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As Coisas da Cultura

Porque há sempre muito para ver e para contar

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01
Jun17

Parques de Sintra inaugura Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz

olhar para o mundo

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Parques de Sintra inaugura Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz

 

- Reabilitação do Jardim Botânico integra projeto global de recuperação dos Jardins e do Palácio Nacional de Queluz

- Inauguração conta com a presença da secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza

- Intervenção representou um investimento de 815 mil euros

 

Sintra, 30 de maio de 2017 – A Parques de Sintra inaugura no próximo dia 5 de junho, pelas 16h00, o Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz, numa cerimónia que contará com a presença da secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos.

 

A reabilitação deste espaço faz parte do projeto global de recuperação dos Jardins e do Palácio Nacional de Queluz e tinha como premissa restituir o traçado da cartografia de 1865, sendo que a construção original remonta ao século XVIII. A obra representou um investimento de 815 mil euros.

 

O Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz foi construído entre 1769 e 1780, sendo contemporâneo das grandes realizações setecentistas do período barroco-rococó nos Jardins de Queluz. De pequena escala, quando comparado com outros jardins botânicos desta época, Queluz assume uma natureza de entretenimento e recreio.

 

Sucessivamente destruído por fenómenos naturais e abandonado, o Jardim Botânico perdeu a sua função original, tendo sido transformado em roseiral em 1940. Em 1984, na sequência das cheias de 1983 que afetaram fortemente esta zona, o jardim foi desmontado e transformado numa área ampla para picadeiro da Escola Portuguesa de Arte Equestre.

Já em 2012, a Parques de Sintra iniciou um processo de investigação histórica e sondagens arqueológicas que possibilitou o restauro deste Jardim. Suportado por um vasto conjunto documental, onde ganha particular relevo a listagem da coleção botânica original, o projeto ganhou ânimo com a descoberta e identificação de diversas cantarias - das fundações das estufas, do lago central e de estatuária - que tinham sido desmontadas em 1984 e entretanto integradas, ou esquecidas, noutros pontos dos Jardins de Queluz.

 

Trabalhos de recuperação

 

A recuperação do Jardim Botânico consistiu na reposição das quatro estufas, de acordo com a interpretação dos desenhos históricos, dos resultados das sondagens arqueológicas realizadas no local e dos regulamentos atualmente em vigor, incluindo a incorporação das cantarias originais das fundações.

 

A intervenção contemplou ainda o restauro dos elementos pré-existentes, nomeadamente as balaustradas que delimitam os diferentes espaços do Jardim, os alegretes e respetivos bancos e painéis azulejares, as cantarias do lago central e a estatuária, com vista à restituição do desenho oitocentista do Jardim.

 

Foram também executados caminhos em saibro granítico, sob os quais foram instaladas as infraestruturas de abastecimento de água, drenagem, energia e comunicações, que dão resposta às necessidades funcionais das estufas e jardins, tendo sido igualmente adaptada e reformulada a drenagem superficial.

 

Esta rede de caminhos delimita 24 canteiros, representando os espaços necessários às plantações representativas das 24 ordens de plantas de Carlos Lineu (botânico, zoólogo e médico sueco que classificou hierarquicamente as espécies de seres vivos). Nas bordaduras dos canteiros foram plantadas aproximadamente 10 mil plantas de murta.

 

O Index de Manuel de Moraes Soares datado de 1789, que reúne as espécies existentes na época no Jardim Botânico de Queluz, serviu de base para a constituição da coleção botânica. A partir desta listagem foram contactadas várias instituições a nível mundial que forneceram plantas e sementes para o local.

 

No interior das estufas, e de acordo com os registos históricos encontrados, foram plantados ananases, produzidos em tempos para os banquetes de Queluz.

