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As Coisas da Cultura

Porque há sempre muito para ver e para contar

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23
Mai17

Terras sem Sombra - Um diálogo ibérico em Ferreira do Alentejo, com o rio Sado ao fundo

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elena gragera.jpg

 

Um diálogo ibérico em Ferreira do Alentejo, com o rio Sado ao fundo

Espanha é o país convidado do Terras sem Sombra em 2017, facto que abre o Alentejo a uma pioneira apropriação do universo ibérico, permitindo assinalar inúmeras pontes, visíveis e invisíveis, entre os dois lados da fronteira. Como fio condutor desta proposta de Juan Ángel Vela del Campo, o director artístico do festival, divisa-se uma realidade peninsular extremamente rica do ponto de vista musical, em que sobressai a herança lírica comum. 

O diálogo Ibérico vai ser aprofundado em Ferreira do Alentejo no próximo sábado, 27 de Maio, às 21h30, na igreja matriz de Nossa Senhora da Assunção, conhecida pelas tradições musicais e pela excelente acústica.. Sobem ao palco dois intérpretes que suscitam enormes aplausos do público e da crítica: a mezzosoprano extremenha Elena Gragera e o pianista catalão Antón Cardó.
 
Quando literatura e música dão as mãos

O concerto Um Espaço Comum: Aspectos da Tradição Lírica em Portugal e Espanha centra-se nesta herança poético-musical tal como ela foi descoberta (e, de certo modo, reinventada) por grandes compositores dos sécs. XIX e XX, a partir de textos medievais e renascentistas – dos cancioneiros galaico-portugueses a Gil Vicente, Luís de Camões e Sá de Miranda. Estes autores escreveram boa parte das suas obras em castelhano, língua com enorme expressão literária no período quinhentista.

Resultou daqui um extraordinário património lírico comum, em termos literários e musicais, que Elena Grajera e Antón Cardó dão a conhecer com mestria, revisitando igualmente peças fundamentais do lied alemão e da chanson francesa que se inspiram em textos de escritores peninsulares daquelas épocas, com realce para as composições de Schumann, Schubert e Gounod. 

Gragera é uma exímia conhecedora do repertório romântico e contemporâneo e as suas interpretações caracterizam-se pela originalidade, suscitando programas inovadores que conquistam projecção internacional.
A cantora, oriunda da Extremadura é uma apaixonada pela música portuguesa, que domina como poucos e tem difundido em palcos de todo o mundo. Antón Cardó, por seu turno, revela-se um pianista de finíssima sensibilidade, formado entre a França, a Polónia e a Rússia, que faz parte do escol dos intérpretes do lied.

Um aspecto a sublinhar: os belos textos em castelhano de Gil Vicente, Camões e Sá de Miranda figuram, no catálogo desta edição do Festival, em traduções do poeta alentejano Ruy Ventura. É a primeira vez, pelo menos na época moderna, que este tesouro literário passa a estar disponível no idioma português.
 
Revelar os segredos do património local e do rio Sado

A tarde de sábado é consagrada a uma visita ao centro de Ferreira, com início na matriz, às 14h30, sob a orientação do historiador de arte José António Falcão. O percurso tem como principais alvos, depois dessa igreja, a capela do Calvário, de forma circular, que corresponde a uma velha tradição alentejana; a ermida de Nossa Senhora da Conceição, ligada à devoção de um natural da terra que acompanhou Vasco da Gama à Índia; e o Museu de Arte Sacra, na antiga igreja da Misericórdia. Ao longo do périplo, concebido em parceria com o Museu Municipal, serão igualmente observados outros aspectos do património local, com destaque para a arquitectura civil, o urbanismo e as indústrias tradicionais.

