Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As Coisas da Cultura

Porque há sempre muito para ver e para contar

Porque há sempre muito para ver e para contar

As Coisas da Cultura

23
Mai13

Os meus pais não são gays

olhar para o mundo

Os meus pais não são Gays

Uma criança só quer amor. Não lhes interessa se é de um homem ou uma mulher. O importante é mesmo ser amado. É ter alguém que lhes oriente para a vida

Para começar devo deixar bem claro que sou um indivíduo instável emocionalmente. Algo que, verdade seja dita, não deve estranhar a quem lê os meus artigos. Além disso defendo coisas incrivelmente absurdas como a liberalização das drogas, do aborto ou da adopção de crianças por quem quer que seja independentemente das suas orientações sexuais.

 

Tenho amigos homossexuais. Pior, e como se ainda isso não bastasse — como portuense —, sou um apaixonado pelo Sport Lisboa e Benfica (já agora os parabéns à malta do Futebol Clube do Porto por mais um campeonato). Ou seja, tenho sérios problemas ao nível do foro psicológico.

 

A culpa, essa, é dos meus pais. Eles são, segundo os muitos psiquiatras e psicólogos que tenho consultado, a causa para todos os meus distúrbios mentais. Tudo porque são heterossexuais.

 

Como vocês também eu fiquei confuso. Vou tentar explicar de forma simples o porquê.

 

Pelos vistos o facto de, até à fase adulta, a minha mãe me ter dado demasiado carinho — abraços constantes, beijos e elogios à minha pessoa (físicos e intelectuais) — era visto por mim como uma espécie de “sedução”. Achava eu, na confusão dos meus pensamentos, que ela tinha segundas intenções. Coitado de mim…

 

Depois era a cena com o meu pai. Muitas actividades físicas (agricultura e desporto) com suor à mistura. Gajos em tronco nu a despejarem água pelo corpo… Mas o verdadeiro pânico era quando ele entrava na casa-de-banho como a vida o trouxe ao mundo. Felizmente nunca foi homem de muitos abraços. O que me deixava mais aliviado. Agora penso de outra forma…

 

Para concluir, a resposta de um psiquiatra de renome internacional: “Pá, Jorge, se tivesses sido criado por um casal de gays eras uma pessoa perfeitamente normal (quero dizer gajos e gajas)”. E eu: “Ora então porquê?”. E diz-me ele: “Não é óbvio? Eles e elas já o fazem uns com os outros. Não têm dúvidas. E sabem que se forem demasiado afectuosos com uma criança o mundo lhes cai em cima. Logo controlam as suas emoções (não o deveriam fazer). Ou seja, nunca terias estes problemas. Não te parece lógico?”.

 

Não. Claro que não. Até me soa a pura estupidez.

 

E agora falando a sério. Uma criança só quer amor. Não lhes interessa se é de um homem ou uma mulher. O importante é mesmo ser amado. É ter alguém que lhes oriente para a vida. Que os faça perceber qual a diferença entre bem e mal. Que os ensine a ser uma boa pessoa. A respeitar os outros. A ser íntegro. A amar. A ser correcto. Os meus pais fizeram isso. Mas se ambos fossem homem ou mulher fariam o mesmo. Não tenho dúvidas disso.

 

O que realmente importa é o amor que se dá e a educação. É o criar as condições para que uma criança cresça saudável e feliz. A parte da sexualidade só vem depois. E é sempre detalhe.

 

Eu não sei qual é a história de pessoas como a Isabel Pegado, a Maria Teresa Alves e muitos outros da mesma corrente ideológica. Mas incomoda-me a opinião desta gente. Tanto mais quando estão sempre a falar dos países do Norte da Europa como um exemplo a seguir em termos democráticos, económicos e sociais. Mas será que eles alguma vez pensaram que aqui se copula livremente, aborta e se é LGBT sem problema? Que se tem filhos ou se adoptam crianças independentemente do género? Ou só algumas coisas dos ditos países “desenvolvidos” é que interessam?