 

17
Mar17

Palácio Nacional de Queluz - Parques de Sintra inicia recuperação do Jardim de Malta

olhar para o mundo

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Palácio Nacional de Queluz

Parques de Sintra inicia recuperação do Jardim de Malta

 

- Projeto visa reconstituir e requalificar o espaço, devolvendo-lhe o traçado e o carácter lúdico e representativo de jardim setecentista

- Obras deverão estar concluídas em dezembro

- Recuperação representa um investimento de meio milhão de euros

 

Sintra, 16 de março de 2017 – A Parques de Sintra iniciou no final de fevereiro o projeto de recuperação do Jardim de Malta, no Palácio Nacional de Queluz. A intervenção visa reconstituir e requalificar esta área, devolvendo-lhe o traçado setecentista e o caráter lúdico e interpretativo original. O projeto deverá estar concluído em dezembro e representa um investimento de meio milhão de euros.

 

Construído entre 1758 e 1765, este jardim de aparato desenvolve-se no ângulo da fachada interior do Palácio, entre a Sala do Trono, a Sala da Música e a ala dos Aposentos da Princesa D. Maria Francisca Benedita, e é uma peça fundamental para a leitura integrada dos Jardins de Queluz. Projetado, provavelmente, por Jean Baptiste Robillion, segue os preceitos de composição dos jardins formais setecentistas, refletindo os valores de ordem, clareza, proporção e harmonia.

 

É um jardim de estilo formal, em parterre (superfície plana) de buxo, composto por desenho geométrico ou em broderie, como se fosse um bordado ou um tapete, e pensado para ser apreciado como uma peça de arte. Assim, as linhas e os ornamentos de buxo eram talhados a um nível baixo e o jardim tinha vários degraus para permitir um ponto de observação mais elevado. As peças de água, as balaustradas e a estatuária, esculpida em pedra e em chumbo, completavam o traçado do jardim, cujo programa é de entretenimento, evocando a alegria pueril.

 

A partir de 1807, com a ida da família real para o Brasil perante as Invasões Francesas, e mais tarde com a guerra civil, as propriedades reais foram votadas a um longo período de abandono e incerteza. Só no final do séc. XIX há notícias consistentes de permanência e usufruto de Queluz através das obras de conservação levadas a cabo pelo rei D. Carlos, que converte o jardim ao gosto da época, o Romantismo. Nesta fase, introduziram-se palmeiras e outras plantas exóticas, conferindo ao jardim um registo naturalista.

 

Ao longo do século XX, sucedem-se várias intervenções. Em 1918, introduzem-se quatro estátuas provenientes do Mosteiro de São Vicente de Fora e, por volta de 1938/39, no decorrer de uma campanha de obras realizada pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos, removem-se os quatro lagos angulares ali existentes. A topiária – a arte de talhar e confinar as árvores e os arbustos a formas específicas – não foi executada com a rotina e rigor necessários e o buxo, bem como outras espécies ali plantadas (murta e azereiros), foram crescendo de forma natural, o que levou à perda do formalismo original.

 

Recuperação do traçado setecentista

 

A intervenção agora em curso, que se iniciou com a remoção dos quatro ciprestes plantados no Jardim de Malta já nos anos 40, visa reconstituir e requalificar este espaço, devolvendo-lhe a leitura e carácter setecentista do traçado.

 

O projeto foi precedido de uma longa investigação, que permitiu levantar a documentação histórica sobre a construção e evolução do jardim e sobre as regras definidas pelos Tratados de Jardinagem do século XVIII para os parterres, sustentando de forma consistente as tomadas de decisão.

 

A situação atual caracteriza-se pela degradação da estrutura verde, já que o buxo cresceu demasiado, sendo hoje impossível conformá-lo ao tamanho adequado. Um estudo fitossanitário realizado pelo Laboratório de Patologia Vegetal “Veríssimo de Almeida”, do Instituto Superior de Agronomia, da Universidade de Lisboa, revelou ainda a existência de pragas e doenças, como o míldio do buxo, um fungo para o qual não existe cura e que tem dizimado os jardins de buxo por toda a Europa, obrigando ao levantamento integral dos parterres e à substituição do buxo por outras espécies com comportamento semelhante. Um outro estudo efetuado pelo Laboratório de Dendrocronologia da Universidade de Coimbra demonstrou também que a grande maioria do buxo é jovem (idade inferior a 50 anos), havendo alguns exemplares notáveis.