Na manhã de domingo, 28, realiza-se uma acção de salvaguarda de biodiversidade que levará os voluntários do Terras sem Sombra ao Sado, um rio ilustre, mas ainda desconhecido, cuja presença na opinião pública anda sobretudo ligada à reserva natural do seu estuário. Porém, existe um “outro” rio, ainda cheio de segredos: um rio continental, afastado da influência marinha, mas que possui enorme valor ambiental e constitui um forte elemento identitário para as populações vizinhas.
Ao longo de um percurso de 180 km, desde que nasce na Serra da Vigia, em Ourique, a 230 m de altitude, até ao estuário, junto à cidade de Setúbal, o Sado sofre várias agressões, causadas não só pelas barragens, mas também pelos rejeitados de minas, pela agricultura intensiva, pelos efluentes urbanos e pelos areeiros, entre outros factores. Torna-se necessário, por isso, valorizar o seu conhecimento e sensibilizar para a sua preservação.

Esta iniciativa, fruto da colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, o Município de Ferreira, a Agência Portuguesa do Ambiente e a Universidade de Évora, visa promover um diagnóstico do curso médio do rio, de modo a inventariar a biodiversidade (particularmente das galerias ribeirinhas) e avaliar a qualidade da água. A aldeia de Santa Margarida do Sado e a sua igreja gótica, enquadrada por notáveis vestígios arqueológicos, vão igualmente reter a atenção dos visitantes.

De entrada livre, o Festival Terras sem Sombra prolonga-se até  2 de Julho e segue para Sines e Beja. Um hino ao Alentejo: à beleza dos seus espaços naturais e ao prazer da descoberta dos tesouros artísticos e paisagísticos.

Programa Ferreira do Alentejo
 
Património
14:30 – 17:30 – Visita guiada ao Centro Histórico
Local em destaque - Capela do Calvário
Ponto de encontro – Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção
 
Música
21H30 – Um Espaço Comum: Aspectos da Tradição Lírica em Portugal e Espanha
Local - Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção
Meio-soprano: Helena Gragera
Piano: Antón Cardó
 
28 de Maio
Biodiversidade
O Sado – diagnóstico de um rio (ainda) desconhecido
10H00 – Partida - Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção
29
Jun13

Crianças do Alentejo levam à cena “O Principezinho” de Saint Exupéry

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Crianças do Alentejo levam à cena “O Principezinho” de Saint ExupéryCrianças do Alentejo levam à cena “O Principezinho” de Saint Exupéry

No âmbito da vertente cultural e pedagógica do Festival Terras sem Sombra foi feito um desafio às escolas das freguesias de Melides, Carvalhal e Comporta no sentido de apresentarem um peça de teatro.

 

Deste modo centraram o objectivo no musical “O Principezinho”, de Victor Palma, uma adaptação da obra de Saint-Exupéry, num trabalho que abrange as artes e a educação ambiental. 

A estreia terá lugar pelas 21:30 do dia 29 de Junho, no recinto de feiras do Carvalhal, sendo os actores e os figurantes os próprios alunos, dirigidos pelo maestro Nuno Lopes, do Teatro Nacional de São Carlos, e acompanhados pelo Coro Juvenil de Lisboa. 


A direcção coreográfica é de Maria Luisa Carles, da Companhia Nacional de Bailado

 

Segundo Nuno Lopes, esta iniciativa surge numa perspectiva de dinamizar a comunidade escolar na vertente artística. “Com o gosto e a disciplina transmitidos pelo ensino da música – salienta Nuno Lopes –, as crianças ligam-se ao canto, aos instrumentos, ao movimento e, finalmente, ao espectáculo em si.” 

A escolha recaiu na bonita e poética escrita de Antoine de Saint-Exupéry pois, como explica Victor Palma, “tal como a história do Principezinho, um menino que vive sozinho com a sua rosa no asteróide B612, nos deixa a mensagem de que "o essencial é invisível aos olhos", também nós, através deste projecto, pretendemos demonstrar às crianças e à população local, que a cultura e o ambiente são fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade, e que o seu comportamento e práticas sustentáveis tem repercussões evidentes nestas duas áreas tão sensíveis”.

