O DIA EM QUE AS GRADES DO PARLAMENTO NÃO FORAM DERRUBADAS

Manifestação pacifica frente ao parlamento

Era a primeira grande manifestação após a violenta carga policial de 14 de novembro. A CGTP juntava milhares de pessoas frente à Assembleia da República para afirmar o seu voto contra o Orçamento do Estado para 2013. Talvez tenha sido porque tudo aconteceu em poucas horas e antes de almoço que não houve espaço para incidentes.

Os responsáveis pela organização do protesto marcaram presença junto das grades e por lá ficaram até à desmobilização completa. Falaram com jovens e até pediram a um grupo de palhaços para só aparecer no protesto depois de concluídos todos os discursos da praxe. Desta vez as grades do Parlamento não foram derrubadas.

E até havia gente preparada para isso. Desde logo alguns jornalistas, que apareceram com capacetes e coletes identificadores (pelo menos dois casos, curiosamente de repórteres ligados a agências internacionais, a Reuters e a Associated Press). Mas desta vez as grades do Parlamento não foram derrubadas.

Protesto da CGTP acabou o mais rápido possível e nem uma ação de palhaços serviu para perturbar a PSP. Será assim na quinta-feira com os estivadores?O protesto começou cedo, pelas 10h, precisamente quando os deputados iniciaram os trabalhos. Enquanto o grosso dos manifestantes se reunia em três pontos distintos (Largo do Rato, Santos e Jardim da Estrela), alguns agricultores iniciavam os protestos à chuva à frente do Parlamento. Exibiam azeite, vinho, leite e pão enquanto se queixavam de Assunção Cristas.

Arménio Carlos acompanha o cortejo que partia do largo onde fica a sede do Partido Socialista. E com ele trouxe milhares de pessoas (também os Homens da Luta, que ajudavam a animar a malta). Entre lemas batidos e cânticos de «gatunos», sucederam-se os discursos e a informação de que estão marcadas mais duas grandes manifestações: a 8 de dezembro no Porto e a 15 do mesmo mês em Lisboa, com trajeto entre Alcântara e o Palácio de Belém.

Antes do OE2013 ser aprovado já a CGTP tinha cantado a Internacional e o hino nacional, dando como concluída a «jornada de protesto» e desejando um «bom regresso a casa». A preocupação de evitar incidentes era visível e tanto cuidado permitiu que tudo acabasse sem qualquer problema.

O único momento de tensão ocorreu quando poucas dezenas de pessoas estavam no largo e o tal grupo de palhaços decidiu entrar na dependência de um banco. A PSP teve o seu momento de ação (o único) e mobilizou o impressionante contingente de... cinco agentes para resolver o problema sem qualquer recurso à força. O exército de palhaços, aliás, não procurou o confronto, pois para lutar trouxe apenas bombos e almofadas.

No final, o Orçamento mais violento do pós-25 de Abril de 74 foi aprovado, as pedras da calçada não foram removidas e as grades do Parlamento não foram derrubadas.

Será assim na quinta-feira com o protesto internacional de estivadores?

Noticia do Push
publicado por olhar para o mundo às 08:33 | link do post | comentar