 

Na sequência deste diagnóstico, a Parques de Sintra irá proceder ao transplante do buxo jovem para recuperação da topiária noutras zonas dos Jardins de Queluz, enquanto os exemplares antigos e notáveis serão transplantados para os talhões do bosquete onde poderão crescer naturalmente. Um estudo encomendado ao Royal Botanic Gardens de Kew concluiu, de resto, que a taxa de sobrevivência do buxo a ser transplantado será elevada, tendo sido definidos os métodos de proteção, de movimento das plantas, os recursos materiais e as recomendações adequadas para garantir a sobrevivência dos exemplares transplantados.

 

Tal como acontece nos jardins europeus e de acordo com as recomendações internacionais, que desaconselham a introdução de exemplares de buxo como medida de prevenção contra o míldio, a replantação do traçado setecentista no Jardim de Malta será feita com murta.

 

No que diz respeito à estrutura decorativa, o projeto prevê o restauro e conservação da estatuária, das balaustradas, do lago central, dos degraus e cantarias, bem como o restauro e regresso ao Jardim de Malta dos quatro lagos angulares e respetivos grupos escultórios. Manter-se-ão as estátuas vindas do Mosteiro de São Vicente de Fora.

 

Proceder-se-á ainda à escavação arqueológica do local, à reconstituição do efeito cénico e dinâmico das peças de água do jardim, à execução de novas infraestruturas hidráulicas e de energia e à execução de pavimentos.

 

Com o propósito de conciliar questões de segurança com a política de “Aberto para Obras” da Parques de Sintra, a área de intervenção está delimitada por um conjunto de painéis que conta graficamente a história do Jardim de Malta desde o seu planeamento até ao presente e antecipa o resultado futuro após a concretização do projeto. Ao percorrer os painéis, os visitantes encontrarão vários pontos de observação, nomeadamente janelas, através dos quais poderão acompanhar a evolução da obra. Neste recinto, dentro de um pequeno pavilhão, será exibido um filme de animação alusivo aos mesmos temas.

25
Jun15

Estreia mundial moderna no Palácio Nacional de Queluz: "L'Isola Disabitata - Serenata per musica"

olhar para o mundo

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26 de junho

Estreia mundial moderna no Palácio Nacional de Queluz: “L'Isola Disabitata - Serenata per musica

- Estreia mundial moderna, com direção musical de Massimo Mazzeo

- Serenata composta em 1767 para o Palácio de Queluz

- Composta por David Perez, com libreto de Pietro Metastasio

 

Sintra, 23 de junho de 2015 – A 26 de junho, a Parques de Sintra e o Divino Sospiro - Centro de Estudos Musicais Setecentistas de Portugal (DS-CEMSP) apresentam, em estreia mundial moderna, “L'Isola Disabitata”- Serenata per musica”, do compositor David Perez, no Palácio Nacional de Queluz.

 

Este espetáculo, interpretado pelo Divino Sospiro e com direção musical de Massimo Mazzeo, dá continuidade aos ciclos de música que a Parques de Sintra tem vindo a apresentar nos Palácios de Sintra, integrando-se na decisão de os dinamizar através da música, bem como atrair novos públicos. Relativamente às serenatas compostas para o Palácio de Queluz, género nacional por excelência, esta é a primeira de várias que se pretende recuperar e apresentar. Este projeto de investigação prevê o estudo sobre o contexto de criação e execução das obras e a sua edição crítica.

 

David Perez foi um dos compositores mais relevantes no panorama musical europeu da segunda metade do séc. XVIII. “Compositor da Real Câmara e Mestre das Suas Altezas Reais” de 1752 a 1778, dirigiu a vida musical da Corte portuguesa até à sua morte. A sua produção influenciou a maioria dos compositores portugueses. Muitos, como João Cordeiro da Silva, João de Sousa Carvalho e Luciano Xavier dos Santos, foram seus discípulos diretos.

