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As Coisas da Cultura

Porque há sempre muito para ver e para contar

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As Coisas da Cultura

18
Fev14

Teatro - "Ilusão", ou o espírito de Lorca reinventado por Luis Miguel Cintra

olhar para o mundo

Ilusão

 

Entra em cena a 20 de Fevereiro no Teatro da Cornucópia, "Ilusão", um espectáculo representado por 60 jovens e adultos não profissionais, a partir de textos de Lorca, com tradução e encenação de Luis Miguel Cintra.

 

Luis Miguel Cintra pôs em prática um projecto que lhe permite trazer aos meandros do teatro gente que sonha com a ribalta mas que a vê longe, só acessivel a profissionais. Deste modo abriu as portas do Teatro da Cornucópia a "leigos", pegou em peças da juventude de Federico Garcia Lorca, encenou-as e nasceu "Ilusão", que é como ele próprio afirma "Uma comédai de amores"


Em cena temos duas irmãs, Luisa e Mercedes,vestidas de negro, lembrando "A casa de Bernarda Alba", que vão dando lugar a outra peça, "Doña Rosita, la soltera". E vão-se desfiando memórias, recordações, medos, fantasmas, entre flores e música ao piano, num ambiente de poesia que inevitavelmente envolve o público. Como diz Luis Miguel Cintra em conversa com o Jornal Hardmusica "É preciso fazer teatro como se faz poesia"

Estes textos "montados "pelo encenador, têm a uma filosofia dramática de uma ingenuidade sublime que prenuncia os grandes textos mais tarde escritos por Lorca.


Luis Miguel Cintra coloca em cena no Teatro da Cornucópia uma experiência nova ao abrir um estágio gratuito a voluntários, pessoas de características diferentes, desde reformados a aspirantes a actores, estudantes de teatro ou qualquer espectador que tenha interesse em conhecer a experiência de representar.

Se por um lado este projecto pode solucionar o problema da falta de verba para a contratação de actores profissionais, por outro pode ser altamente estimulante não só para os que podem participar num mundo que lhes era até aí desconhecido, mas a própria companhia terá o desafio de montar um espectáculo com pessoas sem preparação tecnica mas altamente motivadas e empenhadas.

E foi esse aspecto que mais nos chamou a atenção: a ingenuidade da representação era perfeitamente colmatada com o empenho, a seriedade, podemos mesmo dizer o profissionalismo, com que cada um, desde a jovem de 13 anos, à menos jovem de 85 anos, construía o seu personagem, e se articulava em cena com os outros elementos.

Luis Miguel Cintra está de parabéns "Ilusão" é um espectáculo para adolescentes e adultos, divertido, ingénuo, musical, linda a canção, "Nana", de Manuel Falla, e bem interpretada, comovente pela ternura que o perpassa e sobretudo pelos sonhos que nos fará... sonhar!

"Ilusão" estará em cena no Teatro da Cornucópia de 20 de Fevereiro a 09 de Março.

 

 

Retirado do HardMúsica

05
Jun13

“O Público” de Lorca “visto” por António Pires

olhar para o mundo

“O Público” de Lorca “visto” por António Pires“O Público” de Lorca “visto” por António Pires

“O Público” a peça que Lorca escreveu durante anos e cujo manuscrito último entregou a um amigo quando regressou a Granada vindo a morrer assassinado pelos franquistas dois dias depois, é um apelo à verdade teatral, ao teatro debaixo da areia, a uma criação teatral que incomode a burguesia instalada que quase obriga a criações convencionais.

Em 1934, numa entrevista a um jornal Lorca terá criticado duramente o público convencional, formado por uma burguesia “frívola e materialista”, que se sentava nas salas de espectáculos da Espanha de então. 

E é certamente a esse público indiferente, desrespeitoso e arrogante que Lorca dirigiu e é ele que está reproduzido nesta peça. 

Mas talvez mais ainda que uma crítica ao público , “O Público” traz à colação dois tipos de teatro, o teatro ao ar livre, ligeiro de facil compreensão e destinado a um público convencional e o teatro debaixo da areia, o teatro da alegoria, da imaginação em que as máscaras se despem e a verdade surge nua e crua.
E é nestes dois aspectos que António Pires “pega” de forma muito ousada mas talvez conseguida.

António Pires começa pela parte final da peça para mostrar o teatro convencional representado num espaço fechado, o Teatro São Luiz. 

E agarra em “Romeu e Julieta” de Shakespeare e no poema de Lorca, “Um poeta em Nova Iorque”, escrito em simultâneo com o “Público” para evidenciar as máscaras do teatro convencional em contraposição com a liberdade exigida ao Teatro e ao Actor.

 

E para uma demonstração de Verdade, António Pires coloca no Largo Camões um actor, neste caso Margarida Vila Nova, a ler um texto, uma espécie de Teatro Breve, onde Lorca explica a sua concepção de Teatro com Verdade.

 

O terceiro tempo desta peça acontece no Teatro do Bairro, onde “debaixo da areia” toda a Verdade surge. A Verdade do teatro e a Verdade da peça.

 

António Pires decidiu fazer aqui representar a primeira parte do texto de Lorca onde surgem os personagens como são na realidade, em sentimentos e amores.


A homosexualidade, muitas vezes escondida em Lorca, e talvez essa a verdadeira causa do seu assassinato, numa Espanha pseudo católica e muito conservadora, surge nesta terceira parte, num rompimento de máscaras, assombrando com a Verdade em Teatro e na Vida todo o Público presente na plateia.

 

Não podemos deixar de salientar neste final de “O Público” a intervenção de Laura Soveral, um ilusionista que pretende convencer o Director do Teatro ao Ar Livre, Adriano Luz, que convence mais facilmente com as sua magias que o director com as suas fantasias. Excelente a interpretação da velha senhora.

“O Público”, encenado por António Pires conta com a interpretação de Adriano Luz, David Almeida, Gabriel Gomes, Graciano Dias, Hugo Amaro, Jaime Freitas, Laura Soveral, Margarida Vila-Nova, Mário Sousa, Mitó Mendes, Rafael Fonseca, Rita Loureiro, Solange Santos.

 

Retirado do HardMúsica

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