 

Ou são eles, como algumas pessoas que conheço, defensores daquele ditado do “olha para o que digo e não para o que faço?”. Pessoas, essas, que votaram contra a Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez apesar de terem filhas e filhos que realmente abortaram. Tudo, diziam eles, porque era escolha dos miúdos e não a “nossa convicção”. Mas pagaram e o resto é treta.

 

Resumindo: hipocrisia. Mas é disso que o nosso Portugal social ainda vive. Ainda estamos muito presos à moralidade do antigo regime. Uma pena.

 

A terminar duas questões para quem tem dúvidas sobre escolhas sexuais: os gays nascem de onde? São todos filhos de homossexuais?

 

Retirado do P3

06
Fev13

Deputados britânicos aprovam casamento entre pessoas do mesmo sexo

olhar para o mundo

Deputados britânicos aprovam casamento entre pessoas do mesmo sexo

A Câmara dos Comuns aprovou o casamento gay por 400 votos a favor e 175 contra. A lei é para entrar em vigor na Inglaterra e no País de Gales, uma vez que na Escócia e na Irlanda do Norte os respetivos parlamentos têm autonomia. A proposta ainda voltará a ser debatida na Câmara dos Comuns e terá de ser aprovada pela Câmara dos Lordes.

Poucos dias depois da aprovação do casamento gay em França, a Câmara dos Comuns (câmara baixa do parlamento britânico) aprovou, nesta terça-feira, o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

 

O projeto de lei permite o casamento civil, deixando às diferentes confissões religiosas a opção de o celebrarem ou não, exceto para a Igreja Anglicana em que o casamento gay continuará a ser ilegal.

 

A proposta de casamento gay foi aprovada pelos partidos trabalhista e liberal e dividiu os conservadores – 139 votaram contra e 132 votaram a favor. A proposta contou, no entanto, com o apoio do líder do partido conservador e primeiro-ministro, David Cameron.

 

Nick Robinson, analista de política da BBC, considerou que "Cameron quer que o seu governo seja lembrado por uma grande mudança social” e não apenas pela brutal austeridade.

 

Prevê-se que o casamento gay seja aprovado na Câmara dos Lordes, face à elevada votação na Câmara dos Comuns.

 

Segundo a BBC, a exceção em relação à Igreja Anglicana, em que o casamento gay continuará a ser ilegal, é uma cedência perante a oposição do Arcebispo da Cantuária e o temor de alguns párocos de poderem ser processados por casais homossexuais anglicanos que se sentirem discriminados.

 

Retirado de Esquerda Net

13
Set12

Se o sexo fosse um campeonato, ganhava o Porto

olhar para o mundo

O que é que o Grande Porto tem? Tem os portugueses mais ativos sexualmente, os que mais tempo dedicam a cada relação sexual e os que têm um desejo mais elevado. Mas, a acreditar nos números, não tem nem gays, nem bissexuais. O que vale a estatística?

 

Sabia que, em regra, são os algarvios que se iniciam sexualmente mais cedo, que melhor avaliam o seu desempenho sexual e do(a) parceiro(a), e que mais frequentemente atingem o orgasmo? Que os residentes da Grande Lisboa estão entre os que mais se queixam da sua vida sexual, mas são os que mais sexo têm com colegas de trabalho? Que os alentejanos são os que menos praticam sexo oral? E que no interior do país é onde há menos adeptos da posição de missionário?

 

Estas são apenas algumas leituras do inquérito à sexualidade dos portugueses encomendado pelo Expresso, cujos resultados começam a ser divulgados este sábado. As respostas surpreendem em alguns casos, preocupam noutros, mas denunciam, muitas vezes, significativas diferenças regionais. Se houvesse um campeonato para a atividade sexual, o Grande Porto seria um sério candidato ao título. Senão vejamos: é onde estão os portugueses mais ativos (30% dizem ter sexo mais de 3 vezes por semana, bem acima da média nacional, que é de 18%); os que mais tempo dedicam a cada relação sexual (mais de meia hora em 22% dos casos); e os que mais admitem ter um desejo sexual "muito elevado". Apesar disso, não estão satisfeitos: estão entre os que pior avaliam a sua satisfação sexual (3,5 de média, numa escala de 1 a 5), um pouco acima da Grande Lisboa (3,4), a região mais insatisfeita sexualmente do país. Curiosamente, é no Norte Litoral que estão os portugueses mais satisfeitos com a sua vida sexual.