 

Esta Serenata foi escrita para ser apresentada no Palácio de Queluz, residência do Infante D. Pedro e da futura rainha D. Maria I, alunos privilegiados de David Perez, que estabeleceram com ele uma estreita ligação. A proximidade entre o casal real português e o compositor napolitano está demonstrada pela sua presença na tela pintada no teto da Sala dos Embaixadores, no Palácio Nacional de Queluz.

 

O libreto para esta Serenata foi escrito, em 1752, pelo maior poeta para música do séc. XVIII, Pietro Metastasio. Vários compositores usaram este texto com grande êxito. Para além da trama quase realista, a narração trata de viagens marítimas longínquas para as Índias Ocidentais, o que terá despertado, na altura, bastante interesse, particularmente, entre o público português. 

 

Desta obra restam atualmente apenas duas partituras manuscritas. Uma encontra-se na Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda e tem a seguinte nota em língua italiana: “…para ser apresentada na Real Vila de Queluz no ano de 1767” que consta igualmente no libreto impresso conservado na Biblioteca Nacional de Portugal; a outra encontra-se na Biblioteca do Conservatorio di Musica San Pietro a Majella, em Nápoles.

A edição crítica desta partitura é responsabilidade de Iskrena Yordanova (DS-CEMSP).

 

A Serenata, em versão de concerto, será realizada pela orquestra Divino Sospiro, com direção musical de Massimo Mazzeo, e contará também com as sopranos Joana Seara e Francesca Aspromonte, com o sopranista Francesco Divito e com o tenor Bruno Almeida.

 

A soprano Joana Seara que, em ópera, tem interpretado inúmeros papéis de Monteverdi a Puccini, de Verdi a Francisco António de Almeyda, interpretará a personagem de Constanza.

A soprano Francesca Aspromonte, que já se apresentou em locais como a Opéra Royal de Versailles, a Opéra de Vichy, o Auditorium Parco della Musica, em Roma, o Bozar de Bruxelles, a Opéra National de Montpellier, e apareceu em festivais de renome como Ambronay Festival, Aix-en-Provence Festival ou Musikfest Bremen, interpretará a personagem de Silvia.

Francesco Divito, um caso extraordinário por nunca ter sofrido nenhuma alteração de voz (tem uma voz natural de soprano, com o poder de pulmões masculinos), interpretará a personagem de Enrico.

O tenor Bruno Almeida, um dos fundadores do Projecto Alba, que se dedica à promoção do canto lírico e da guitarra portuguesa, que já colaborou com o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e é reforço do Coro Gulbenkian, interpretará a personagem de Gernando.

 

O século XVIII foi um dos períodos mais importantes na História da música portuguesa, registando um forte investimento do poder real ao nível da produção e da interpretação, através de estratégias que incluíram a importação de músicos e de repertório, bem como a formação de intérpretes e compositores. Ao Palácio de Queluz acorria frequentemente a Corte para assistir a serenatas, cavalhadas e espetáculos de fogo-preso. A música ocupou sempre um papel central nestas festividades, sobretudo entre 1752 e 1786. Antes e depois da construção da Casa da Ópera, em 1778, ali se tocaram dezenas de serenatas e óperas.

 

Informações úteis

 

O concerto terá lugar na sexta-feira, 26 de junho, às 18h00, na Sala do Trono, no Palácio Nacional de Queluz. Os bilhetes têm um custo de 10 Euros e encontram-se à venda nas bilheteiras da Parques de Sintra, online, na FNAC, Worten, El Corte Inglés, MEO Arena, Media Markt e Postos de Turismo de Sintra e Cascais. A serenata é para M/6 anos.

 

A “L'Isola Disabitata - Serenata per musica” é cofinanciada pelo POR Lisboa – Programa Operacional Regional e conta com a Antena 2 como media partner.

 

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