assim, Anderson e a distribuidora Harvey Weinstein têm minimizado as comparações com a religião, que tem entre seus seguidores os atores Tom Cruise e John Travolta, mas é considerada por oponentes como um culto que persegue as pessoas que pretendem abandoná-lo e coage os fiéis a pensarem do mesmo modo.

 

Noticia de UAI

28
Jul12

Portugueses no Festival de cinema de Veneza: O Gebo e a Sombra e As Linhas de Wellington

olhar para o mundo
Manoel de Oliveira regressa novamente a Veneza
Manoel de Oliveira regressa novamente a Veneza (AFP)

Entre os 17 títulos a concurso no festival de cinema há filmes de Terrence Malick, Brillante Mendoza, Brian de Palma, Harmony Korine, Olivier Assayas, Kim Ki-Duk ou Takeshi Kitano.

 

Duas produções portuguesas, O Gebo e a Sombra, de Manoel de Oliveira, e As Linhas de Wellington, de Valeria Sarmiento, estão seleccionados para o Festival de Veneza. O primeiro fora de concurso, o segundo em competição. As Linhas de Wellington é o filme que Raoul Ruiz não conseguiu concretizar antes da sua morte, em 2011, e que foi prosseguido pela companheira, a realizadora Valeria Sarmiento. Recria as invasões francesas em Portugal, no começo do século XIX, quando o general Arthur Wellesley, duque de Wellington, liderou um exército anglo-português e utilizou uma estratégia defensiva com base numa linha de fortificações que protegia Lisboa - as Linhas de Torres Vedras. Há um exército de intérpretes, por isso: John Malkovich, Marisa Paredes, Nuno Lopes, Carlotto Cota, Albano Jerónimo, Soraia Chaves, Maria João Bastos, Catherine Deneuve, Michel Piccoli, Mathieu Amalric. A produção é de Paulo Branco.

Durante a rodagem, Valeria Sarmiento, em declarações à Lusa, salientava a importância de "recordar, num momento difícil em que está a Europa, que ela foi construída a partir de muitas guerras." O filme de Oliveira, produção de O Som e a Fúria, dirige-se também ao presente a partir da forma como Raul Brandão, em 1923, retratava o pós-I Guerra na sociedade portuguesa, a pobreza, a honra, os sacrifícios. Do filme se diz já, em citações da imprensa internacional, ser um dos mais minimalistas do realizador, com a simplicidade dos grandes mestres. Cast: Michael Lonsdale, Claudia Cardinale, Jeanne Moreau, Leonor Silveira, Ricardo Trêpa, Luís Miguel Cintra. O filme estreará em Portugal, pela Lusomundo, a 27 de Setembro. Em França terá a sua estreia a 19 de Setembro.

Festival de Veneza, de 9 de Agosto a 8 de Setembro. A abrir, fora de concurso, The Reluctant Fundamentalist, da realizadora Mira Nair, que em 2001 venceu o Leão de Ouro com Monsoon Wedding. Um jovem paquistanês tenta vencer em Wall Street e as suas aspirações são apanhadas por dilemas morais e políticos. Um filme em cenário de fundamentalismos, "para pensar", segundo o director da mostra, Alberto Barbera. Deve ser isso o programa de um "filme de abertura": trazer tema(s).

E depois desfilarão 17 filmes em concurso, assim se concretizando a tal edição mais sóbria e com menos filmes com que o novo director, que sucede a Marco Müller, tenta aguentar um festival em tempos de crise. Obras de Olivier Assayas (Après Mai, ou seja, depois de Maio de 68), os italianos Marco Bellochio, Daniele Ciprì e Francesca Comencini, os americanos Brian de Palma (Passion, thriller erótico muito à la Mulholland Drive), Harmony Korine (Spring Breakers) e Terrence Malick (To the Wonder) ou os asiáticos Kim Ki-Duk (Pieta), Takeshi Kitano (Outrage Beyond, a continuação de Outrage, que ainda não estreou em Portugal) e Brillante Mendoza, que num ano apresenta dois filmes em festivais: Captive em Berlim, e agora Thy Womb - tal como em 2009, com Kinatay em Cannes e Lola em Veneza, naquele que foi um momento decisivo para a implantação internacional do filipino. É no Lido que veremos também o segundo tomo da trilogia Paradies do austríaco Ulrich Seidl. Depois de Amor, visto em Cannes, seguindo o despertar sexual de uma cinquentenária nas praias do Quénia, a Fé. Em Berlim será tempo de Esperança.

Fora de concurso, para além de Oliveira e do filme de abertura: um documentário de Spike Lee na comemoração dos 25 anos de Bad, de Michael Jackson (Spike, recorde-se, realizou para o Rei da Pop o clip de They Don"t Care about Us); The Company you Keep, de Robert Redford; ou Witness: Libya, de Michael Mann, episódio de uma série da HBO, de que Mann é produtor, sobre a actividade de fotógrafos em cenários de guerra. Mann presidirá ao júri da competição desta 69.ª edição.

Valerá a pena a aventura pela secção Horizontes, dedicada a uma vertente exploratória - é aí que está Three Sisters, de Wang Bing -, e pela secção que apresentará clássicos restaurados, como Fanny e Alexander de Ingmar Bergman ou os 219 minutos de As Portas do Céu, de Michael Cimino, o tal filme cujo fracasso - e má reputação do realizador - deu o golpe de misericórdia no sonho de uma geração que ficou conhecida como a dos movie brats.

 

Noticia do Público

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub