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As Coisas da Cultura

Porque há sempre muito para ver e para contar

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As Coisas da Cultura

30
Jan14

Praxes "Nós pagamos o passaporte para a morte dos nossos filhos"

olhar para o mundo

Nós pagamos o passaporte para a morte dos nossos filhos

Há 12 anos, Maria Macedo passava por uma dor semelhante àquela que os pais dos seis estudantes que morreram na praia do Meco estarão a sentir. O seu filho, Diogo, de 22 anos, perdeu a vida depois de uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão. Ao Diário de Notícias esta mãe, que continua de luto, diz não ter ainda desistido de encontrar os culpados para tão trágico desfecho.

“É um reviver de um filme que passa todos os dias pela minha cabeça”. Assim descreve Maria Macedo, em entrevista ao Diário de Notícias, a forma como tem acompanhado a tragédia do Meco. Afinal, há 12 anos passava sensivelmente pela mesma devastadora experiência dos pais dos seis alunos que morreram no passado mês de dezembro. O seu filho Diogo, de 22 anos, perdeu a vida após uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão.

Naquele dia de outubro, de 2001, Diogo até já estava de pijama, em casa, quando recebeu um telefonema que lhe traçaria o destino. Acabou por sair. “Só vou à tuna resolver a minha vida”, justificou, então, aos pais. Estas viriam a ser as últimas palavras que lhes haveria de dirigir.

 

Maria Macedo conta ao Diário de Notícias que também naquela altura se ergueu um muro de silêncio sobre o sucedido.

 

Aos pais dos estudantes que morreram no Meco, que considera ser ainda muito cedo para terem acordado face à realidade que os circunda e circundará daqui para a frente, esta mãe deixa o conselho: “Lutem para que se faça justiça. Responsabilizem a faculdade”. Porém, reconhece, “não será fácil. Até porque vê-se que a faculdade está a cozinhar com os alunos. O mesmo que me fizeram a mim. Exatamente igual”.

 

E, desabafa: “Nós, pais, pagámos o passaporte para a morte dos nossos filhos. Nós andamos anos a pagar o passaporte para a morte dos nossos filhos. Eles [instituições de ensino superior] só veem números, não veem a parte humana”.

 

Para Maria, que assegura, nunca desistirá de descobrir a verdade, não há duvidas. As praxes são “um crime público”, havendo, contudo, “uma falta de vontade política para resolver isto. Porque há muitos interesses”.

 

retirado de Notícias Ao Minuto

25
Jan14

Pacto de silêncio sobre rituais nas praxes

olhar para o mundo
Pacto de silêncio sobre rituais nas praxes
O pacto de silêncio em torno das praxes da Lusófona alarga-se aos antigos estudantes que integraram a Comissão Oficial da Praxe Académica (COPA).

 “Não quero estar a alimentar polémicas”, disse ao SOL um arquitecto que integrou a organização há seis anos, quando questionado sobre o tipo de praxes feitos pela COPA. “O importante é que o João Gouveia esclareça tudo”, diz.

 

Na universidade, os alunos falam sob anonimato de praxes rígidas e com muitas especificidades que levaram outros cursos, como o de Veterinária, há sete anos, a distanciar-se da COPA. Alguns estudantes já denunciaram a existência de rituais de obediência ao dux (líder) que passaria pela entrada na água até aos joelhos dos membros do governo da COPA. Mas quem pertence aos cursos abrangidos por estas praxes fecha-se agora, invocando que recusa promover a especulação.

 

O silêncio não surpreende o psicólogo Marco Pinto Barreiros: “Há muitas vezes nestas estruturas um nível de secretismo que não é claro, nem mesmo para os restantes estudantes universitários”.

 

Submissão preocupante

 

Mais chocante, diz este especialista em Psicologia das Organizações são os relatos feitos pelas famílias dos jovens que morreram no Meco, revelando que alguns viviam para a comissão de praxes, fazendo relatórios e estando em permanente contacto com o dux. “Centravam parte da sua vida nesta comissão, que não é uma estrutura saudável. É rígida, quase monotaísta”, defende, acrescentando que alguns estudantes parecem olhar para o dux como alguém que lhes traz sabedoria. “É preocupante”.

 

O especialista acrescenta que estas estruturas de praxes “implicam rituais de submissão e obediência a bem da comunidade”, e têm códigos internos rígidos, aos quais os estudantes aderem porque pertencer a uma comissão de praxes lhes traz estatuto e popularidade, envolvendo-os na vida universitária. O problema é que “muitas vezes confundem respeito com obediência”.

 

Os pais das vítimas são unânimes em dizer que desconheciam o que se passava na COPA e nunca se aperceberam que as reuniões envolvessem praxes entre eles ou rituais. “Na sexta-feira, o Pedro estava mais nervoso do que o habitual, mas atribuí isso ao facto de estar a preparar as praxes e a trabalhar ao mesmo tempo” - explica Fátima Negrão, mãe do jovem de 24 anos licenciado em Gestão, que fazia planos para um mestrado.

 

Já no caso de Joana Barroso, de 22, foi um sms que deixou a família em alerta. Numa mensagem a um colega, a estudante de mestrado de Serviço Social escreveu: “Vamos ver se sobrevivo... lol”. Os pais dizem que isso revela desconfiança sobre o que se iria passar naquele fim-de-semana.

 

São vários os casos de praxes violentas que chegaram a tribunal. A Universidade Lusíada foi condenada, no ano passado, a pagar uma indemnização pelas práticas violentas no seio da Tuna Académica, que levaram à morte de Diogo, um aluno do quarto ano, em 2001. E em 2008 dois tribunais condenaram membros da comissão de praxes da Escola Superior Agrária de Santarém e o Instituto Piaget a indemnizar alunos vítimas de praxes violentas.

 

As queixas poderão ser muitas mais, mas não há dados oficiais: nem a Procuradoria-Geral da República, nem a Polícia Judiciária têm uma estatística desagregada destes casos.

 

Retirado do Sol

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