 

Retirado do HardMúsica

04
Jun13

Festival Terras Sem Sombra - O PAÍS DAS UVAS DESTACA-SE NA PRESERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

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O PAÍS DAS UVAS DESTACA-SE NA PRESERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

Festival Terras sem Sombra evocou a sintonia perfeita entre a natureza e o homem

 

O Festival Terras Sem Sombra continua a percorrer os caminhos do Alentejo: este sábado, 1 de Junho, a igreja matriz de S. Cucufate encheu-se, “até não caber um alfinete” – como dizia uma habitante da terra –, para ouvir As Estações de Joseph Haydn, por um trio ibérico de excepção, composto pela soprano Carmen Romeu, o barítono Luís Rodrigues e o tenor Mário João Alves, a que se associaram o Coro do Teatro Nacional de S. Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a batuta do maestro Donato Renzetti (Giovanni Andreoli ocupou-se da direcção do coro). Seria difícil encontrar melhor enquadramento em Portugal para esta oratória, repleta de episódios bucólicos, em que Simão, um camponês (Rodrigues), Ana, a sua filha (Romeu), e Lucas, o esposo desta (Alves) propõem, em alternância entre recitativos e árias, uma reflexão acerca das relações entre a natureza e o homem, num mundo quase paradisíaco.

 

Entusiasmados pelo cenário de transcendente beleza que o monumento oferece e acalentados por um público atento, o virtuosismo dos intérpretes e a direcção magistral de Renzetti brilharam, arrancando sucessivos aplausos logo desde a primeira parte do concerto. Tudo concorreu aqui – a começar pela noite estrelada – para tornar esta etapa da 9.ª edição do Terras sem Sombra uma sucessão de momentos mágicos. Não restam dúvidas de que experiências como a presente permitem entender a importância que a música pode desempenhar na dinamização não só de um património histórico-artístico de excepção, como é o caso das igrejas da Diocese de Beja, mas também do tecido social de uma região ainda pouco conhecida.

 

No dia seguinte, os músicos, deixando os instrumentos a bom recato, associaram-se a várias dezenas de espectadores e voluntários da terra e rumaram à ermida quinhentista de Santo António dos Açores para uma acção focada na avaliação do impacto e da sustentabilidade da rica biodiversidade local, em colaboração com o Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM) da Universidade de Évora. A temática da ruralidade abordada no concerto da véspera veio aqui à luz do dia, tendo como epicentro o montado, paisagem predominante no Alentejo. A sua importância é especialmente visível quando, face à evidente perda ecológica, combatida pelo Plano Estratégico para Biodiversidade implementado pela ONU na Década da Biodiversidade (2011-2020), se observa que este sistema natural contribui para uma clara valorização dos recursos biodiversos.

 

Como referiu o biólogo João Rabaça, professor da Universidade de Évora e investigador do ICAAM, “as transformações na paisagem mediterrânea, em especial na Península Ibérica, permitiram criar uma sustentabilidade agrícola, silvícola e pecuária, onde o montado não é mais do que uma transformação, benigna, para um melhor usufruto daquilo que o meio natural tem para oferecer”. E acrescentou, a título de ilustração: “a «manta de retalhos» que marca o território visível das colinas de Vila de Frades é um exemplo perfeito da biodiversidade no seu esplendor, adquirindo aqui um grande valor, num sistema criado e mantido pelo homem e que se pauta pela sintonia perfeita entre o Homem e a Natureza”.

 

O grande obstáculo reside, explicou por seu turno Nuno Ribeiro – engenheiro florestal, também docente e investigador do ICAAM –, em relação ao trabalho de campo e às boas práticas operadas no montado, numa evidente dificuldade na passagem do testemunho entre gerações. São claras as suas palavras: “Se uma árvore vive em média, 100 ou 150 anos, para acompanhar todo o seu ciclo de vida serão necessárias mais do que três gerações de proprietários e investigadores, que cooperem na preservação das espécies.” Relembrou, a propósito, as palavras de um grande estudioso do montado: “sou um pastor de árvores; a única diferença é que, ao contrário do pastor de ovelhas, o meu rebanho me sobrevive”.

