Quarta-feira, 08.01.14

"Como queiram", uma comédia de Shakespeare, encenada por Beatriz Batarda

"Como Queiram" ou "As you like it", no original, uma comédia de Shakespeare entra em cena no Teatro São Luiz, a 09 de Janeiro, numa encenação de Beatriz Batarda


"Como Queiram" uma comédia de de costumes e enganos William Shakespeare terá sido escrita entre 1559-1600, e publicada em 1623.
"Como Queiram" conta a história de Rosalind que para fugir à perseguição que sofre na corte do tio, que entretanto tinha exilado o seu pai roubando-lhe terras e bens, vai para a Floresta de Arden, com a prima Celia e o bobo Touchstone. Nessa fuga Rosalind procura segurança e quem sabe o Amor. Entretanto o jovem Orlando um nobre do reino também é obrigado a fugir do irmão que o quer destruir para ficar com os seus bens. Mas ocasionalmente Orlando vê Rosalind e apaixona-se de imediato.
Na sua nova vida Rosalind passa a ser Ganimede, um jovem que vive com a irmã, Aliena, tem uma pequena casa e tenta a segurança e uma nova vida na Floresta, onde acaba por vir a encontrar o pai.

De salientar que em Shakespeare a floresta é quase sempre o contraponto da corte e das perfídias humanas que aí se praticam. Mas também ela tinha ficado apaixonada por Orlando, no primeiro olha que trocaram.
E estão encontrados os ingredientes para a construção de uma comédia de enganos e equívocos, maldade e traição, onde o Amor e a mudança são o motor para a criação de uma sociedade que apoie os seus membros e que não os destrua.

Há ainda um personagem, Jacques, um inadaptado, que no entanto vai dissertando sobre a condição humana e os erros dos homens, utilizando uma das expressões mais marcantes de Shakespeare " O Mundo é todo ele um palco".

Beatriz Batarda agarra em todos estes elementos e partindo da excelente e diferente tradução de Daniel Jonas, cria um espectáculo onde o mundo de Shakespeare quase passa a ser o nosso, com todas as práticas sociais que levam à infelicidade e à injustiça.
Com um elenco que se pode considerar de luxo, consegue partir de uma comédia de costumes, muito palaciana, para uma crítica acerba e acesa aos desníveis sociais, aos erros praticados que acabam por causar a infelicidade e a fuga.

A encenadora parte de um texto, muito original na transcrição da linguagem seicentista, naõ lhe tirando o sabor mas integrando-a no nosso quotidiano, num desenrolar de diálogos vivos, por vezes brejeiros que os actores dizem com uma desenvoltura uqe torna facil aquilo que realmente não é. Um excelente trabalho individual e de equipa.!

Mas "As you like it" ou "Como Queiram" é das poucas peças de Shakespeare que é atravessada por melodias. Foi delicioso ouvir "Oh Oliveirinha da Serra", entoada por Jacques, o pseudo eremita ( Bruno Nogueira), bem como a melodia final, uma idéia de Beatriz Batarda, com um intenso sabor a Alentejo.
De salientar que Bruno Nogueira e Nuno Lopes já tocavam viola, mas Carla Maciel aprendeu acordeon, uma pesado instrumento de cerca de 7.5kg, que carregou pelo menos numa cena, Luisa Cruz revelou-se um excelnete tocadora de flauta.


Falando com Beatriz Batarda quisemos saber o porquê da escolha desta peça. E respondeu-nos: "Com o prenúncio da crise económica e social a pairar, pensei que uma peça que chamasse a atenção para o facto seria óptimo. Em "Como Queiram" os personagens são exilados, ou expulsos por interesses egoístas, por ambições desmedidas, são usadas pela estrutura em que vivem. Vêem-se por isso obrigadas a criar uma outra estrutura em que possam repensar a sua relação com a vida, com a sociedade e com o Amor".
Relativamente ao cenário, todo branco e aberto, Beatriz esclarece que a cor é dada pelo vestuário da cada personagem, lembrando que na igualdade há sempre o direito à diferença.

Em cena estão Bruno Nogueira, Carla Maciel que é Rosalind, Leonor Salgueiro, Luisa Cruz, um bobo excelente de graça e mímica, Marco Martins, Nuno Lopes, que é Orlando, Romeu Costa, Rui Mendes, Sara Carinhas e Sérgio Praia.
A representação surge como um todo, quase um peça única, com uma alegria que para além de revelar maturidade e profissionalismo, demonstra o divertimento que todos os actores estão a sentir.

"Como Queiram" estará em cena no Teatro São Luiz em Lisboa de 09 a 26 de Janeiro e é uma co-produção Arena Ensemble, São Luiz Teatro Municipal, Teatro Nacional São João e A Oficina/Centro Cultural Vila Flor.

De Lisboa seguirá para Teatro Viriato em Viseu, onde entrará em cena a 07 de Fevereiro, estando os dias 14 a 23 de Fevereiro reservados para o Teatro Carlos Alberto no Porto. O Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães acolhe a peça a 01 de Março e a digressão terminará por agora em Braga, no Theatro-Circo, onde será exibida a 07 de Março.

 

Retirado do HardMúsica

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Terça-feira, 07.01.14

Cavaquinho e retornados, Shakespeare e Almada no Teatro Viriato

Cavaquinhos

Júlio Pereira vai apresentar no Teatro Viriato o novo disco Cavaquinho,pt DR

A primeira apresentação pública do novo disco de Júlio Pereira,Cavaquinho.pt, e a estreia nacional de uma produção própria sobre as memórias dos retornados das ex-colónias portuguesa, o regresso ao universo de Shakespeare, na passagem dos 450 anos do seu nascimento, e a continuação da aposta no trabalho do coreógrafo André Mesquita como Artista Residente são os pontos relevantes da agenda do Teatro Viriato para o início do novo ano.

 

Apresentada esta segunda-feira de manhã em conferência de imprensa, a programação de Janeiro a Março do teatro viseense propõe-se “evitar as concessões à simples política de animação”, apostando antes na continuidade de “uma política cultural de serviço público”, disse ao PÚBLICO, por telefone, Paulo Ribeiro, director artístico do teatro - função que começou a desempenhar em Janeiro de 1999, depois de a sua companhia se ter tornado residente neste espaço.

 

“Fazer coisas que estruturem a cidade e a sociedade” de forma aberta à participação da população local também como parte integrante da programação é o objectivo da agenda do Viriato, que continua a integrar a rede 5 Sentidos, que em 2009 reuniu cinco estruturas culturais no país mas actualmente já agrupa o dobro, numa malha que vai de Guimarães a Torres Novas, de Estarreja a Ponta Delgada, passando também por Porto e Lisboa.

 

O programa do Viriato para 2014 vai começar com música, num duplo concerto no fim-de-semana de 17 e 18 de Janeiro. Na primeira noite, Júlio Pereira faz a estreia do seu novo disco, Cavaquinho.pt, que é também um livro, e ainda uma forma de dar visibilidade à recém-criada Associação Museu do Cavaquinho, e do seu projecto de ver este instrumento da música e da cultura popular reconhecido pela Unesco como Património Imaterial da Humanidade.

 

A 18, a cantora cabo-verdiana Carmen Souza apresenta um concerto recheado de sonoridades afro-cubanas e outras fusões rítmicas universais.

 

Ainda na música, o imaginário africano permanecerá presente no concerto de Kimi Djabaté (26 de Fevereiro), intérprete guineense de balafon descendente de músicos mandinga, e actualmente radicado em Lisboa.

 

O projecto Reportório Osório, que reúne a música de Luís Cardoso com a escrita de Luís Fernandes (12 de Fevereiro); o concerto A Fortaleza, com que Teresa Salgueiro actualiza as canções do seu primeiro disco depois dos Madredeus, O Mistério (22 de Março); e uma parceria com o Jazz ao Centro (Coimbra) através de um concerto e do lançamento do disco colectivo Pedra Contida (26 de Março) completam a agenda musical do Viriato para os três primeiros meses do ano.

 

No teatro, o destaque vai para a estreia nacional de Retornos, Exílios e Alguns que Ficaram (31 de Janeiro), uma coprodução com o Teatro do Vestido (Lisboa) e com texto original e dramaturgia de Joana Craveiro. Esta autora, que já no ano passado criou para o Viriato a peça Esta é a minha cidade e eu quero viver nela (estreada em Junho), está actualmente a trabalhar sobre as memórias dos retornados das ex-colónias portuguesas em África após a independência, e que foram realojados em Viseu, entre 1975-91. Retornosserá, de resto, apresentado no Solar do Vinho do Dão, um dos lugares que na época serviram para realojar os retornados.

 

Ainda no teatro, os 450 anos do nascimento de Shakespeare serão evocados através de dois espectáculos em itinerância nacional: As You Like It (Como Queiram), produção do Arena Ensemble com encenação de Beatriz Batarda, que esta quinta-feira, dia 9, tem estreia nacional no Teatro São Luiz, em Lisboa (e chegará a Viseu a 7 de Fevereiro); e Coriolano, encenação de Nuno Cardoso, uma coprodução com o Teatro Nacional D. Maria II, que tem também estreia no mesmo dia na capital (no Viriato, a 28 de Fevereiro).

