Sábado, 23.11.13

Eu quero ser como o (Luís Filipe) Vieira

Eu gostava de ser como Luís Filipe Vieira (tirando a parte de ele ser do Benfica, sendo eu do Sporting e talvez em matéria de orelhas prefira as minhas). Porque o Estado assumiu uma dívida do presidente do Benfica no valor de 17 milhões de euros. Vieira e a sua empresa deviam esse dinheiro ao BPN e parece que foi dado como incobrável.

 

Eu juro que não preciso tanto, mas se for preciso fico incobrável também. A mim quaisquer 170 mil, que é só 1% do que lhe perdoam, já me deixava feliz. Mas 1,7 milhões, ou seja 10% deixava-me muito rico, mas se não quiserem dar-me mais de 0,1%, ou seja 17 mil euros, eu já vos agradeço bastante.

 

Pensando melhor, isto deve ser tudo mentira, uma cabala contra o presidente do Benfica (apesar de ainda não ter visto qualquer desmentido). Porque um senhor que tem uma dívida de 17 milhões não deve poder estar à frente de uma instituição de utilidade pública que recebe dinheiros públicos. Se acaso o presidente do Sporting, do Porto ou do Braga forem também prejudicados por uma norma assim, paciência. Gosto muito do meu clube, mas gosto mais de contas bem feitas e de verdade e transparência.

 

Se for verdade, no entanto, deixem-me gritar: ESCÂNDALO! Ao pé disto, o que se diz dos políticos é - como dizia o Berardo - 'penauts', ou, em português, amendoins. Não gozem mais com o Zé pagante, porque eu sinceramente já não aguento!

 

Luís Filipe, grande homem. Andar todos os dias na televisão sabendo que nós lhe pagamos as dívidas (mesmo aqueles que como eu foram contra a nacionalização do BPN porque já sabiam no que ia dar...) é de homem. E de homem corajoso!

Eu não tinha cara para isso...  

 

PS - Os policias manifestantes terem rompido a barreira da polícia no Parlamento, embora sem consequências, é preocupante, pelo menos do ponto de vista simbólico. Também o facto de Soares ter dito que o Presidente e o primeiro-ministro devem ir para casa "enquanto o podem fazer pelo próprio pé" constituí uma ameaça que só se desculpa pela idade avançada de quem a disse. Um facto e outro demonstram, sobretudo, a falta de cultura democrática que por aí campeia. Os nossos órgãos políticos foram eleitos de acordo com regras que não foram alteradas e têm prazos, que não foram alterados, para ser substituídos. Ser democrata é saber que pode protestar, pressionar, indignar-se, propor, manifestar-se, mas nunca ameaçar quem foi legitimamente escolhido.


Retirado do Expresso

publicado por olhar para o mundo às 23:05 | link do post | comentar
Sexta-feira, 14.12.12

O lixo da Internet

A Internet está cheia de lixo, e isso é sabido. Circulam centenas de mails com ataques torpes e cobardes às mais diversas figuras públicas. Enquanto diretor do Expresso tive de desmentir umas cem vezes um suposto texto de Clara Ferreira Alves sobre Mário Soares que circulou por tudo quanto é sítio, além de várias invenções acerca de Miguel Sousa Tavares e outros colaboradores ou jornalistas do Expresso.

 

O lixo é imenso. Quase todos os dias recebo mails e mensagens no Facebook a perguntar por que motivo não damos notícia de coisas que são mentiras, puras e simples. As pessoas indignam-se porque a comunicação social silencia supostos factos que, apesar de estarem no domínio público, não resistem à prova da verdade. Um dos mais conhecidos mails era sobre umas supostas medidas de François Hollande, a maioria das quais puras invenções.

 

Há dias, na página do Facebook de Pedro Lomba, encontrei um interessante artigo de Philip Roth, talvez o maior escritor americano vivo, a queixar-se da Wikipedia. Porquê? Porque a Wikipedia tem uma interpretação sobre um livro seu que Roth diz ser errónea. E apesar de o escritor a ter desmentido, nem assim é corrigida. E pasme-se! Não se trata sequer de algo controverso. Na Wikipedia diz-se que um livro de Roth, "The Human Stain" (A Mancha Humana, em Português) é inspirado numa pessoa (Anatole Broyard), ao passo que o autor diz que foi noutra (Melvin Tumin). Ora, quem melhor do que o autor para saber em que vida concreta baseou a sua ficção?

 

Ainda assim, há quem entenda que a informação dispensa os jornalistas (que dão a cara) e os órgãos de comunicação social (que têm marca). É uma posição fácil e popular. Mas é igualmente falsa. Exemplos como os que aqui dei, há aos milhares. E todos sabemos que o ruído abafa uma comunicação séria e impede tomadas de posição conscientes.

 

Não pretendo que o jornalismo não tem erros, apenas me limito a chamar a atenção para que cada um saiba ao certo quem o está a informar e porque o faz. 

 

Henrique Monteiro (www.expresso.pt)


Retirado do Expresso

publicado por olhar para o mundo às 13:25 | link do post | comentar

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