 

Esta iniciativa permitiu compreender de modo prático, entre outros aspectos, a importância das aves insectívoras como bioindicadores da riqueza ecológica dos sistemas agrícolas e florestais, já que os participantes colaboraram na inventariação biológica de parcelas de montado em Vila de Frades, ao nível da flora (composição e complexidade florística) e da fauna (invertebrados e aves insectívoras), replicando no terreno aspectos dos estudos desenvolvidos pelo ICAAM. Incidiu-se também na temática associada às pragas dos sistemas florestais (nomeadamente invertebrados) e dos meios biológicos disponíveis, dentro de uma perspectiva de controlo de populações de insectos através do potenciar da avifauna, em detrimento da utilização de insecticidas, o que é uma garantia importante do interface homem/natureza.

 

A itinerância do Festival Terras Sem Sombra prossegue a 22 de Junho, com um concerto na Basílica Real de Castro Verde, às 21h30. O Cuarteto Casals interpretará Lux Aeterna, de Gyorgy Ligeti, Musica instrumentale sopra le 7 Ultime Parole del Nostro Redentore in Croce, de Haydn, e De Profundis, de Arnold Schönberg. Giovanni Andreoli, maestro e fundador do Coro Terras Sem Sombra (2013), dirigirá aquele famoso agrupamento espanhol e o dispositivo coral que agora se estreia. O dia seguinte está reservado ao Campo Branco e aos antigos percursos da transumância peninsular, convidando os participantes a intervir no maneio de uma exploração de ovinos que irá percorrer uma rota de microtransumância da região, entre os campos de pastagem, a sul, e os restolhos, a norte.

20
Abr13

Festival Terras sem Sombra apresenta música renascentista

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Festival Terras sem Sombra apresenta música renascentista


Festival Terras sem Sombra apresenta música renascentista

O Festival Terras Sem Sombras (FTSS) continuando por terras alentejanas, as tais que não têm sombra, tem já o seu segundo concerto marcado para as 21:30 deste sábado 20 de Abril na igreja matriz de Santiago do Cacém. 

Para este concerto neste emblemático monumento foi escolhida, para uma estreia nacional, a "Missa Sancti Jacobi", composta, em torno de 1428, por Guillaume Dufay, numa interpretação do agrupamento italiano LaReverdie.


Santiago do Cacém constitui, aliás, uma importante referência do Caminho de Santiago em terras do Sul. 


Desde há muitos séculos que os peregrinos aqui passam, em direcção a Compostela. 


A sua igreja matriz, fundada ao redor de 1310, ao abrigo da Ordem de Santiago, é um importante santuário de peregrinação, tendo, além disso, uma estrutura arquitectónica que lhe possibilita notáveis condições acústicas para a execução de música antiga.

 

O ensemble italiano laReverdie é um famoso agrupamento europeu de música medieval e renascentista, que ao longo do seu percurso foi aplaudido por exigentes públicos dos principais palcos do mundo, graças a um virtuosismo instrumental e vocal. 


Algo que lhe tem granjeado, desde o início da carreira, em 1986, importantes distinções no campo da música antiga, com realce para o último CD que editou, Carmina Burana – Sacri Sarcasmi.

 

Valorizando as ligações do Renascimento ao Alentejo, o concerto de Santiago do Cacém dará igualmente a conhecer uma excepcional peça da escola de Évora: o “Stabat Mater”, de Pedro de Escobar (c. 1465-depois de 1535), que a interpretação do agrupamento La Reverdie restitui ao texto integral – raramente ouvido entre nós em tempos modernos –, alternando polifonia e cantochão, como era habitual na prática interpretativa do século XV.

 

retirado do HardMúsica

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