 

E Diogo Infante recitará o Sermão de Santo António aos Peixes (9 de Janeiro), na versão encenada por Cucha Carvalheiro.

 

Também para futura circulação pela rede 5 Sentidos, mas desta vez com estreia no Viriato, será a nova criação que João Sousa Cardoso fará sobre textos de Almada Negreiros, em parceria com a cantora Ana Deus e o actor Ricardo Bueno, mas também com a participação de desempregados residentes em Viseu, que estão a ser convidados a entrar no espectáculo. A peça chama-se MIMA-FATÁXA e tem estreia agendada para 14 de Fevereiro.

 

Fausta, a partir do romance O Banquete, de Patrícia Portela, uma produção do Centro de Artes e Espectáculos de Viseu (14 de Março), e A Caminhada dos Elefantes, criação de Inês Barahona e Miguel Fragata (para o Dia Mundial do Teatro, 27 de Março), são outras produções teatrais que subirão ao palco do Viriato.

 

Na dança, assinala-se a passagem por Viseu da criação de Tiago Guedes, A Dança (22 de Fevereiro), estreada na Culturgest, em Lisboa, em Dezembro passado; mas também a produção de Rui Horta para a Casa da Música, Danza Preparata (7 de Março), sobre a peça Sonatas e Interlúdios, de John Cage, e estreada no Porto em Abril de 2013.

 

Paulo Ribeiro anunciou ainda que André Mesquita continuará a ser, em 2014, Artista Residente no Teatro Viriato, dando sequência ao trabalho que o coreógrafo nascido em Setúbal (1979) aí iniciou no ano passado, e de que resultou já a criação Salto (estreada em Novembro).

 

SÉRGIO C. ANDRADE 

 

Retirado do Público

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Segunda-feira, 29.04.13

Um Shakespeare lido no Japão vai abrir o ano do Teatro Oficina

Um Shakespeare lido no Japão vai abrir o ano do Teatro Oficina

 

O Rei Lear marca o regresso da companhia aos palcos

Inglaterra-Japão-Portugal. Foi algures neste eixo que o Teatro Oficina (TO) encontrou o caminho a percorrer para a sua nova produção, O Rei Lear, de William Shakespeare. O espectáculo marca o regresso da companhia aos palcos, depois do ano intenso de 2012. Mais para o final do ano, a estrutura sediada em Guimarães volta à circulação nacional, de mãos dadas com a Mala Voadora. O espectáculo que abre o novo ano para o TO começou a tomar corpo no Japão, quando os actores Emílio Gomes e José Eduardo Silva e o director artístico, Marcos Barbosa, ali estiveram em Agosto, a trabalhar com sobreviventes do tsunami, a partir do texto de Shakespeare. Na cidade de Iwaki e tornou-se impossível contornar a forma como a vida das pessoas com quem se cruzaram mudou desde a catástrofe. A violência daquele momento vai reflectir-se nesta nova criação.

Mas haverá também um olhar português, sublinhando a leitura contemporânea sobre a grande tragédia de Shakespeare. O Rei Lear do TO parte de uma nova tradução, assinada por Fernando Villas-Boas e estreará no dia 17 de Maio, na Caixa Negra da fábrica ASA, em Guimarães, mantendo-se em cena até ao dia 26 desse mês.

O director Marcos Barbosa é o encenador do espectáculo, que junta em palco nove actores, a maioria dos quais fizeram parte da equipa que trabalhou mais de perto com a companhia vimaranense durante o ano passado. A opção por um clássico para começar o ano é também “a forma de colocar em cima do palco todo o trabalho efectuado em 2012”, justifica o responsável.

Depois do clássico, os contemporâneos. Em Julho, o TO apresenta Title and Deed, de Will Eno, monólogo interpretado por Jorge Andrade, da companhia Mala Voadora. Essa criação será o ponto de partida para uma colaboração mais intensa entre a companhia de Guimarães e a estrutura sediada em Lisboa, que este ano celebra dez anos. O TO será anfitrião da Mala Voadora até ao final do ano e os actores das duas estruturas juntam-se em palco em Setembro para a primeira montagem feita em Portugal de The Day Room, de Don Dellilo. É uma comédia negra com encenação de Jorge Andrade e chegará em Outubro ao espaço Negócio, em Lisboa. “É a altura de voltarmos a circular”, defende Marcos Barbosa, pondo fim a dois ano de trabalho “em casa” por força da Capital Europeia da Cultura. 

Retirado do Público

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