Porto: ilha hetero ou um grande armário?

 

É um dos dados mais curiosos do inquérito que o Expresso encomendou sobre a vida sexual dos portugueses: apesar de 12% dos inquiridos preferirem não dizer qual é a sua orientação sexual - o que prova que este é, ainda, em muitos casos, um grande tabu - há pelo menos uma zona do país onde ninguém tem dúvidas: o Porto. Todos os participantes disseram ser "exclusivamente heterossexuais". Nem uma excepção à regra. 100%. Número redondo.

 

A percentagem destaca-se da média da população nacional (78% elegeram essa resposta), mas não pode ser vista como mais do que uma mera curiosidade, alertam os especialistas, já que a amostra relativa à cidade nortenha é demasiado reduzida para se tirarem conclusões. "Se responderam 100, não há nada de estranho nisso, mas se fosse numa amostra de 10.000, teria havido muitos que não disseram a verdade", garante a psicóloga Ana Carvalheira.

 

O sociólogo Pedro Moura Ferreira, do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, alerta que, mais do que olhar os resultados isoladamente, estes têm que ser vistos no contexto da região. E ainda que o Grande Porto, uma região tradicionalmente mais conservadora do que as regiões do sul (à exceção do Alentejo), tenha uma percentagem de população exclusivamente heterossexual superior à média nacional (84%), fica, por exemplo, atrás da Grande Lisboa (88%).

 

Um inquérito inédito

 

Para a elaboração das 100 perguntas do inquérito foi pedida a colaboração de quatro especialistas: o psiquiatra Júlio Machado Vaz, a psicóloga Ana Carvalheira, presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica, e os sociólogos Pedro Moura Ferreira e Sofia Aboim, do Instituto de Ciências Socais (ICS) da Universidade de Lisboa - estes dois últimos participaram em 2007 num grande inquérito sobre o comportamento sexual dos portugueses. Cada um dos quatro consultores reviu o esboço inicial do questionário, preparado pela equipa da Revista e pela empresa de estudos de mercado GfK, sugeriu retificações, propôs a inclusão de novas perguntas e colaborou na interpretação dos resultados.

 

O inquérito foi estruturado em quatro grandes áreas. A primeira, que dissecamos nesta edição, mais centrada na prática sexual, em termos de frequência, iniciação, número de parceiros, satisfação, desempenho e orientação sexual, etc. A segunda (dia 22) relaciona a sexualidade com a saúde e o bem-estar do indivíduo, e propõe uma incursão no mundo das fantasias eróticas. A terceira parte aborda o fenómeno da infidelidade (dia 29) e a quarta as intrincadas relações entre o sexo e a internet (dia 5 de outubro).

 

O inquérito foi realizado pela GfK a uma amostra representativa da população portuguesa. Foram inquiridos 1220 indivíduos com 18 anos ou mais, residentes em Portugal continental. Além das 100 questões sobre a vida sexual, foram colocadas outras que permitiram traçar o perfil dos inquiridos segundo diversos indicadores demográficos (sexo, idade, região, estatuto social); elementos de caracterização como a orientação sexual; e outros elementos como o consumo de bebidas alcoólicas, hábitos tabágicos ou orientação política. A informação foi recolhida através de um questionário de autopreenchimento, depositado numa urna fechada. Os trabalhos de campo decorreram entre os dias 10 e 21 de agosto, com recolha entre as 18 e as 21h durante a semana, e durante todo o dia nos fins de semana. A taxa de participação foi de 56,2%.

 


Retirado do Expresso

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub